sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quem não conhecia Cristiano Araújo?


Há pouco tempo morreu em um acidente automobilístico o cantor Cristiano Araújo. Vocês sabem disso, né?!

Uma grande perda. Não por ser cantor famoso, mas por ser tão jovem e com toda uma vida pela frente. Sua namorada também morreu.

São milhares de jovens que perdem a vida em acidentes automobilísticos a cada ano, estatísticas oficiais comprovam isso. Literalmente e figurativamente, um desastre, que precisa ser enfrentado com rigor.

Na sequencia do triste evento vimos debates e brigas nas redes sociais sobre o destaque dado pela mídia ao fato. Muitos acharam um exagero, uma "forçação de barra" para conseguir mais audiência, como de hábito na imprensa tupiniquim. Muitos nunca tinha ouvido falar do cantor.

Já os fãs se indignaram com as críticas feitas à cobertura e criticaram veementemente quem criticou.

Me lembrei que fiz um post na semana passada aqui mesmo no blog sobre a morte do baixista Chris Squire, do grupo britânico Yes. Tal fato repercutiu na imprensa musical do mundo todo.

Aqui no Brasil vi uma rápida menção no programa "Fantástico" da Globo, que tenho o rigoroso hábito de não assistir, mas que nesse dia fui conferir para ver as "coberturas" (ele morreu domingo passado).

Aí pensei: quantos pessoas neste país já tinham ouvido falar do astro inglês? Ou ouvido pelo menos uma música do Yes? Quero dizer que meu post foi mesmo direcionado para um seleto público adepto de um estilo musical chamado Rock Progressivo. Não se preocupem caso não conheçam. Poucos conhecem.

O caso do Cristiano Araújo é mais complexo pois, ao que parece, o número de seguidores que tinha no Brasil era grande.

E aí entra a questão. Minha. E de alguns outros, pelo que percebi.

Vou confessar: absolutamente nunca tinha ouvido falar do cantor. Não conheço absolutamente nenhuma de suas músicas. E isso me assustou. Embora não seja adepto de música pop sertaneja (só de suas origens, a de 'raiz'), pela proporção da cobertura dada, era para eu me lembrar de alguma coisa. Ou será que minha memória anda pior do que imagino?

O fato é que me senti deslocado por não ter a mínima ideia de quem era o astro nacional, mesmo sendo tão ligado em música.

O que me confortou foi descobrir que não estou sozinho.

Enfim, são as contradições de nosso tempo. São tantas as informações que acabamos, numa auto-defesa mental, sendo seletivos naquilo que queremos saber e usar o nosso tempo.

Sobre a extensa cobertura, a discussão é interminável, considerando tanta coisa importante que acontece à cada dia neste mundo globalizado.

Ao que parece os noticiários também são extremamente seletivos, mais até do que nós. E nos impõe aquilo que eles acham que nós devemos nos importar. Não seria portanto uma escolha nossa.

Sinal amarelo.

Um comentário:

  1. Também não conhecia nada dele. Ótimas colocaçõe Marcos, de forma light deu um forte recado. Parabéns!

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