sábado, 31 de janeiro de 2015

Provado: Cantareira está cheia (de água mesmo!)

Internet tem de tudo.
Até um sujeito "provando", através de um vídeo, que a represa da Cantareira está cheia.
Da "séria série" Teoria de Conspiração...

Giorgio Moroder: E=MC2

O álbum "E = MC2" de 1979
Quem gosta de música - e aí não importa o estilo, do erudito ao pop - procura reconhecer a importância do criador musical.
Mas nem sempre isso atinge a exata dimensão.
Muitas vezes o intérprete não foi o criador e nem sempre temos a ideia da quantidade e qualidade da produção de determinado músico ou compositor.
Estou dizendo isso porque neste fim de semana resolvi dar uma ouvida em alguns raros arquivos musicais que mantenho em pen-drivers e em micro-cartões de memória - meus discos estão em outra cidade - e me deparei com a canção "Son of My Father" (regravada pelo grupo inglês Chicory Tip e por inúmeros outros artistas) que fez relativo sucesso no Brasil lá pelos idos de 1972 por ter entrado no LP da trilha sonora internacional da primeira versão da novela Selva de Pedra. Ufa! Parágrafo grande.
O artista chama-se Giorgio Moroder. Conhecem?
Em termos internacionais Giorgio eventualmente é chamado de "pai da disco music", o que configura, em minha opinião, uma falha histórica e uma diminuição do seu real valor que transcende em muito os anos da discoteque.
"From Here To Eternity", 1977
Muita gente só teve contato com Giorgio Moroder através de suas produções e composições executadas pela "rainha disco" americana Donna Summer. Músicas como a sexy "I Feel Love" realmente trazem sua marca registrada: o uso pioneiro de sintetizadores e sequenciadores e uma marcação rítmica eletrônica bem característica.
Trabalhou também com o grupo alemão Munich Machine, o inglês Information Society e muitos outros.
No entanto sua carreira no Pop/Rock começou muito antes, em meados dos anos 1960, quando nem se sonhava com disco music.
Portanto o sucesso mundial alcançado por volta de 1978 era apenas um coroamento de uma trajetória brilhante que continuou pós disco, sobretudo através da criação de trilhas sonoras para diversos filmes, como "Midnight Express", "The NeverEnding Story", "Cat People", "Flashdance", "Scarface", "Top Gun", "Beverly Hills Cop II" e para o clássico filme restaurado "Metropolis", de Fritz Lang.
Recentemente Giorgio Moroder voltou à ativa, trabalhando com o duo francês Daft Punk. Ele tem sido homenageado através de convites para atuar como DJ em eventos feitos em sua homenagem. Nesses sets executa apenas canções produzidas por ele, em um resumo de sua extensa carreira musical.
Moroder nasceu na Itália e em 2015 vai completar 75 anos, mais precisamente no dia 26 de abril. Daqui já nos adiantamos e mandamos parabéns para ele, por sua bela história de vida dedicada à música.
A seguir a nossa seleção musical do mestre. Se forem assistir a apenas um vídeo recomendo o último.









sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Demis Roussos: Para Sempre e Sempre

Assim tá ficando difícil.
No post "A Última Viagem Cósmica de Edgar" (vejam abaixo), eu disse que tinha muita gente boa morrendo ultimamente.
Pois além de perder um amigo (que não via há muito tempo, é verdade, coisas da vida) da época da Escola Técnica esta semana, soube agora que o cantor grego Demis Roussos também morreu no domingo passado, dia 25.
Gostava muito dele.
Normalmente associamos vozes angelicais ao timbre feminino, mas a voz de Demis poderia ser citada sim como sendo "celestial".
Começou sua carreira com o grupo grego de Rock Progressivo Aphrodite's Child nos anos 1960, junto com outro grego famoso que depois trabalharia com ele em sua carreira solo: o grande Vangelis.
Sinceramente não estou com clima para escrever sobre sua partida. 
Reproduzo parte do que consta na Wikipedia, bem como duas de suas canções mais famosas.
Descanse em paz Demis Roussos.


"Demis Roussos, nome artístico de Artemios Ventouris Roussos, (Alexandria, 15 de junho de 1946 - Atenas, 25 de janeiro de 2015) foi um cantor grego, nascido no Egipto. Artemios acabou sendo abreviado para Demis.

Filho de pais expatriados (George e Olga), tanto ele quanto os pais nasceram no Egito. Demis nasceu e foi criado em Alexandria. Três anos depois nasceu seu irmão Costandinos.

O cantor foi fortemente influenciado pela música árabe. Aos dez anos de idade, fã do estilo jazz, aprendeu a tocar trombeta. Depois dos seus pais terem perdido tudo, após a Crise do Canal de Suez, a família voltou para a Grécia, quando Demis tinha quinze anos. Sua mãe, Olga, é mais conhecida pelo nome artístico de Nelly Mazloum.

A partir de então, Demis participa em vários grupos musicais. O primeiro, com dezessete anos, “The Idols”, quando tinha de trabalhar para sustentar a sua família. Já nesse grupo Demis começa a destacar-se como cantor, a partir do momento em que é solicitado para substituir o vocalista que estava cansado, para cantar algumas músicas (o que começou com The house of the rising sun e When a man loves a woman, que posteriormente viria a gravar em carreira solo.

Com o compositor Lakis Vlavianos, Roussos deu início à banda “We Five”, já como vocalista principal. Mas só se torna mais conhecido a partir de 1968, com a banda de rock progressivo “Aphrodite's Child”, formada no Reino Unido, para a qual Demis se associa a outros dois músicos gregos, respectivamente Vangelis (ou Vangelis Papatanassiou) e Loukas Sideras, primeiramente como vocalista, depois também como guitarrista e baixista. Vangelis ficou como compositor principal e teclista, enquanto Loukas cuidava da bateria.

