sábado, 31 de janeiro de 2015

Giorgio Moroder: E=MC2

O álbum "E = MC2" de 1979
Quem gosta de música - e aí não importa o estilo, do erudito ao pop - procura reconhecer a importância do criador musical.
Mas nem sempre isso atinge a exata dimensão.
Muitas vezes o intérprete não foi o criador e nem sempre temos a ideia da quantidade e qualidade da produção de determinado músico ou compositor.
Estou dizendo isso porque neste fim de semana resolvi dar uma ouvida em alguns raros arquivos musicais que mantenho em pen-drivers e em micro-cartões de memória - meus discos estão em outra cidade - e me deparei com a canção "Son of My Father" (regravada pelo grupo inglês Chicory Tip e por inúmeros outros artistas) que fez relativo sucesso no Brasil lá pelos idos de 1972 por ter entrado no LP da trilha sonora internacional da primeira versão da novela Selva de Pedra. Ufa! Parágrafo grande.
O artista chama-se Giorgio Moroder. Conhecem?
Em termos internacionais Giorgio eventualmente é chamado de "pai da disco music", o que configura, em minha opinião, uma falha histórica e uma diminuição do seu real valor que transcende em muito os anos da discoteque.
"From Here To Eternity", 1977
Muita gente só teve contato com Giorgio Moroder através de suas produções e composições executadas pela "rainha disco" americana Donna Summer. Músicas como a sexy "I Feel Love" realmente trazem sua marca registrada: o uso pioneiro de sintetizadores e sequenciadores e uma marcação rítmica eletrônica bem característica.
Trabalhou também com o grupo alemão Munich Machine, o inglês Information Society e muitos outros.
No entanto sua carreira no Pop/Rock começou muito antes, em meados dos anos 1960, quando nem se sonhava com disco music.
Portanto o sucesso mundial alcançado por volta de 1978 era apenas um coroamento de uma trajetória brilhante que continuou pós disco, sobretudo através da criação de trilhas sonoras para diversos filmes, como "Midnight Express", "The NeverEnding Story", "Cat People", "Flashdance", "Scarface", "Top Gun", "Beverly Hills Cop II" e para o clássico filme restaurado "Metropolis", de Fritz Lang.
Recentemente Giorgio Moroder voltou à ativa, trabalhando com o duo francês Daft Punk. Ele tem sido homenageado através de convites para atuar como DJ em eventos feitos em sua homenagem. Nesses sets executa apenas canções produzidas por ele, em um resumo de sua extensa carreira musical.
Moroder nasceu na Itália e em 2015 vai completar 75 anos, mais precisamente no dia 26 de abril. Daqui já nos adiantamos e mandamos parabéns para ele, por sua bela história de vida dedicada à música.
A seguir a nossa seleção musical do mestre. Se forem assistir a apenas um vídeo recomendo o último.









2 comentários:

  1. Olá meu amigo, excelente postagem sobre o Giorgio Moroder. Muitas pessoas só o conhecem pela produção da era "disco", muito boa por sinal, mas há bastante material anterior a esse período onde ele se mostra um pioneiro, como você citou, no uso da eletrônica aplicada à música com os sintetizadores Moog, Minimoog e depois com os Roland.

    Gostaria de destacar duas músicas da extensa discografia do Giorgio, que não são muito conhecidas por aqui. A primeira é uma versão de "Aquarius / Let The Sunshine In", lançada no LP That's Bubblegum - That's Giorgio (1969), o segundo dele. A música foi composta em 1967 por James Rado e Gerome Ragni para a peça Hair, mas a versão mais conhecida do público é a interpretada pelo grupo 5th Dimension, e que faz parte da trilha sonora do filme Hair (1979) dirigido por Milos Forman. Para ouví-la:

    https://www.youtube.com/watch?v=cAZlkF3r3QM.

    A outra música é "Evolution", do LP Music From Battlestar Galactica" And Other Original Compositions, que traz a trilha sonora do filme de ficção Galactica, Astronave de Combate, exibido nos cinemas brasileiros em 1979 e que virou série de tv na mesma época. É um belíssimo trabalho onde a criatividade de Giorgio ocupa todo o lado B do disco. Para ouví-la:

    https://www.youtube.com/watch?v=Zzj-GlRLZFU

    É isso aí!

    Abração,
    Alfredo.

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  2. Valeu pela aula amigo Alfredo! Sempre gostei do Giorgio Moroder mas não conheço muito suas primeiras produções que, ao que parece, são excelentes. Vou pesquisar e encomendar para minha coleção. Abração!

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