quinta-feira, 16 de julho de 2015

Buscando refúgio e renovação: já teve tempo de sentir algo assim?


Que assuntos trazer aqui que não tratem das minha próprias experiências e impressões? Afinal não é este o objetivo do blog?
Mas isso tem dois lados de uma mesma moeda: determinados tipos de leitores se interessarão exatamente por essa faceta. A vida dos outros como espelho, uma curiosidade que refletirá de alguma forma em seu modo de ser. Comparativamente.
Outros leitores, no entanto, poderão simplesmente concluir: "e eu com isso?".
Sob esse fio de navalha me equilibro, no conteúdo e na forma, de passar essas impressões. Sem maiores pretensões.
E hoje trago aqui pelo menos um questionamento que tive esta semana. Andei me perguntando que relação ando tendo com a natureza, uma vez que - não há dúvida - fazemos parte dela.
Pode não parecer mas isso entra na área do nosso bem estar mental e físico. Que afinal são complementares.
O Manacá-da-Serra, ainda bem jovem,
na minha calçada
Ironicamente percebi que talvez minha maior relação com o mundo natural tem sido fotografias que coloco como "papel de parede" no computador e vou mudando a cada semana.
No do trabalho, por exemplo, atualmente tem uma bela imagem da região da Toscana, Itália. Já no notebook de casa, um lindo nascer do sol. Acho. Nunca sei direito se é amanhecer ou anoitecer.
Sintomático que escolha esses tipos de imagem, não acham?
E é ao mesmo tempo irônico, estarem essas imagens na "janela" display dos PCs, pois talvez sejam eles os representantes maiores do nosso distanciamento do mundo natural.
Mas, procurando não ser tão cruel comigo nesta vida urbana - com pouco verde de folhas e poucos tons multicoloridos de flores, mas muitas paredes e muito asfalto - procurei pelo sinais de que estou buscando essa reaproximação, talvez exigência de minha alma. E achei. O que não significa que não tenha um coração urbano.
É pouca coisa. Sinalizações e desejos. Mas é um começo. O reconhecimento de que todos nós precisamos disso para evitar ou minimizar doenças do corpo e do espírito.
Relato agora algumas delas, para que vocês, quem sabe, possam também procurar seus próprios sinais de reaproximação com a mãe-terra, com o ar puro, com água pura, com o silêncio desprovido de motores.
Recentemente minha rua de paralelepípedos, deixou de ser assim e agora uma camada de asfalto negro à cobre. Adorei. Mais ou menos. Havia algo que não estava bem. O mal estar civilizatório me mandava sinal.
De repente me vi em um desses estabelecimentos que vendem plantas e comprei uma pequena muda de uma árvore de porte médio da Mata Atlântica. É que senti uma necessidade imensa de ter algo vivo em minha calçada, fazendo um contraponto ao quente asfalto.
Já plantei. Está lá. Chama-se Manacá da Serra, com flores que nascem brancas, ficam rosas no dia seguinte e, dois dias depois, adquirem tons lilases.
O bosque Manuel Cartucho, quase meu vizinho
Ainda pequena, mas avisa que veio para ficar, indiferente à profusão de carros que passam à velocidades que parecem correr atrás do tempo e da vida que escoam feito água da chuva pelos bueiros juntos do meio fio de pedra e cimento.
Esse foi o primeiro sinal de minha necessidade e busca de reaproximação com a essência de todos nós.
O segundo foi a atração que me proporcionou a inauguração de um bosque perto de minha casa.
Até pouco tempo atrás isso me seria totalmente indiferente. Mas dessa vez não. Mas que bosque é esse?
Uma história interessante. Na área imensa cercada por muros altos, bem perto do centro da cidade, existe um pequeno hospital-abrigo de idosos. Pertence à Santa Casa de Misericórdia que está sob intervenção judicial à algum tempo. Ao que parece a junta interventora liderada pelo Ministério Público Estadual resolveu abrir para a comunidade aquele espaço repleto de árvores. Com isso presta um serviço também ao hospital de idosos, uma vez que cada frequentador pode fazer doações na hora que entra.
Lá dentro, árvores centenárias, bambuzais, lagos, gramado, pista para caminhadas e corridas, silêncio e muito verde.
Senti necessidade de ir até ali. Fiquei no meio da mata e eventualmente caminhei e ouvi músicas bem calmas no fone. Ok talvez não devesse ter levado o smartphone mas valeu pela música que complementou o visual pacífico.
A pousada aconchegante que eu citei
O terceiro item que me mostra a minha própria necessidade de não estar exclusivamente urbano, de dividir este tempo com algo menos urgente, é mais curioso.
Tenho um amigo que se aposentou, abriu uma pousada na serra e costuma, junto com sua esposa, postar fotos daquele espaço que parece outro mundo, outro planeta. Olho aquilo e fico meio sem ação. Não fui lá ainda por diversos motivos. Desconfio que um deles seja inconsciente e se recusa a brotar: talvez um medo de ir lá e não querer mais voltar. E ter que voltar. E me deprimir.

Uma das músicas que ouvi (e ouço) no bosque: paz e saúde para você!

7 comentários:

  1. Parabéns pelo post, Marcos. Ele retrata as questões existênciais de muitos de nós, que sentimos falta de um contato mais próximo com a nossa essência, com as coisas mais simples da vida. Belas imagens, linda música e ótimas reflexôes.Beijos

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  2. João Carlos Nobre16 de julho de 2015 17:34

    Lindas fotos e belo desenvolvimento de ideias meu amigo. Estamos todos precisando disso nesta selva de pedra.

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  3. Tô nessa também meu irmão!

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  4. Maravilha de postagem, Marcos! Também penso muito nesse modo de vida urbano que nos afasta da nossa essência. Um abraço, meu amigo.

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  5. Caros amigos e amigas, muito obrigado pelos comentários que nos dão força para continuar com o blog!
    Fraternos abraços!

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  6. Excelente reflexão e fechamento sensacional de som e imagem.Abraço!

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  7. Que bom que gostou. Obrigado e um grande abraço Lu!

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