No entanto, por falta de permissão para trabalhar em Inglaterra, o grupo mudou-se para Paris, então no auge da Revolução de maio de 1968. O primeiro álbum foi “Rain and Tears”, que obteve um tremendo sucesso e vendeu um milhão de discos apenas na França, altura em que nasce a sua primeira filha, Emily.

Nos três anos seguintes o desempenho do grupo foi excelente. Com uma voz ao estilo de ópera de Roussos, a banda passou a ter sucesso em nível internacional, inclusive com o álbum “666”, lançado em 1970. Logo após o lançamento dessa obra, que foi criticada por aspectos satânicos, o boicote dos cristãos da Europa aos seus shows, provocou série de cancelamentos de agendas e leva o encerramento do grupo.

Com o final do Aphrodite's Child, Demis continuou a gravar com Vangelis, seu ex-colega de banda. Publicaram os álbuns “Sex Power", de 1970, “Magic Together”, em 1977. A obra de maior sucesso da dupla foi “Race to the End”, vocalmente adaptada da trilha sonora do filme “Chariots of Fire”. Roussos também participou como convidado da trilha sonora do filme “O Caçador de Androides - Blade Runner)”, em 1982, filme de culto considerado o melhor da década de 1980.

Face ao seu sucesso como cantor, enquanto vocalista dos Aphrodite’s Child, a gravadora propôs-lhe gravar o seu primeiro compacto solo, com a canção We Shall Dance. Logo a seguir gravou o álbum “On the Greek Side of My Mind”, o qual, juntamente com o mencionado compacto, estourou como os 5 discos mais vendidos em toda a Europa, inclusive a  Escandinávia.

Demis Roussos consagrou-se, então, como cantor em 1971. Pouco depois Roussos reencontrou-se com Lakis Vlavianos, ex-colega do “We Five”. Lakis então compôs e Roussos gravou várias canções que ocuparam o primeiro lugar nas tabelas de vendas de vários países, entre as quais, Forever and ever, My friend the wind, Velvet morning, também conhecida como Tric Tric Tric, entre outras.

Destacaram-se também, na década de 1970, os sucessos My reason; Goodbye, my love, goodbye; Someday, Somewhere e Lovely lady of Arcadia. Ganhou um disco de ouro com seu LP “Demis”, o qual foi seu único sucesso nos Estados Unidos. Por outro lado, o cantor fez muito sucesso na Europa e na América Latina.

Após o nascimento do filho, Cyril, em 1975, o cantor grego ficou os próximos oito anos fazendo tournés pelo mundo fora, juntamente com sua segunda esposa e o filho. No Brasil, conseguiu lotar o estádio Maracanã com capacidade para 150.000 pessoas, façanha apenas conseguida por Frank Sinatra.

Foi citado no Livro de Recordes de Guinnes como personalidade de destaque do mundo do entretenimento musical das décadas de 1970 e 1980. Foi contemplado com mais de 100 discos de ouro, platina e diamante.

Em 1978, Demis decidiu retirar-se dos palcos temporariamente e mudou-se com a família para um lugar onde não era conhecido, a saber, a Praia de Malibu, no Estado da Califórnia (EUA). Emagreceu então 54 quilos e decidiu aproveitar a vida viajando pelo mundo.

Depois de algum tempo, ainda no estilo de vida pacata, mudou-se dos EUA e, com seu filho Cyril, passou a alternar residência entre a Inglaterra e a Grécia.

Em 14 de junho de 1985 ocorreu um fato que Demis considerou como um separador de águas na sua vida: juntamente com sua terceira esposa, o avião da TWA no qual viajavam de Atenas a Roma foi sequestrado. O fato de ver a morte de perto levou o cantor a refletir sobre o valor da vida, decidindo reassumir sua carreira de cantor, com gravações e shows ao vivo, como forma de contribuir para um futuro melhor para a humanidade.

Gravou então mais vinte canções, e compilou o álbum “The Story of Demis Roussos”. Paralelamente, Roussos participou de eventos voltados para soluções de problemas humanos, como, por exemplo, o fórum pela paz e desarmamento (Kremlin, Moscou, em fevereiro de 1987) . Preocupado com problemas ambientais, participou também da Reunião de Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro.

A partir de 2004, Demis Roussos viveu uma vida mais sossegada à beira mar em algum lugar da Grécia, gozando os louros de ser considerado um dos cantores mais talentosos do século XX. Em 2005, após 25 anos, Demis Roussos retornou ao Brasil e fez três apresentações. Seu último disco foi lançado em 2009.

Demis Roussos faleceu no dia 25 de janeiro de 2015, após permanecer um longo período internado em um hospital de Atenas - Grécia. A filha Emily (do primeiro casamento) anunciou que o pai morreu de um câncer fulminante no estômago. "




Documentário: "Poliamor" (?!)

