sexta-feira, 31 de julho de 2015

Porque viajei tão pouco?

Foto de Gil Carlos
Não viajei muito ao longo de minha vida. Melhor dizendo, pouco viajei.
Mas, se trata-se de algo que sempre me atraiu - conhecer o mundo - porque então nunca coloquei em prática isso?
Sempre tive mais de uma resposta na ponta da língua, mas agora não sei mais.
Questões de priorizações familiares e pessoais sempre estiveram na frente, me impedindo de ter tempo livre e/ou dinheiro suficiente.
Foto de Nando Almeida
Mas hoje com tantas informações na Internet e com tantas dicas e experiências de amigos que se planejaram, vejo que, na prática, pouca coisa pode nos impedir de viajar se assim desejarmos, se esta for a prioridade mesmo, se estivermos com saúde.
Abordo este tema porque nos últimos meses vários amigos tem entrado no benéfico processo de se tornarem donos de seu próprio tempo. Em outras palavras, se aposentaram ou estão em processo de aposentadoria. E mais outros tantos virão a se somar em breve a este time. Eu ainda vou ter que esperar um pouco, mas de alguns desses que se foram desta para melhor (no ótimo sentido) me chegam notícias boas de viagens diversas.
Um que que nunca tinha saído de sua cidade foi parar em Porto de Galinhas, dois outros que já viajaram muito pelo mundo desta vez foram curtir o frio no sul, um outro aventureiro está no momento na África do Sul, uma amiga chegou do Caribe, mais outro está na Europa, com passagens pela Itália, França, Holanda e Inglaterra.
O amigo Paulo, hoje, na África do Sul (mas ele não caça leões, só tira fotos)
Bem, antes à tarde do que nunca. Me refiro à conscientização das possibilidades existentes.
Também não cheguei lá, mas ouço muito falar de grupos da terceira idade viajando mundo afora.
Enfim, pensando nisso e olhando algumas fotos postadas em redes sociais por esses amigos, concluo como deve fazer bem para a mente e o espírito esse se deslocar, conhecer novos lugares, pessoas, hábitos. É algo como ler um livro maravilhoso ou ver um filme excelente, com a diferença que você está vivenciando essa "viagem" de verdade.
Pensando nisso achei o texto abaixo, de autoria do jornalista Rafael Câmara, no site Papo de Homem, um viajante compulsivo que nos brinda com boas dicas.
Para ler e começar a se planejar a curto, médio e longo prazo.
Vamos ver se desta vez começo a tomar jeito.

Foto de Lúcia Almeida

Como viajar mais, passo a passo
"Ele, o dinheiro, é o vilão número 1 quando o assunto é viajar mais. Ou melhor, a falta dele. A não ser que dinheiro não seja um problema para você, é quase certo que terá que juntar uma poupança e economizar para cair na estrada.
Além disso, dinheiro também é um desafio em outros momentos da viagem. Quanto preciso levar? Como calcular um orçamento de viagem que seja real? E, também importante, como levar a grana comigo?
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Perguntas simples, com várias respostas. Este é o segundo texto da série sobre como viajar mais. No primeiro, falamos sobre questões burocráticas importantes para o turista, como passaporte, visto, vacinas e a permissão internacional para dirigir. Agora, chegou o momento de falar de dinheiro.

Passo 1: Defina quanto dinheiro você precisa ter

Calcular seu orçamento de viagem é tarefa complicada. Não importa o que digam para você, a sua média de gastos vai depender de uma série de fatores e pode variar bastante. Entre esses fatores, o orçamento depende do seu estilo, gostos e o que você pretende fazer.
Por isso, você não vai encontrar um modelo perfeito de orçamento de viagem na internet. O máximo que você conseguirá é saber quanto outras pessoas gastaram. Se essas pessoas tiverem um estilo e roteiro de viagem parecidos com o seu, sua vida fica um pouco mais fácil.
Tenha em mente também que há três tipos de gastos. O primeiro é aquele feito antes de você viajar, normalmente as passagens aéreas e o seguro de viagem, caso você vá para o exterior.
Em segundo lugar vem o orçamento durante a viagem. É desse que vou falar a seguir. Inclui hotéis, comida, bebidas, passeios, tours, enfim, basicamente tudo. É o que você gasta no dia a dia da estrada.
Por fim, lembre-se que, caso você resolva usar o cartão de crédito, terá gastos e dívidas a quitar depois que a viagem chegar ao fim. Deixe um espaço no seu orçamento para esses compromissos.
Na primeira vez que mochilei pela Europa, gastei, em média, 70 euros por dia de viagem (sem contar as passagens aéreas e seguro, ou seja, somente aqueles gastos do orçamento durante a viagem). Dois anos mais tarde, reduzi essa média para 50 euros. Conheço gente que viaja pelo Velho Continente com bem menos que isso e já li relatos de quem viajou pela Europa gastando um euro por dia ou sem gastar nada.
Por outro lado, tem muita gente que gasta mais que meu orçamento inteiro de viagem apenas com as reservas de hotéis. Nenhum desses orçamentos está errado, são apenas diferentes.

