terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Davos: "No Future"?


O Punk Rock foi um fenômeno social-musical que apareceu na Inglaterra em fins dos anos 1970 e depois se espalhou pelo mundo.
Quem puxou o movimento foram jovens desempregados que detonavam, entre outras coisas,  a monarquia britânica.
O grupo que mais apareceu no cenário foi o Sex Pistols, que cantava em sua célebre canção "God Save The Queen", a citação "No Future".
Será que chegamos agora ao momento real do "No Future"?

Esta semana começa o Fórum Econômico Mundial de Davos na Suíça.
Já faz algum tempo que não dou a mínima atenção a este encontro bilionário. Muito blá-blá-blá em proveito próprio e nada de ações reais em benefício de todos.
Este ano dizem que vai ser diferente e que os "conflitos locais e internacionais" vão ser os destaques nas discussões. Não tanto pela preocupação com o humano. Mas é que isso atrapalha os ganhos financeiros de muita gente.
Espero que os todo-poderosos comecem as discussões fazendo uma "mea culpa".

A culpa do neoliberalismo ter aumentado as distorções financeiras, com aumento da dívida social, desta vez atingindo até mesmo países europeus.
A culpa das intervenções militares desastradas nos últimos 60 anos, do Sudeste Asiático ao Oriente Médio e que rendem problemas até hoje.
A culpa pelo período colonial da África, que relegou àqueles países um atraso de que não conseguem se livrar e que ninguém ajuda.
A culpa pelo caos climático resultante do apelo ao consumismo desenfreado que é o que move a roda da fortuna. Deles.

Se a elite top-line se fizer humilde e ver o mundo como um todo onde todos estão interligados, vão colher vitórias ou derrotas do que plantarem, neste caso poderá ser sim este o primeiro fórum que terá valido à pena.
Mas eu duvido.
Bem fez a Dilma que vai para a Bolívia prestigiar o Evo Morales.


P.S.
Trecho de um recente artigo ("O TERROR, O "OCIDENTE", E A SEMEADURA DO CAOS") de Mauro Santayana analisando os recentes atentados terroristas (assunto que deverá ser discutido em Davos):

"Podemos dizer que Somos Charlie, porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.

Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa "ordem" ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo - graças a sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países - não sejamos atacados por terroristas em nosso território."

Um comentário:

  1. Escândalo:
    renda de 1% maior que 99%
    Piketty, pau nos neolibeles!!!

    O Conversa Afiada reproduz do professor Ladislau Dowbor:


    O relatório Oxfam-UK sobre a desigualdade apresentado no Fórum Social Mundial em Davos mostra uma evolução negativa dos dados já muito dramáticos do relatório anterior, Working for the Few. A parte da riqueza mundial nas mãos do 1% mais ricos subiu de 44% para 48% entre 2009 e 2014. Agora 80 pessoas detêm mais riqueza acumulada do que os 3,5 bilhões de pessoas na base mais pobre da sociedade (para uma população mundial da ordem de 7 bilhões). Este sistema está implodindo. Muitos países estão se tornando desgovernados. Os pobres já não são os resignados de antigamente. Muitos países enfrentam um desemprego de jovens superior a 30%, perdidos no mundo. As fortunas foram essencialmente acumuladas (e em expansão) não por atividades produtivas, mas por especulação financeira. O grande eixo propositivo que se torna evidente, é a necessidade destes recursos passarem a servir o equilíbrio ambiental e social indispensável à nossa sobrevivência. O fato da Oxfam apresentar formalmente o relatório em Davos é significativo. A compreensão do tamanho do drama está se generalizando. O documento, de 12 páginas, está disponível em inglês, francês e espanhol. (L. Dowbor)

    http://www.conversaafiada.com.br/economia/2015/01/20/escandalo-renda-de-1-maior-que-99/

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