Achei acidentalmente a indicação desse mini-documentário no site ScienceBlogs.
Pelo tema, polêmico. No mínimo, curioso.
Ou sem maior importância pois cada um é dono de seu próprio nariz. E boca. E etc. E divide ou não com quem achar que deva ou mereça ou queira.
Ou isso ou aquilo.
Deixo a análise para Psicólogos, Sociólogos, Antropólogos e população de forma geral. Se tiverem tempo...
Tema para "Globo Repórter". Ou para alguns desses programas vespertinos que ficam discutindo a vida dos outros. :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Brasil: a menor taxa de desemprego

Ok, Ok. A coisa não está boa e pode ficar ainda pior.
No Brasil e no mundo.
Bem, isso é o que mostram as análises e algumas realidades planetárias. É fato.
Mas, se politicamente for possível "escolher a catástrofe" (como diria o Isaac Asimov), vamos priorizá-la para atender nossos interesses, dirão os barões da mídia.
Assim, cinco mortos na França são mais importantes que dois mil na Nigéria. Por exemplo.
Outra? Minimizemos a falta de iniciativa de São Paulo ao longo dos anos em sua crise hídrica e vamos generalizar para diluir (se tiver água) a responsabilidade de gerenciamento do governador (com g minúsculo, please).
No entanto, se tiver alguma notícia boa vinda do Governo Federal, então vamos desqualificá-la, colocando uma porção de "mas...".
Acabo de saber que o nível de desemprego de 2014 teve o menor índice já registrado - desde que começou a ser medido em 2002 - veja (Veja não, leia) artigo do DCM abaixo.
Com certeza os "anal-listas" neoliberais vão dar um jeito de mostrar por "A menos B" que trata-se de um dado negativo. Vejamos (epa!) o J10 hoje para conferir.
E atenção: não podemos permitir que esse caminho de pleno emprego e da retirada do Brasil do Mapa da Fome da ONU entre em retrocesso. Nem que a vaca tussa, caro Levy.
Desemprego tem o menor nível desde 2002
Segundo dados do IBGE, 2014 registrou 4,8% de taxa de desemprego; desde que o instituto começou a registrar as taxas de emprego, em 2002, esta é a menor registrada
Por Redação
"De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (29), o ano de 2014 registrou uma taxa de desemprego de 4,8% que, de acordo com o estudo seriado do instituto, é o menor índice registrado desde 2002 pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Em 2014, a média anual da população desocupada foi estimada em 1,176 milhão de pessoas, 10,8% inferior à média de 2013, que registrou 1,318 milhão. O índice de população ocupada teve um recuo de 0,1% em relação ao ano passado, passando de 23,116 milhões para 23,087 milhões de pessoas.

O nível de desemprego chegou a 4,3% no mês de dezembro de 2014, uma queda em relação ao mês de novembro, que registrou 4,8%, mesma taxa registrada no mês de novembro de 2013, mantendo o menor nível de toda a série histórica desde 2002.

Os dados utilizados pelo PME dizem respeito às regiões metropolitanas de Recife (PE), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). O levantamento não inclui no cálculo de desemprego pessoas que não estão trabalhando, mas que não estão procurando emprego.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui. "

Saudade desta música...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Infelicidade da Geração Y

Ainda naquela ideia de trazer textos descobertos ao acaso na Internet, segue este sobre as agruras da Geração Y.
Quem tem filhos (ou parentes, ou amigos) entre 20 e 35 anos vai entender o que tenta este artigo desvendar.
A origem é um site americano (link ao final) e quem escreveu foi Tim Urban.


Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes
Fonte:  Demografia Unicamp
"Esta é a Ana.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.
“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia
Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.
Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:
Ana está meio infeliz.
Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.
Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.
Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:
GYPSYs são ferozmente ambiciosos
President1
O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.
Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.


Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.
Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:
GYPSYs vivem uma ilusão
Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:
Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:
es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum
De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.
Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.
Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.
Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.
Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.
Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.
E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.
E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:
GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.
A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.
As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.
Aqui vão meus conselhos para Ana:
1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.
2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.
3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros."
Fonte do texto em inglês: http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.html

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Petrobras

Tem um nome que historicamente sempre encheu de orgulho os brasileiros: Petrobras.
Sobretudo por sua capacidade de superação dos desafios que se apresentaram desde sua criação.
Achar petróleo no Brasil, por brasileiros, foi o primeiro deles.
Depois vieram inúmeras outras conquistas em que a marca foi o pioneirismo mundial, sendo a mais recente a descoberta e viabilização do pré-sal.
Novos desafios são enfrentados agora e a marca da superação não será diferente.
Oportuna esta bela campanha publicitária.



"Superação: desde o começo a nossa história está repleta desta palavra. Lá atrás, quando diziam que não existia petróleo no Brasil, a nossa gente mostrou pro mundo que ele existia sim. E que era nosso.

Década após década, desafio após desafio, seguimos em frente. Recentemente fizemos uma descoberta que surpreendeu o mundo: o pré-sal. Hoje os desafios são outros. Por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão.

Seja qual for o desafio, a nossa melhor resposta sempre será aquela palavra que nos acompanha desde o começo: superação.

Essa é a Petrobras. Ontem, hoje e sempre superando desafios. Todos eles."

Um texto de origem externa no 'centro das atenções'

Uma das premissas que fixei ao criar este blog é que ele conteria apenas textos escritos por mim (e eventualmente pelo Luiz Felipe, caso aceite o convite para participar, quando desejar).
E não poderia ser diferente, pois as "impressões" são minhas, né?
Não, não se trata de egocentrismo. Longe disso. Ao contrário.
Tem muita gente boa escrevendo coisas realmente interessantes e eu não queria misturar meus escritos primários com esta galera de alto nível. Além do respeito aos direitos autorais.
Mas...
Acontece que tenho resistido bravamente para não quebrar a premissa, só que está cada vez mais difícil.
É que descubro um texto legal, curioso, impertinente, etc. e penso logo em copiar e colocar aqui.
Em resumo, estou desistindo daquele minha "auto-exigência". E o texto a seguir - publicado no Diário do Centro do Mundo - é que me fez decidir isso.
E por um motivo a mais não explicitado acima. É que trata-se de um assunto/artigo (na realidade são dois, o primeiro está no link indicado) que só poderia ser escrito por uma mulher. Daí...
A autora é a escritora e jornalista Laís Montagnana. Vale a pena ler, se for maior de idade (conforme aviso no acesso ao blog) e achar o tema digno de interesse... Tem gente que não gosta, então tá tudo bem.
Observação que se faz necessária: ao 'copiar e colar' não peço permissão ao autor. Nem ao blog ou site em que foi originalmente publicado. Corro o risco portanto de ser questionado pelo fato.
No entanto, tenho alguns amenizantes: este blog não tem fins lucrativos, sempre colocarei o nome do autor com link bem como do site em que o texto originalmente foi postado e o artigo sempre aparecerá entre aspas.
Desta forma vemos a inserção como divulgação do autor e do blog/site originais.
Isto é, se alguém ler este blog aqui.
Nem ligo. :)



Como os homens reagiram a um texto da nossa colunista sobre sexo oral

"“Como assim, tem homem que não gosta de chupar?”