Saber qual tipo de hospedagem se está disposto a pagar é fundamental no orçamento
Mas todos possíveis.
Portanto, seus gastos dependem do tipo de viagem que você pretende fazer e dos lugares que vai visitar. Tente responder às seguintes questões:
1. Quais países e cidades você pretende conhecer?
2. Você vai viajar sozinho ou terá companhia?
3. Topa ficar em dormitórios de hostels ou quer um quarto privativo de hotel?
4. Faz questão de comer todos os dias em bons restaurantes ou pretende encarar a comida de rua (e até cozinhar)?
5. Tem algum passeio, tour ou atração que seja muito cara? Exemplo: um curso de mergulho.
6. Vai fazer compras durante a viagem?
7. Vai pagar pela hospedagem ou tem como ficar na casa de alguém, seja num amigo, parente ou uma pessoa que você conheceu no CouchSurfing?
Todas essas questões são importantes.
Se você pretende viajar sozinho, a forma econômica de hospedagem quase sempre é encarar um quarto coletivo de hostel. Se isso é fora de cogitação para você, prepare-se para gastar pelo menos o dobro. Já quem viaja em grupo - famílias ou amigos, por exemplo - pode alugar um quarto maior para todos, mantendo o preço por pessoa no patamar que você encontraria num hostel.
Ok, é complicado bater o martelo e definir o valor da viagem, mas vou deixar abaixo a minha média de gastos em algumas partes do mundo.
Antes de adotá-la, tenha em mente que eu costumo ficar em quartos coletivos de hostels, mas em lugares mais baratos fico num quarto só pra mim, principalmente quando não estou viajando sozinho. Faço questão de ter dinheiro para encarar todos os passeios e atrações que me interessam, mas não encho minhas viagens com bons restaurantes - só de vez em quando.
Bares e cervejas, no entanto, fazem parte do meu roteiro (e orçamento) de forma frequente. Em outras palavras, sou um viajante econômico, mas nem tanto. Você consegue gastar menos que eu (se quiser) e pode acrescentar mais dólares no seu orçamento, caso queira mais conforto.
Quanto gastei, por dia e sem contar passagens aéreas, nos lugares que já visitei:

Europa: 60 euros


Esse valor sobe em grande capitais como Paris, Londres ou Roma, e também na Escandinávia e na Suíça. No entanto, fica mais barato em cidades menores e em países como Portugal e Espanha ou no Leste Europeu.
Saiba detalhes sobre quanto custa viajar pela Europa.

Sudeste Asiático: 30 dólares


Mais que isso em Cingapura (uns 60 dólares) e na Tailândia (pelo menos 40). Camboja, Laos e Vietnã continuam econômicos.
Se tiver interesse, leia o texto sobre quanto custa viajar pela Tailândia.

Nova Zelândia e Austrália: entre 60 e 70 dólares


Mas é fácil gastar bem mais que isso também.

América do Sul: 40 dólares


Alguns países são mais caros, casos de Brasil e Chile, outros são baratos, como a Bolívia. E alguns países nem são tão caros assim, mas um passeio específico pode quebrar seu orçamento. Por exemplo, o Peru, que não é caro, mas causa um aumento de gastos no caso de Machu Picchu, principalmente na alta temporada. A Argentina já foi mais barata, mas continua nesse patamar. 
Leia o texto que escrevi sobre quanto custa mochilar pela América do Sul.

Canadá e EUA: 70 dólares


Esse valor sobe tranquilamente dependendo da viagem.
Hospedagem em Nova York causa choro e ranger de dentes, enquanto a Disney tem custos que devem ser pensados de forma separada.

México e Caribe: 30 – 40 dólares


Varia de acordo com o país.
Destino de resorts de luxo, o Caribe pode causar estragos no seu bolso. Ou não.

