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Kiss: Os traumas de um astro

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Décadas de 1960 e 1970. Não posso dizer que minha infância e adolescência tenham sido ruins, em que pesassem as extremas dificuldades financeiras da família. Fato aliás que continua afligindo a grande maioria dos cidadãos deste país (como diria a velha canção popular, tentando se livrar da hereditária situação precária: " o motivo todo mundo já conhece, é que o de cima sobe e o de baixo desce "). Tirando a preocupante frágil saúde de minha mãe (que partiria prematuramente) e de um dos meus irmãos que havia nascido com um tipo de autismo de último grau - não habitava mentalmente esta dimensão - e que morreria aos 12 anos, os problemas eram driblados. Como se fosse a Copa de 70. Sobretudo havia a alegria das brincadeiras e futebol ao ar livre com a vizinhança. Salto algumas temporadas e estou agora em 1983, em pleno gramado do Maracanã, assistindo com meu irmão ao nosso primeiro grande show internacional. Era a banda norte americana Kiss, da qual somos fãs até hoje. Tratada com

Sai Agosto entra Setembro

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Por algum ou alguns motivos, agosto não é um mês benquisto por um número considerável de pessoas. Eu estou neste grupo. Acho que a coisa vem lá da infância. Desde aquela época já se ouvia a expressão "agosto mês de cachorro louco". Certa vez, 8 anos mais ou menos, levei uma corrida de um pequeno cãozinho que me causou arranhões na perna. Era agosto. Mandaram meus pais localizar e vigiar o bicho ao longo de semanas. Se ele apresentasse sinais estranhos eu teria de entrar naquelas temíveis agulhadas na barriga. Não sei se ainda é assim. Neste mês, quando havia boatos que algum animal do bairro apresentava indícios de Raiva, as crianças eram trancadas em casa. "Hidrofobia" era um fantasma para a garotada.  Busquei algum fundamento para essa fama e acabei achando: "A origem e popularização da lenda sobre agosto ser o mês do cachorro louco aconteceu a partir da observação sobre o aumento de cadelas no cio, o que causaria um comportamento mais 'raivoso' dos m

Viver é melhor que sonhar

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Corriam os primeiros anos da longínqua década de 1980. Pré história, considerando a Era da Internet (EI) que tomaria força a partir do final dos anos 90.  Foram nesses dinossáuricos tempos que iniciei minha trajetória profissional em trabalho offshore . Jovem procedente da base da piramide social que mal tinha dinheiro para a passagem de ônibus, conquistava finalmente a liberdade econômica e mais: a sensação de estar contribuindo para o país, atuando na maior empresa da América Latina.  O trabalho exigia deslocamento rápido entre plataformas ao longo do período de duas semanas e isso era feito com um helicóptero "bolha" (apelido dado por causa do formato), pequena aeronave onde iam apenas eu e o piloto. Nesses voos eu olhava o belo oceano infinito abaixo e me lembrava que poucos anos antes eu nem sonharia com aquela possibilidade.  Esse sonho profissional não durou muitos anos pois optei pelo retorno à terra firme. Foi um período complicado. Me cobrava a intensidade e o amor

A história do baterista acidentado e o Rock in Rio

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Em meados da década de 80 eu ainda estava no início de minha trajetória profissional em trabalho offshore - tema de uma futura crônica - quando saiu a notícia bomba em 1984: aconteceria, em janeiro de 1985 no Rio, um dos maiores festivais de Rock do mundo! Acontece que, pela escala, eu estaria embarcado ao longo de todo os 10 dias do mega evento. A trajetória para conseguir estar lá e como foi a experiência daqueles dias inesquecíveis também será motivo de uma outra história por aqui. Uma das datas que mais me atraía atenção era o sábado, 19 de janeiro, que seria batizada de "Noite do Heavy Metal". Iriam tocar Ozzy Osbourne (Inglaterra), Def Leppard (Inglaterra), Scorpions (Alemanha) e AC/DC (Austrália). Super astros até hoje e ídolos musicais de minha juventude. Em novembro de 1984 o line-up sofre uma modificação. O Def Leppard não viria mais, aparentemente por causa de um atraso na gravação de seu novo disco. Fiquei muito decepcionado. Esta banda foi uma das poucas do est

Nugent, Clapton, Roger, Chico, Vinho e Pandemia

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Tem um LP na minha coleção que não vejo há tempos. Deve estar em algum canto de alguma estante no meio de centenas de outros. LP significa Long Play . São aqueles discos de vinil que as pessoas colecionavam há 250 anos aproximadamente e utilizavam para ouvir música. Este sumido eu não faço questão de encontrar. É de um guitarrista e cantor americano chamado Ted Nugent cujo título é "Cat Scratch Fever", de 1977. Estranho para um colecionador ter um item desaparecido que ele nem liga. O fato é que Ted é um reacionário militante do Partido Republicano que defende pautas controversas. No mínimo. Vejamos o que diz a Wikipedia: "Nugent é um militante do Partido Republicano dos EUA e de várias causas conservadoras associadas particularmente aos direitos de possuir armas e direitos dos caçadores. Ele é um apoiador do ex-presidente Donald Trump e fez uma série de declarações críticas ao ex-presidente Barack Obama, uma das quais foi percebida como potencialmente ameaçadora e levou

Casas Abandonadas

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A música me acompanha quase todas as horas do dia ou, pelo menos, sempre que possível. Por causa dessa paixão uma vez tentei ser músico. Procurei um antigo professor maestro e contratei aulas de piano. Queria ser um tecladista tipo Rick Wakeman. Não demorou para perceber que jamais chegaria aos pés do ídolo que, além de nascer com o dom que eu não tinha, havia estudado desde bem jovem no tradicional Royal College of Music de Londres. A conclusão é que, se me dedicasse muito, poderia chegar a ser, no máximo, um músico medíocre. Desisti. Superei a frustração editando por seis anos um jornal especializado em música, já que tinha facilidade em escrever. Foi o que pude fazer. Estratégias que vamos montando ao longo da vida. Não foi a primeira vez. Em fins dos anos 70, ainda adolescente, passei em concurso para a Escola Técnica Federal. Um colégio ideal para quem era das camadas base da pirâmide social como eu. Minha área não era a das ciências exatas, assim a opção natural foi a do curso de

De olhos fechados: uma foto na pandemia

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Quando criança me levavam para ser benzido por uma rezadeira. Lembro disso de forma não muito clara mas alguns detalhes permaneceram na memória. Permanecia quieto, sentado, enquanto a velha senhora, de pé, murmurava orações, movimentando um galho com folhas verdes escuras em volta de mim. Não entendia o que dizia mas algo de instintivo me fazia ficar de olhos fechados. Ao que parece, essa atitude facilitaria o recebimento das bençãos, bons fluidos emanados por aquela espécie de sacerdotisa que tinha uma conexão especial com Deus ou algo semelhante. Curioso que minha mãe era de uma religião evangélica clássica, Batista, que eu também frequentava por influência dela. No entanto nenhuma barreira era colocada para efetivação daquele ato xamânico. Talvez pelo fato dela ser procedente do interior, onde tal prática era a medicina que se tinha acesso. Anos depois frequentei por um bom tempo uma escola espírita onde assistia interessantes palestras sobre a visão de mundo segundo a doutrina comp