Essa foi a reação da maioria dos caras que vieram falar comigo após ler um texto meu que mostrava que, segundo uma pesquisa, 43% dos homens não pratica sexo oral em suas parceiras. Detalhe importante: 1/3 dos rapazes que cumprem essa função a realizam com nojinho.

Muitos cidadãos respeitáveis também me procuraram pedindo pra eu mandar fotos, mas já dando sinal positivo de que topavam sim preencher a vaga do ‘anúncio’ (aka meu texto). Recebi duas propostas de ménage, uma oferta de emprego (ser comentarista num site que avalia pirocas), o melhor email hater de todos os tempos (com direito a me chamar de libertina <3 ), uma quantidade considerável de “vale-chupada”, 738 solicitações de amizade no Facebook (na próxima vez escreverei sobre dinheiro pra ver se assim fico rica) e um tumblr porn só com imagens dedicadas ao tema.

Saldo positivo, não?

Mas o melhor feito alcançado foi tocar em um dos calos da sociedade patriarcal: a sexualidade feminina. Afinal, apesar de estarmos em pleno século XXI, assim como mamilos, esse assunto continua polêmico.

Me desenha uma vagina? — perguntaria a pequena princesa numa adaptação de Saint-Exupéry para uma ótica feminina contemporânea. Acha a tarefa fácil? Então te desafio a pegar o papel e a caneta e colocar em prática seus conhecimentos de anatomia.

O portal Mic fez esse desafio para alguns homens e o resultado seria cômico se não fosse trágico: os caras não sabem como é uma vagina. Temos medo do desconhecido, e talvez seja dessa ignorância que vem uma parte do nojinho que esses caras dizem sentir ao fazer oral numa dama.

Aliás, muitos homens também reclamam que AMAM chupar, mas a namorada não curte ou não deixa. Isso infelizmente acontece porque muitas mulheres também não conhecem a própria vagina. Elas não se conhecem e aí não sabem como podem sentir prazer. É que somos ensinadas desde cedo a não olhar para nosso órgão sexual porque nos dizem que bucetas são feias, fedidas, cheiram a peixe e são sujas já que é por ali que saem sangue e excreções.

Muitas vezes essa ideia fica incrustada em nossa cabeça e demora pra ser desfeita. Para esse caso, convido a amiga a pegar o espelhinho e ficar cara a cara com a própria vagina pra descobrir que não precisa sentir repulsa de uma parte do seu próprio corpo que pode proporcionar tanto prazer.

A liberação sexual da mulher ainda gera polêmica. Isso explica o tanto de reações que uma mulher afirmando que gosta e não abre mão de ser chupada gerou (tanto de aprovação quanto de haters). A mulher que afirma que gosta de sexo assusta. Gera admiração e repulsa, desejo e ódio, curiosidade e medo.

Pra você ver o absurdo disso tudo: estamos falando de sexo, a coisa mais natural do mundo, e o fato de ainda ser tabu é que gera esses sentimentos confusos. Isso também é reflexo da cultura pornô que acaba reforçando o falocentrismo de que no sexo o prazer todo é voltado para o homem.

A garota geralmente fica uma meia hora chupando o cara e quando, com sorte, é retribuída tem só uns 5 minutos de prazer no máximo, ou seja: é normal o homem ter seu tesão saciado, a mulher não. A cultura do pornô não valoriza o prazer feminino. Isso faz com que tenhamos que “cobrar” a nossa vez e, às vezes, mais que isso: temos que dar o direcionamento pro boy, afinal se eles não sabem como desenhar uma vagina vão saber muito menos como chupar uma – e não tem coisa mais irritante que cara que mete a língua dura direto no clitóris e fica pedindo pra você gozar de 5 em 5 minutos.

Infelizmente, também escutei muito chorume com direito a cantadas nojentas e muito cara dizendo: “Ah se não gosta de chupar buceta é porque ‘não é homem de verdade’”, como se os gays fossem “menos homens” por não serem heterossexuais.

Também teve cara que veio me dizer que não entendia como eu poderia ter escrito aquilo “no bom sentindo, porque isso jamais deveria ter acontecido”, como se o fato de eu merecer ter prazer sexual ou não vai diretamente de acordo com a minha aparência e a aprovação masculina.

Me poupe!

Mas também houve boas surpresas, como o retorno do P.A. ex-não-chupador que refez sua reputação e compareceu bonito (será que ele me leu? risos) e vários leitores bacanas que se solidarizaram com a causa e fizeram juras de orais eternos em suas parceiras a fim de nunca decepcionar o público feminino.

Como esse cara que deixou a reflexão com a qual encerro o texto: “Não consigo entender, ao meu ver o mais importante no sexo seria satisfazer a parceira de todas as formas, não é? Se o rapaz não entende isso, só tenho pena dele.”."