África do Sul: 40 dólares


Confesso que tenho dificuldade em pensar um orçamento para a África. Por isso, deixo aqui a única média que já testei na prática, durante minha viagem pela África do Sul, um dos lugares mais incríveis que já visitei.

Para ajudar a calcular a viagem

Dois sites interessantes para calcular seu orçamento de viagem são o Quanto Custa Viajar e o Numbeo. Use os dados de outros viajantes para planejar suas andanças pelo mundo, mas não se esqueça de adaptar os números para sua própria realidade.
Durante a viagem, anote, dia a dia, seus gastos. É uma forma de não terminar o roteiro sem dinheiro. Ou, pior ainda, economizar mais que o necessário e terminar a viagem com dinheiro na mão.
Para isso, você pode usar o app de notas do seu celular ou buscar um aplicativo especializado. Se preferir, anote tudo num caderninho. Ao fim de cada dia, some todos os gastos e veja se você se mantém no orçamento, se precisa economizar ou se pode esbanjar um pouco.
Não entre em pânico se os gastos de um dia específico passarem muito do previsto. Isso é normal e costuma ser compensado na média de gastos da viagem.

Como conseguir a grana


Com o orçamento calculado, some todos os gastos e veja o tamanho do desafio. Se você já tiver essa grana, ótimo, problema resolvido. Caso contrário, você terá que economizar. Monte uma poupança de viagem - um valor que seja real, possível de ser alcançado todo mês, mas não tenha medo de cortar gastos da sua vida diária para economizar.
Eu já escrevi, aqui no PdH, um texto com dicas práticas para economizar e viajar mais, por isso não vou me aprofundar nesse assunto dessa vez. Se você pretende viajar pelo nosso país, vale ler também o texto sobre como viajar pelo Brasil gastanto pouco.

Como levar o dinheiro

A resposta é simples caso sua viagem seja pelo Brasil: leve seu cartão do banco e sempre tenha uma boa quantia em espécie. Não confie na onipresença dos caixas eletrônicos ou das máquinas de débito. Eu já passei dificuldades por conta disso. Tipo quando cheguei em Caraíva, Bahia, só com 20 reais no bolso - e o flanelinha queria mais que isso só pra deixar o carro ficar lá.
Por outro lado, quando a viagem for para outro país, aí a questão fica um pouco mais complicada. Existem várias formas de levar dinheiro para o exterior. O ideal é que você adote mais de uma - talvez até várias delas.
Caso um método dê errado, você tem de onde tirar dinheiro.

Dinheiro em espécie


Como o IOF, imposto sobre operações de câmbio e crédito, é mais baixo para compra de moeda estrangeira em espécie (apenas 0,38%), essa é a alternativa mais econômica e prática. Procure uma casa de câmbio, compre a moeda estrangeira e pronto.
O problema, claro, é a insegurança, que não é algo típico só do Brasil. Batedores de carteira e assaltantes existem em qualquer lugar do mundo - muita gente se impressiona quando descobre a quantidade de golpistas que há em Paris, todos de olho nos bolsos dos turistas.
Por isso, eu não levaria todo meu dinheiro em espécie, pelo menos não se a viagem fosse mais longa. Se for uma viagem curta, de poucos dias, pode ser uma boa alternativa. Nesse caso, separe seu dinheiro - deixe sua riqueza em dos locais diferentes, ambos seguros.
Use o cofre do hotel e pense na possibilidade de viajar com uma doleira. Se fizer isso, não tire a doleira na frente de outras pessoas e tome cuidado para não esquecê-la em algum banheiro público - eu já vi isso acontecer.
Em países onde há câmbio paralelo, como a Argentina, é bom aumentar a quantidade de dinheiro em espécie, já que a a cotação nos cartões de crédito e débito é muito pior pra você.

Cartão pré-pago (ou travel card)

Não é o cartão do seu banco, mas um feito pelas casas de câmbio. Você compra a moeda estrangeira e carrega no cartão, pagando a cotação do dia, que costuma ser um pouco mais desvantajosa (pra você) que a cotação do dinheiro em espécie. A partir daí, basta levar o cartão e pagar suas contas no débito, sem pagar taxas.
Também é possível sacar o dinheiro, mas nesse caso há uma taxa, além da taxa do próprio caixa eletrônico. O IOF dos cartões pré-pagos é de 6,38%. Ou seja, você paga R$ 63,80 de imposto para cada R$ 1000.
Mesmo que você não pretenda usar esse cartão, pode valer a pena levar um com você, principalmente em viagens mais longas. Em algumas situações, quando todos os métodos falharam e eu não tinha mais dinheiro em espécie, foi o cartão pré-pago que me salvou.
Uma pessoa autorizada pode recarregá-lo para você, do Brasil, em caso de necessidade.

Cartão de crédito internacional


Com o mesmo IOF dos cartões pré-pagos, o cartão de crédito oferece uma vantagem e uma desvantagem. O ponto positivo é a possibilidade de juntar milhas aéreas (e viajar mais). Acredite, as milhas funcionam e garantem passagens de graça. Basta saber como acumular seus pontos. O ponto negativo é a flutuação cambial, já que a cotação da moeda será a do dia do fechamento da fatura.
Não importa se você vai usar o cartão de crédito, leve um com você, para o caso de alguma emergência. E não se esqueça de desbloqueá-lo para uso no exterior. Você pode fazer isso num caixa eletrônico ou conversando com seu gerente - depende das regras do seu banco.

Cartão de débito

Use seu próprio cartão do banco, no débito e sem complicação. Você pode pagar as contas e fazer saques. Claro, pagando uma taxa para isso, que varia de acordo com o banco. A grande vantagem é a comodidade. Não ter medo da flutuação cambial é outro ponto positivo - vale a cotação do momento do débito.
Por outro lado, você não acumula milhas ou, quando acumula, faz isso em menor quantidade. Em todo caso, vale também desbloquear seu cartão de débito para uso no exterior, mesmo que você não pretenda usá-lo.
Dúvidas? Deixe um comentário. E aguarde o próximo texto, em que falaremos sobre como montar o roteiro de viagem, pensar os deslocamentos e procurar hospedagem, enfim, organizar toda a viagem por conta própria. E pela internet."

Rafael Sette Câmara
97d9f76726a840ce8ec3cd8f3ba9e2e3?s=130"Virou mochileiro ao mesmo tempo em que se tornou jornalista. Desde então, se acostumou a largar tudo para trás - inclusive empregos - e cair na estrada. Ele escreve sobre viagens no 360meridianos, mas pode ser encontrado também no Facebook e no Instagram."


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um intelectual brasileiro de 77 anos que procura trabalho

Luiz Carlos Maciel
Relato agora o que para mim é um drama. Mas espero que tenha um final feliz.
Vamos lá.
Um assunto que volta e meia me chama atenção é o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. Vindo junto a questão da qualidade de vida. E muitos outros temas: saúde, previdência social, cuidadores, denúncias de maus tratos à idosos, etc.
As famílias estão menores.
Estamos envelhecendo bem, mas em algum momento necessitaremos de amparo, se não formos antes.
Abordo de forma genérica tão complexo tema porque ando remoendo uma história que vi no Facebook há algumas semanas.
O crítico musical Jamari França postou em seu perfil uma nota de Luiz Carlos Maciel. Acho que a maioria dos meus 17 leitores não conhece essa pessoa.
Eu tive contato com seus escritos em meados dos anos 1970. Foram artigos que escrevia para revistas musicais. Fiquei encantado na época.
Descobri que ele podia, a partir de qualquer assunto, desenvolver suas idéias intelectuais, filosóficas acerca do existir e de uma forma absolutamente encantadora.
Foi chamado de "guru da contracultura" mas sua bagagem cultural transcende quaisquer rótulos.
A partir daí procurei ter contato com seus livros e suas crônicas em diversas publicações, entre elas o insuperável Pasquim, lar da intelectualidade brasileira em plena época da ditadura.
Para que vocês tenham uma ideia melhor de quem é ele, reproduzo pequena biografia da Wikipedia:

"Luiz Carlos Maciel (Porto Alegre, 15 de março de 1938) é um escritor, jornalista e roteirista brasileiro.

Formou-se me Filosofia em 1958, pela Universidade do Rio Grande do Sul. Enquanto estudava, foi diretor e ator amador de teatro. Em 1959 recebeu uma bolsa de estudos para a Escola de Teatro da Universidade da Bahia. Nessa ocasião, conheceu Gláuber Rocha, João Ubaldo Ribeiro e Caetano Veloso, entre outros. Gláuber foi, inclusive, o ator principal de seu curta-metragem A cruz na praça.

Em 1960 recebeu nova bolsa de estudos, desta vez da Fundação Rockefeller, para o Carnegie Institute of Technology, em Pittsburgh, nos Estados Unidos da América, onde estudou direção teatral e realização de roteiros, durante dezoito meses. Na volta a Salvador, foi professor da Escola de Teatro, tendo dirigido diversas peças.