Laís Montagnana
Sobre o Autora
"Laís Montagnana, nem puta, nem santa. Amante de bons drinks, bons discos, noites quentes e mesas de bar na calçada."

sábado, 24 de janeiro de 2015

A última viagem cósmica de Edgar


A única publicação musical de que gosto e assino atualmente no Brasil é a revista Poeira Zine, editada pelo Bento Araújo.
Embora tenha uma visão ampla da música, o foco principal é o Rock dos anos 1960 e 1970. E olha que o Bento é bem jovem ainda, ao contrário deste escriba.

Falar da música popular daquela época tem um complicador. Os artistas de que eu gostava naqueles tempos deveriam estar na faixa média dos 25 anos. Entre 15 e 20 anos a mais do que eu.
Os nossos ídolos que sobreviveram aos loucos anos estão hoje com idade variando entre 65 e 80 anos.

Na Poeira Zine - que tem edições bimestrais - tem uma seção chamada "Quem Se Foi".
Já viram onde estou querendo chegar. A cada bimestre tem uma penca de conhecidos nossos que partiram deste evento existencial.
O que é um tanto o quanto nostálgico, melancólico, deprimente, triste, etc. Mas é a vida. Quem não partiu jovem, da velhice não escapa.
Ocorre que, com o aumento da expectativa de vida, qualquer pessoa que parta - mesmo aos setenta e poucos - nos parece que foi prematuramente. Sobretudo quando se trata de um artista que continua produzindo.

Quando editei o Jornal Metamúsica, entre os anos de 1995 e 2000, não cheguei a pensar em uma seção como essa. Acho que não morria tanta gente.
Mas uma das prioridades era fazer matérias, se possível com entrevistas, com músicos que eu admirava e que não tinham o merecido espaço na grande mídia.

Entre as que consegui fazer está um artigo e entrevista com Edgar Froese, multinstrumentista alemão que foi um dos desenvolvedores da música de base eletrônica através do seu grupo Tangerine Dream.
Estudante de artes plásticas, Edgar chegou a ser aluno do grande Salvador Dali - mestre do Surrealismo - antes de se dedicar exclusivamente à música em fins dos anos 1960.

O som do Tangerine Dream - sobretudo em seu auge, entre meados da década 1970 e metade dos anos 1980 - era considerado o topo da música eletrônica de tonalidades cósmicas, espaciais, 'viajantes'.
Um dos seus LPs solo - para citar um exemplo que serve de referência para entendimento - chama-se "Electronic Meditations". Mas há dezenas de outros: "Aqua", "Phaedra", "Cyclone", "Rubycon", "Stratosfear", "Hyperborea", etc.
Junto com o Kraftwerk (outro grupo alemão), o TD influenciou tudo que foi feito nos ultimos 35 anos que tenha como base sons sintetizados, da New Age Music até os gêneros "techno".
Edgar Froese e seu Tangerine Dream também fizeram inúmeras trilhas sonoras para diversos filmes. Sua música era também cinematográfica.

Eu tenho uma empatia muito grande com o som da banda que nunca deixei de ouvir ao longo das últimas décadas.
Disso nasce uma consideração especial pelas pessoas que produzem aqueles sons que nos acompanham pela vida. Mesmo que nunca os tenhamos conhecido pessoalmente. Tornamo-nos amigos deles. E ficamos tristes quando temos a notícia de que deixaram o planeta definitivamente.

A próxima edição do Poeira Zine vai trazer na citada seção o nome de Edgar Froese. Ele partiu para sua última criação cósmica na última terça-feira, dia 20 de janeiro. Estava em uma cidade muito musical: Viena, Áustria. Repentinamente, de embolia pulmonar, aos 70 anos.

No infinito vai compor uma canção espiritual que vai soar por toda a eternidade.

Obrigado Edgar. Descanse em paz.




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Davos: "No Future"?


O Punk Rock foi um fenômeno social-musical que apareceu na Inglaterra em fins dos anos 1970 e depois se espalhou pelo mundo.
Quem puxou o movimento foram jovens desempregados que detonavam, entre outras coisas,  a monarquia britânica.
O grupo que mais apareceu no cenário foi o Sex Pistols, que cantava em sua célebre canção "God Save The Queen", a citação "No Future".
Será que chegamos agora ao momento real do "No Future"?

Esta semana começa o Fórum Econômico Mundial de Davos na Suíça.
Já faz algum tempo que não dou a mínima atenção a este encontro bilionário. Muito blá-blá-blá em proveito próprio e nada de ações reais em benefício de todos.
Este ano dizem que vai ser diferente e que os "conflitos locais e internacionais" vão ser os destaques nas discussões. Não tanto pela preocupação com o humano. Mas é que isso atrapalha os ganhos financeiros de muita gente.
Espero que os todo-poderosos comecem as discussões fazendo uma "mea culpa".

A culpa do neoliberalismo ter aumentado as distorções financeiras, com aumento da dívida social, desta vez atingindo até mesmo países europeus.
A culpa das intervenções militares desastradas nos últimos 60 anos, do Sudeste Asiático ao Oriente Médio e que rendem problemas até hoje.
A culpa pelo período colonial da África, que relegou àqueles países um atraso de que não conseguem se livrar e que ninguém ajuda.
A culpa pelo caos climático resultante do apelo ao consumismo desenfreado que é o que move a roda da fortuna. Deles.

Se a elite top-line se fizer humilde e ver o mundo como um todo onde todos estão interligados, vão colher vitórias ou derrotas do que plantarem, neste caso poderá ser sim este o primeiro fórum que terá valido à pena.
Mas eu duvido.
Bem fez a Dilma que vai para a Bolívia prestigiar o Evo Morales.


P.S.
Trecho de um recente artigo ("O TERROR, O "OCIDENTE", E A SEMEADURA DO CAOS") de Mauro Santayana analisando os recentes atentados terroristas (assunto que deverá ser discutido em Davos):

"Podemos dizer que Somos Charlie, porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.

Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa "ordem" ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo - graças a sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países - não sejamos atacados por terroristas em nosso território."

domingo, 18 de janeiro de 2015

Eu e o tempo: o primeiro Rock in Rio, 30 anos depois

O histórico cartaz oficial em inglês
Nesta semana comemora-se 30 anos da primeira edição de um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock in Rio, que acabou se tornando lendário. Foi entre 11 e 20 de janeiro de 1985. Eu estava lá.

Pausa.

Mais de uma vez ouvi a análise de que a nossa geração (complementando a que veio antes) "acabou com a velhice". Ou pelo menos a atrasou em mais de vinte anos.
É bem verdade. Nos anos 1950 quem tinha pouco mais de 50 já era considerado "idoso".
Aplicar em nossas vidas os novos conhecimentos da ciência com relação à alimentação, atividades físicas e mentais, controle das emoções, etc. tem proporcionado isso. Fora os avanços da medicina.
Mas coloco em dúvida quando alguém me fala que, aos cinquenta e cinco, por exemplo, se sente com vinte, sem nenhuma diferença física ou mental em relação à juventude.

Pausa.

Em janeiro de 1985 eu trabalhava em alto mar. Indústria de petróleo. Estava embarcado e tinha que cumprir a escala. Perderia o Rock in Rio? Quase. Perdi uma parte. Desembarquei na quarta, consegui assistir aos quatro últimos dias.
Não vi muita gente boa: Rod Stewart, James Taylor, George Benson, Iron Maiden, etc. Em compensação tive o prazer de estar lá quando tocaram Queen, Whitesnake, Scorpions, AC/DC, Ozzy Osbourne, Yes, etc. E muitos brasileiros: Baby & Pepeu, Barão Vermelho, Kid Abelha, Gilberto Gil, Blitz, Lulu Santos, etc.

Pausa.
Pausa para pensar sobre a passagem do tempo

A energia da juventude - tanto física quanto mental - pode ser mantida em "idades mais avançadas", dependendo do DNA e das atitudes. Adicionada da experiência das vivências. With a little help from genetic.
No entanto, por mais que tenhamos avançado, não tenham dúvida: o tempo não para, como diria o Cazuza, e traz seus efeitos a cada nova idade que comemoramos. Começamos a envelhecer quando nascemos, não tem jeito.

Pausa.

O festival foi um evento histórico não só para o público. Por suas dimensões e pelo seu sucesso foi também um momento mágico inesquecível também para os artistas que participaram, incluindo os experientes internacionais, que ficaram assombrados com aquela platéia de mais de 150 mil pessoas por dia.
Quem foi se lembra como se fosse ontem. O que é muito legal. Mas também preocupante e melancólico: 30 anos se passaram muito rápido para mim.
A galera apelidou a cerveja de Malt 'Nojenta'
Os shows começavam por volta das 15 horas e terminavam lá pelas 3 da madruga. Ao final eu pegava o ônibus para Campo Grande (bairro da Zona Oeste do Rio) onde morava minha irmã. Chegava por volta das 5. Dormia até às 10. Comia alguma coisa e voltava para o festival.
Foi assim por 4 dias (e seria pelos 10 se eu tivesse tido a chance de ir em todos). Dormindo cerca de 4 horas, me alimentando mal, ficando em pé por 12 horas, embaixo de chuva (naquele tempo chovia em janeiro no Rio), por cima de muita lama, multidão ensandecida, bebendo chopp Malt 90 (que não existe mais) em copos plásticos de 750 ml cujos quiosques eram abastecidos por caminhões pipa que vinham direto da fábrica! Tinha 25 anos. E tava tudo muito bom, tudo muito bem, como cantava a Blitz. Lembrando que a infraestrutura na época não era nem sombra do que é atualmente. Festa, alegria, celebração. Cheguei a passar pelo Roberto Medina (o idealizador do festival) na entrada das bilheterias e o agradeci. Ele sorriu. Se sentia realizado.

Pausa.

Hoje, com toda juventude que uma pessoa de 55 anos possui, eu não encararia aqueles quatro dias, noites e madrugadas. É onde me refiro às limitações impostas pela passagem do tempo. Nesses extremos que só quem tem menos de 30 aguenta. Quer dizer, nem sei se a juventude de hoje arriscaria tanto em uma maratona daquele tipo. Todos querem mais é conforto. E não se pode condená-los por isso.

Mas eu estive lá! E fazem 30 anos hoje.



O Rock in Rio daqueles tempos: também na Barra. Malt 90 em primeiro plano

sábado, 17 de janeiro de 2015

Afetos


Uma amiga solteira andou reclamando das poucas opções disponíveis para quem busca um relacionamento. E que nem precisa ser tão sério.
Segundo ela, atualmente desconfia quando vê um bom partido. A possibilidade do mesmo ser casado ou ser gay é grande e é real.
Como é gaiata, disse que a primeira opção não é empecilho (o casado), mas a segunda, obviamente, não dá.
Outra disse que o número de mulheres cuja opção afetiva encaminha-se para outra mulher tem aumentado e isso teria relação direta com o que foi dito acima.
"Observe atentamente o número de cantoras de MPB e suas seguidoras", disse-me ela com um exemplo um tanto quanto curioso.
Não sei se existe um estudo do IBGE sobre as opções afetivas dos brasileiros e brasileiras, mas observando superficialmente é bem capaz das amigas estarem certas.
Seria um fato novo ou porque só agora há uma maior demonstração das preferências?
Antropólogos mais vanguardistas apontam que no futuro essa questão sexual não será tão relevante e o que mais predominará será a bissexualidade ou, no limite, a assexualidade.
Ainda bem que não sou do futuro. Sem preconceitos.
Mas me preocupo com as mulheres heterossexuais de agora, se for mesmo verdade as observações das amigas.
É fato que no país nascem mais mulheres que homens. O que complica mais a situação. Para elas. Para os homens héteros tá um paraíso.
Dizem que a engenharia genética poderia dar um jeito em todas essas situações mas correríamos o risco de termos um "admirável mundo novo", preconizado por Aldous Huxley lá pelos idos da década de 1940. Melhor não arriscar.
Cabe aos homens (que gostam da coisa boa) se fazerem presentes com toda a gentileza que as mulheres merecem.
Sem ser "sexista", "machista" ou considerado levemente idiota por tocar neste assunto, acho que tod@s - independente da opção sexual - merecem um lugar ao sol. E na cama. Com romantismo, por favor.