Em 1964 mudou-se para o Rio de Janeiro,e lecionou no Conservatório Dramático Nacional e trabalhou em jornais locais, entre eles Jornal do Brasil, Última Hora e na revista Fatos e Fotos.

Conhecido como o "guru da contracultura", destacou-se nos anos 1960 e 70 com suas ideias sobre o underground. Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969. Em 1970, juntamente com a maior parte da equipe de O Pasquim, foi preso pelas autoridades militares da época, e passou dois meses na Vila Militar, no Rio.

Editou também o semanário contra-cultural Flor do Mal, e foi diretor de redação do semanário Rolling Stone. Trabalhou durante vinte anos na Rede Globo, exercendo funções de roteirista, redator, membro de grupos de criação de programas e de analista e orientador de roteiros.

Em 1979 colaborou no semanário Enfim e, no ano seguinte, na revista Careta, ambos editados por Tarso de Castro. Em 1984 dirigiu o espetáculo musical Baby Gal, com a cantora Gal Costa, e a peça Flávia, cabeça, tronco e membros, de autoria de Millôr Fernandes.

Em 1987 voltou a lecionar, principalmente cursos de roteiro. Em 1991 dirigiu as peças Boca molhada de paixão calada, de Leilah Assumpção, e Brida, de Paulo Coelho. Em 1998, seu roteiro para o filme de longa-metragem Dolores recebeu um prêmio concedido pelo Ministério da Cultura.

É casado desde 1976 com a atriz Maria Cláudia."

Mas que drama é esse que cito no início do post? Tem a ver com o comentário publicado na página do Jamari França. Trata-se de um post recente de Luiz Carlos Maciel em sua página do Face (que eu nem sabia que ele tinha mas que agora acompanho):

MACIEL QUER TRABALHO
"Amigos do Facebook. Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessa áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens... O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto?
Luiz Carlos Maciel
lcfmaciel@gmail.com"

Terrível, não acham? Um intelectual deste porte. Maciel está com 77 anos (daí a minha introdução "genérica", no sentido de extrapolar a situação dele para muitos outros na mesma situação).

Mas o final feliz se aproxima. Vejam essa nota recente dele:

OFICINA PERMANENTE DE ROTEIRO
"Amigos, as circunstâncias me levaram a transformar o Curso de Roteiro que comecei a fazer há poucos dias, numa Oficina Permanente de Roteiro, funcionando igualmente às terças e quintas, às 19 hrs, na Rua José Linhares, 244, Páteo (P), no Leblon. Essa decisão vem atender a um certo número de interessados com problemas de disponibilidade para um curso com prazo determinado. Na Oficina, o participante se inscreve quando quiser, sai e volta à vontade, conforme suas necessidades pessoais. Fiz uma Oficina Permanente dessas, anos atrás, no Tempo Glauber, e deu muito certo. Acho que também vai dar agora. Além da exposição teórica dos Fundamentos do Roteiro para Cinema e Televisão, a Oficina promove o acompanhamento, passo a passo, de roteiros elaborados pelos participantes, com minha orientação direta e individualizada. O pagamento é feito adiantado, mensalmente, no valor de R$ 400 (quatrocentos reais). Muito obrigado pelo interesse em meu trabalho. Espero vocês.
Luiz Carlos Maciel"

No sábado passado, o Jaguar - antigo companheiro da época do Pasquim - em sua coluna semanal do jornal O Dia, abordou o tema, ao seu modo:

Jaguar
"Rio - ‘Conheço esse cara de algum lugar’, pensava ao passar por ele rumo ao Alemão, para tomar uma cerveja sem álcool. É um velho que fica num banco na esquina da Carlos Góis com Ataulfo de Paiva. Às vezes nossos olhares se cruzam. Como ele não me cumprimenta, ia em frente. Agora a ficha caiu: li, na ‘Folha de S. Paulo’ de 12 de julho, excelente matéria de Claudio Leal, com o perfil de Luiz Carlos Maciel. Ele deve ter pensado o mesmo ao me ver, outro velho, de boné, também com a barba por fazer, arrastando as sandálias. Porra, estivemos presos na Vila Militar no fim dos anos 60! No auge do ‘Pasquim’, manteve uma coluna, ‘Underground’, que fez dele o guru, meio a contragosto, da contracultura. Era quem mais recebia cartas dos leitores.

Mas Ivan Lessa jogava fora todas e fazia da seção de cartas do jornal, sob o pseudônimo de Edélzio Tavares, uma delirante obra de ficção. Aspas para Claudio Leal: “Maciel sacudiu o jornalismo brasileiro ao lado da patota do ‘Pasquim’. O jornalista trazia as boas notícias, e às vezes as trágicas, de artistas como Janis Joplin, Jimi Hendrix e Richie Havens.” 

Maciel teve um encontro com Janis no Rio. No número 67, de outubro de 1970, escreveu sobre ela. 
Destaco trechos: “As mortes de Hendrix e Joplin, num período de cerca de 15 dias, foram demais para nós. Há uma certa perplexidade no ar, uma angústia que beira o pânico, uma dúvida pesada sobre o apocalipse que se anuncia, os derradeiros horizontes do século se ele, de fato, promete um novo começo, como querem as crianças de Aquarius, ou se apenas assinala um fim sem futuro, como a grande imprensa insinua como um sintoma assustador que não tem, sequer, consciência de si mesmo.
Sim, o impacto das duas mortes foi poderoso. Os que mais as sentiram tentam conservar a paz de espírito, revestindo-a de novos valores místicos e/ou míticos: os que permaneceram indiferentes não conseguem esconder sua satisfação necrófila diante do fato: ‘Ué, já começaram a morrer todos, é?’”

Na ‘Folha’, Claudio informa que “aos 77 anos, depois de trabalhar por duas décadas na Globo e mais outra na Record, em núcleos de roteiro, Maciel está desempregado há um ano”. Mas esse gaúcho abaianado, adotado por Glauber e Caetano, não esquenta; tem um patrimônio que ninguém pode lhe tirar: sólida cultura e experiência (aos 19 anos dirigiu ‘Esperando Godot’, de Beckett). Continua na batalha; no próximo livro associa Heidegger ao movimento hippie. E oferece, no Leblon, um curso de roteiro para teatro e tevê. Para quem estiver interessado nas aulas do mestre, passo o e-mail para inscrições: lcmaciel@gmail.com."

E mais uma vez voltando ao início: e os outros da terceira idade em situação semelhante ou bem pior? Como tratamos e trataremos os nossos idosos? E a questão previdenciária?

Em 06 de fevereiro de 2011 publiquei um artigo de Luiz Carlos Maciel no Blog de Luiz Felipe Muniz que pode ser conferido aqui. Chama-se "Nostalgia", extraído do livro "A Morte Organizada", de 1977. Vale conferir.

Me lembro de um texto dele cujo título era "Seduzido por Santana e Hendrix eu agora queria mais". Infelizmente não achei esse para reproduzi-lo, mas em homenagem a LCM escolhi duas canções desses mestres imortais, para mim tão eternos como o próprio mestre Luiz Carlos Maciel.




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Buscando refúgio e renovação: já teve tempo de sentir algo assim?