Nossa sempre presente trilha-sonora:
As melhores canções românticas feitas atualmente na MPB são obras de cantoras, como esta ótima adaptação (de uma música italiana) da Ana Carolina, que fez muito sucesso há alguns anos.



"Pense Grande", Óleo Sobre Tela, 113 x 90 cm, Cláudio Dantas

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Smartphones

Telefone adicionado (com Photoshop) à uma antiga pintura
Os Smartphones em tempo recorde se tornaram os melhores amigos dos homens. E das mulheres. E dos adolescentes. E das crianças.
O cão perdeu o posto. Continua onipresente, é verdade. Mas faria mais sucesso hoje se tivesse teclado no focinho, tela na barriga e wi-fi no rabo.
E o Smartphone ainda tem a vantagem de não fazer cocô nem precisar de visitas regulares ao veterinário.
Cães também deveriam ter suas próprias redes sociais
Quanto ao resto, os custos são similares. Não se gasta com ração nem vacinas nem banhos. Mas as operadoras são vorazes em seu preços e parcimoniosas em seus gastos com instalações de antenas que melhorariam o sinal 3 ou 4G.
No mais não causa mais espanto ver gente verificando ligações perdidas, sms, whatsapp, facebook, instagram em transportes públicos, escolas, consultórios, filas de bancos, trabalho, cinemas e até em missas e velórios.
Certa vez fui a um show. 10% estavam assistindo todos os detalhes do mesmo. Os outros 90% estavam tirando fotos ou filmando incessantemente.
Viam o show pela telinha do smartphone. Busco entender isso.
Eu já tentei ver vídeos de shows musicais filmados da plateia com smartphones. Não fui além de cinco minutos. Imagem tremida, ângulos péssimos, som sofrível. Ninguém vê.
Tudo bem filmar uma música e tirar algumas fotos para as redes sociais. Mas daí a estar alí e não ver nada efetivamente "ao vivo"?
Apenas um desses paradoxos do modismo que não é mais modismo e veio para ficar.
Dizer que o problema é se ligar tanto no virtual que o real acaba parecendo algo secundário é chover no molhado.
Como a maior parte de minha vida foi vivida fora do ambiente das telinhas mágicas das redes sociais, não tem como me transformar agora.
Mas fico pensando como serão as relações nas próximas décadas. Relações humanas e dos humanos com o mundo que o cerca.
Os cães sobreviverão?
Com a palavra a Apple, Samsung, Microsoft e Mark Zuckerberg.
Agora me dão licença que tenho que atualizar minha foto de perfil. Depois, praia! Aí aproveito para tirar algumas fotos e postar de lá mesmo...

P.S.
Previsão do blog: daqui a alguns anos (ou antes) vai ser chique quem administra seu tempo e vive sua vida sem inseri-la nas redes sociais. Sei que isso parece aberração hoje mas o blog tem um discreto dom profético e de clarividência. Não riam. :)

Clarividência: "A clarividência é a capacidade de ver com clareza. É a visão da própria alma, que percebe a realidade num nível mais amplo e elevado. Seu surgimento é consequência natural do desenvolvimento espiritual humano na medida em que a pessoa devota-se ao crescimento interior e aproxima-se de estados de consciência sutis."


A música: vocês não vão acreditar mas ouve um tempo que existiam telefones com fio que só serviam para falar com pessoas distantes. Naqueles tempos só desejávamos uma linha (que tivesse sinal) para chamar um médico, falar com a namorada, entrar em contato com um parente distante.
A Electric Light Orchestra (ELO) cita isso nesta canção de 1976.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Jessica Zelinske

Coincidência.
A segunda beldade que posto neste new blog também se chama Jessica, igual à primeira.
Quem deu a dica foi um amigo que me mandou algumas fotos dela por email.
Esta é americana, de Minnesota.
Modelo fotográfico tornou-se celebridade depois do sucesso alcançado pela Playboy na edição em que ela foi capa.
Isto em 2011.
Em 2013 se casou e acho que permanece casada.
Tem 1,72 m e 57 kg.
Neste mês de janeiro, mais precisamente amanhã, vai fazer aniversário: 35 anos. Mais um motivo para nossa homenagem. Parabéns para ela.
E para nós também.