Que assuntos trazer aqui que não tratem das minha próprias experiências e impressões? Afinal não é este o objetivo do blog?
Mas isso tem dois lados de uma mesma moeda: determinados tipos de leitores se interessarão exatamente por essa faceta. A vida dos outros como espelho, uma curiosidade que refletirá de alguma forma em seu modo de ser. Comparativamente.
Outros leitores, no entanto, poderão simplesmente concluir: "e eu com isso?".
Sob esse fio de navalha me equilibro, no conteúdo e na forma, de passar essas impressões. Sem maiores pretensões.
E hoje trago aqui pelo menos um questionamento que tive esta semana. Andei me perguntando que relação ando tendo com a natureza, uma vez que - não há dúvida - fazemos parte dela.
Pode não parecer mas isso entra na área do nosso bem estar mental e físico. Que afinal são complementares.
O Manacá-da-Serra, ainda bem jovem,
na minha calçada
Ironicamente percebi que talvez minha maior relação com o mundo natural tem sido fotografias que coloco como "papel de parede" no computador e vou mudando a cada semana.
No do trabalho, por exemplo, atualmente tem uma bela imagem da região da Toscana, Itália. Já no notebook de casa, um lindo nascer do sol. Acho. Nunca sei direito se é amanhecer ou anoitecer.
Sintomático que escolha esses tipos de imagem, não acham?
E é ao mesmo tempo irônico, estarem essas imagens na "janela" display dos PCs, pois talvez sejam eles os representantes maiores do nosso distanciamento do mundo natural.
Mas, procurando não ser tão cruel comigo nesta vida urbana - com pouco verde de folhas e poucos tons multicoloridos de flores, mas muitas paredes e muito asfalto - procurei pelo sinais de que estou buscando essa reaproximação, talvez exigência de minha alma. E achei. O que não significa que não tenha um coração urbano.
É pouca coisa. Sinalizações e desejos. Mas é um começo. O reconhecimento de que todos nós precisamos disso para evitar ou minimizar doenças do corpo e do espírito.
Relato agora algumas delas, para que vocês, quem sabe, possam também procurar seus próprios sinais de reaproximação com a mãe-terra, com o ar puro, com água pura, com o silêncio desprovido de motores.
Recentemente minha rua de paralelepípedos, deixou de ser assim e agora uma camada de asfalto negro à cobre. Adorei. Mais ou menos. Havia algo que não estava bem. O mal estar civilizatório me mandava sinal.
De repente me vi em um desses estabelecimentos que vendem plantas e comprei uma pequena muda de uma árvore de porte médio da Mata Atlântica. É que senti uma necessidade imensa de ter algo vivo em minha calçada, fazendo um contraponto ao quente asfalto.
Já plantei. Está lá. Chama-se Manacá da Serra, com flores que nascem brancas, ficam rosas no dia seguinte e, dois dias depois, adquirem tons lilases.
O bosque Manuel Cartucho, quase meu vizinho
Ainda pequena, mas avisa que veio para ficar, indiferente à profusão de carros que passam à velocidades que parecem correr atrás do tempo e da vida que escoam feito água da chuva pelos bueiros juntos do meio fio de pedra e cimento.
Esse foi o primeiro sinal de minha necessidade e busca de reaproximação com a essência de todos nós.
O segundo foi a atração que me proporcionou a inauguração de um bosque perto de minha casa.
Até pouco tempo atrás isso me seria totalmente indiferente. Mas dessa vez não. Mas que bosque é esse?
Uma história interessante. Na área imensa cercada por muros altos, bem perto do centro da cidade, existe um pequeno hospital-abrigo de idosos. Pertence à Santa Casa de Misericórdia que está sob intervenção judicial à algum tempo. Ao que parece a junta interventora liderada pelo Ministério Público Estadual resolveu abrir para a comunidade aquele espaço repleto de árvores. Com isso presta um serviço também ao hospital de idosos, uma vez que cada frequentador pode fazer doações na hora que entra.
Lá dentro, árvores centenárias, bambuzais, lagos, gramado, pista para caminhadas e corridas, silêncio e muito verde.
Senti necessidade de ir até ali. Fiquei no meio da mata e eventualmente caminhei e ouvi músicas bem calmas no fone. Ok talvez não devesse ter levado o smartphone mas valeu pela música que complementou o visual pacífico.
A pousada aconchegante que eu citei
O terceiro item que me mostra a minha própria necessidade de não estar exclusivamente urbano, de dividir este tempo com algo menos urgente, é mais curioso.
Tenho um amigo que se aposentou, abriu uma pousada na serra e costuma, junto com sua esposa, postar fotos daquele espaço que parece outro mundo, outro planeta. Olho aquilo e fico meio sem ação. Não fui lá ainda por diversos motivos. Desconfio que um deles seja inconsciente e se recusa a brotar: talvez um medo de ir lá e não querer mais voltar. E ter que voltar. E me deprimir.

Uma das músicas que ouvi (e ouço) no bosque: paz e saúde para você!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Musa da Semana (de volta!): A história de superação de Jennifer