domingo, 11 de janeiro de 2015

Domingo, 50º C

"Wind and Sun", óleo sobre tela, Laura Knight
A vantagem de vivenciar plenamente a sensação térmica de 50º C é que se o sujeito tiver o seu destino traçado (e fizer por onde) para passar a eternidade nos quintos já estará plenamente ambientado.
A que se invejar aqueles que - como este escriba - conseguiram tirar alguns dias de férias à beira-mar. Cerveja e praia de segunda à sexta é bem precioso nos últimos janeiros.
Mas não é suficiente. Atualmente mesmo no litoral e em altitudes menores que 600 metros, o ar-condicionado é o tesouro mais almejado por todos. Desde que não falte luz. E que se separe uma boa quantia para pagar a energia elétrica no fim do mês. Mesmo se o aparelho for do tipo split categoria A.
A cada ano os verões ficam mais insuportáveis Com isso as praias mais lotadas. E a cerveja menos gelada. Bares, restaurantes e quiosques não dão conta.
E ainda temos que conviver com o medo daquela súbita tempestade arrasa-quarteirão. E olha que eu adoro o verão.
Não adianta fazer aqui o meu discurso de aquecimento global. Todo mundo sabe. Os donos do mundo devem ter mansões à prova de calor e chuvas torrenciais. Mas não devem ter mansões à prova do fim do mundo.
Não é tão difícil ser apocalíptico quando o risco de se pegar uma desidratação / insolação ou deslizamento de terra e enchente ultrapassa determinado percentual de segurança.
E estamos na fronteira. Dados estatísticos mostram isso.
Fazer o que, além de nossas ações de auto-proteção e algumas poucas de proteção à mãe-terra?
Rezar por todos. E todos por um.
Por um verão a menos de 60º.
Por chuvas melhor distribuídas.
Por ventos refrescantes, não aniquilantes.
Por um chopp a no máximo 3º C naquele bar aconchegante à beira-mar.
Por férias cada vez mais longas tanto quanto forem os verões.
Para que a luz do sol esteja sempre presente em nossas vidas.
Capa do disco "Abbey Road" - talvez a mais famosa da história - Beatles, 1969
Obviamente o tema do post fala diretamente ao sol. O que me lembrou de "Here Comes The Sun" que o George Harrison compôs na casa do rival e amigo Eric Clapton, que acabou participando com solos de guitarra.
Por volta de 1969 Eric já estava apaixonado pela esposa de George, para a qual compôs a clássica "Layla".
Depois George se separa e Clapton casa com o objeto de seu desejo (na verdade a relação já havia começado bem antes). Isso nunca impediu a manutenção da grande amizade entre ambos. Mas esta é uma outra história. Agora, here comes the sun, inserida no monumental "Abbey Road".

sábado, 10 de janeiro de 2015

Por Que Chora A Tarde

Por que chora a tarde?
Por que chora?
A tarde está chorando por você.
Uma rápida chuva vespertina me fez lembrar desta canção brega do Antônio Marcos (1945-1992).
Não sei qual seria a melhor definição hoje desta palavra que foi moda no século passado.
Naquela época o sinônimo era cafona. Contrário de chique.
A área da música popular foi a que melhor traduziu o significado deste que era quase um estilo de ser.
Nos tempos da brilhantina eram mais claras as fronteiras que separavam a MPB de categoria das músicas compostas e ouvidas pelo baixo clero.
Primeiro foi a Bossa Nova e a Tropicália versus a Jovem Guarda.
As duas primeiras foram a fonte que desaguaram na elite do anos 1970: Vinícius, Chico, Gil, Milton, Caetano, Tom.
Já a Jovem Guarda ao amadurecer deu em músicas românticas da Zona Norte, consideradas pelos críticos como subcultura.

"Por que chora, a tarde seu pranto entristece o caminho
Por que chora, se tem a beleza do sol e da flor
Por que chora, a tarde sabendo que existe outro dia
E a alegria depois da tormenta, é dia de Sol"

Verdade que a Zona Sul se rendia às canções de amor, mas aí tinha de ser de Vinícius ou Tom. Permitiam-se no máximo ouvir Tim Maia e Roberto Carlos, esses em cima de um imaginário muro localizado no perímetro entre o bom gosto e o dispensável sentimento da perda do amor.
Que, no caso dos bregas, assumiam a dor de cotovelo, a sensação plena do sofrimento de ser corno, do abandono, da paixão não correspondida, do amor impossível.
Convenhamos que isso não combinava com salões aristocráticos nem com bibliotecas de mais de dez mil volumes regadas à uísque 12 anos.

"Por que chora, a tarde no rio salpicando o seu leito
Por que chora, gritando ao vento angustias e dor
É que a tarde já sabe que alguém carregou meu carinho
Eu compreendo que também a tarde, soluça de amor"

Nem mesmo a ditadura gostava dos bregas.
É que, segundo eles, acredito eu, haviam componentes sociais em alguma letras que deveriam ser analisadas mais a fundo antes de serem liberadas.
Questões feministas, de sinalização à minorias e de liberação sexual poderiam ser indícios de apoio à visões mais à esquerda na política.
Ninguém entendia e apoiava os bregas.
A não ser aquela parcela do povão mais simples e romântica.

"A tarde está chorando por você
Por que assiste a solidão no meu caminho
A tarde entristeceu junto comigo 
E eu preciso desta tarde como abrigo"

Isso lá para trás, anos 1970.
Do José Augusto e sua reclamação pelo fato do seu amor não lhe ter ensinado a esquecê-la, do Fernando Mendes e sua menina na cadeira de rodas e da outra, aquela desconhecida, do Odair José e o seu pedido para a namorada parar de tomar a pílula.
Passadas algumas décadas, depois do aval, respeito e consideração confessados por compositores da elite, depois de livros e teses de doutorado, aquelas antigas composições foram elevadas à categoria cult.
Nada de novo no front para quem gosta tanto de música que não tem preconceitos contra o canto de paixonites agudas e perdas amorosas à la suburbian nights.
As músicas eram legais e marcaram uma época para quem estava atento.

"A tarde está chorando por você
Ela sabe que o amor partiu pra sempre
Seus passos vão sumindo pela estrada..."

Mesmo em canções que terminam com versos do tipo "...E esta chuva faz a tarde tão molhada"!





Antônio Marcos