Quando criei este blog "Impressões", alguns amigos que me acompanham há muito tempo lá no Blog de Luiz Felipe Muniz comemoraram dizendo que teríamos muito mais da série "Musas da Semana". Quem sabe até "Musa do Dia".
Mas ultimamente eles tem reclamado, dizendo que eu abandonei o tema.
Não é que tenha abandonado, mas é que tenho feito apenas uma média de um post por semana (tanto aqui como no outro blog citado), devido à minha falta de tempo.
Aí não dá para colocar no único post semanal um assunto único, no caso as nossas queridas musas.
Mas isso é temporário. Em breve haveremos de voltar (eu e o Felipe) com posts diários, aí vai ficar mais fácil retornar com as moças bonitas que enriquecem os nossos espaços.
Mas, para não dizer que abandonamos totalmente tema tão importante, presenteamos nossos 17 leitores nesta sexta-feira ensolarada de inverno com uma edição especial que tem uma historinha interessante (sempre tem uma história, né?!).
A nossa belíssima musa selecionada tem uma história de superação muito legal.
Sabem aquelas brincadeiras perigosas com álcool que nós, quando crianças, sempre fazíamos escondidos dos pais? Pois é. Ela e o irmão resolveram tocar fogo em um formigueiro. Aí já sabem, a coisa saiu do controle e o resultado foi que ela teve 60% do corpo queimado. Tinha então apenas cinco anos.
Sofreu mas sobreviveu. Fez diversas cirurgias difíceis ao longo de anos e padeceu com perseguição de colegas de escola por causa das marcas.
Superou tudo isso. Uma lição do que é acreditar na vida.
Aos 22 anos restaram apenas algumas marcas em alguns pontos que ela tratou de cobrir com tatuagens. Só dá para perceber se olhar bem de perto. Eu queria olhar! : )
Bela história, não é mesmo? Mas a vitória daquela menina não acaba aqui. Ela quer mais. Quer ser eleita a mulher mais sexy do Brasil em um concurso promovido pela Revista Sexy!
Vamos ouvir seu próprio depoimento: “Sofri muito e por muitos anos. Além das dores e o tratamento de raspagem, que para uma criança já é traumático, sofria bullying na escola por conta das marcas. Preconceito sempre existiu, mesmo que disfarçado”, relembra ela. “Hoje quando me olho no espelho me sinto vitoriosa. E de certa forma esse acidente ajudou para que eu tivesse meus objetivos bem firmes".
Surpresos? Pois seguem algumas fotos da carioca Jennifer de Paula (ou Jeni-Fer Beck) para que vocês confiram o resultado final desta "reconstrução" física, mental e espiritual.
Nem conheço as outras candidatas, mas ela já tem o meu voto!











sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quem não conhecia Cristiano Araújo?


Há pouco tempo morreu em um acidente automobilístico o cantor Cristiano Araújo. Vocês sabem disso, né?!

Uma grande perda. Não por ser cantor famoso, mas por ser tão jovem e com toda uma vida pela frente. Sua namorada também morreu.

São milhares de jovens que perdem a vida em acidentes automobilísticos a cada ano, estatísticas oficiais comprovam isso. Literalmente e figurativamente, um desastre, que precisa ser enfrentado com rigor.

Na sequencia do triste evento vimos debates e brigas nas redes sociais sobre o destaque dado pela mídia ao fato. Muitos acharam um exagero, uma "forçação de barra" para conseguir mais audiência, como de hábito na imprensa tupiniquim. Muitos nunca tinha ouvido falar do cantor.

Já os fãs se indignaram com as críticas feitas à cobertura e criticaram veementemente quem criticou.

Me lembrei que fiz um post na semana passada aqui mesmo no blog sobre a morte do baixista Chris Squire, do grupo britânico Yes. Tal fato repercutiu na imprensa musical do mundo todo.

Aqui no Brasil vi uma rápida menção no programa "Fantástico" da Globo, que tenho o rigoroso hábito de não assistir, mas que nesse dia fui conferir para ver as "coberturas" (ele morreu domingo passado).

Aí pensei: quantos pessoas neste país já tinham ouvido falar do astro inglês? Ou ouvido pelo menos uma música do Yes? Quero dizer que meu post foi mesmo direcionado para um seleto público adepto de um estilo musical chamado Rock Progressivo. Não se preocupem caso não conheçam. Poucos conhecem.

O caso do Cristiano Araújo é mais complexo pois, ao que parece, o número de seguidores que tinha no Brasil era grande.

E aí entra a questão. Minha. E de alguns outros, pelo que percebi.

Vou confessar: absolutamente nunca tinha ouvido falar do cantor. Não conheço absolutamente nenhuma de suas músicas. E isso me assustou. Embora não seja adepto de música pop sertaneja (só de suas origens, a de 'raiz'), pela proporção da cobertura dada, era para eu me lembrar de alguma coisa. Ou será que minha memória anda pior do que imagino?

O fato é que me senti deslocado por não ter a mínima ideia de quem era o astro nacional, mesmo sendo tão ligado em música.

O que me confortou foi descobrir que não estou sozinho.

Enfim, são as contradições de nosso tempo. São tantas as informações que acabamos, numa auto-defesa mental, sendo seletivos naquilo que queremos saber e usar o nosso tempo.

Sobre a extensa cobertura, a discussão é interminável, considerando tanta coisa importante que acontece à cada dia neste mundo globalizado.

Ao que parece os noticiários também são extremamente seletivos, mais até do que nós. E nos impõe aquilo que eles acham que nós devemos nos importar. Não seria portanto uma escolha nossa.

Sinal amarelo.