segunda-feira, 9 de maio de 2016

Morre o mestre musical Isao Tomita


Fiquei sabendo hoje da morte do músico japonês Isao Tomita.
Ele partiu para suas outras esferas cósmicas na quinta-feira, dia 5, mas só ontem foi divulgado em sua página no Facebook.
Tomita estava com 84 anos.
Não era muito conhecido pelo grande público do Ocidente, fora dos círculos musicais mais especializados.

Foi ele um dos pioneiros na utilização mais ampla dos diversos sintetizadores portáteis (portáteis ao nível daquele época; antes um sintetizador ocupava uma sala inteira) desenvolvidos nos anos 1960, sobretudo o Moog Synthesizer.

Em fins daquela década Tomita já criava trilhas sonoras "eletrônicas", termo que só seria popularizado muito tempo depois.
Sua especialidade, além das criações de trilhas para filmes, era fazer adaptações "cibernéticas" de peças da música clássica, embora seu primeiro disco, de 1972, tenha se chamado "Switched on Rock: Electric Samurai".

Costumo chamar suas adaptações de "Impressionismo Cósmico". Definitivamente não é de fácil acesso. Há que se entrar no mundo imaginado por ele para se conseguir extrair dali as sensações que pretendia passar. Isso fica mais claro em obras como "Snowflakes are Dancing" (adaptações de Debussy).
Uma das indicações que fazia era ouvir sua música com diversas caixas de som, o ouvinte no centro, para ser envolvido pelo sonoridade. Isso nos anos 70. Foi o pioneiro portanto no conceito de 'home-theaters' de última geração. Na falta dessa possibilidade, é imprescindível ouvir com fones de ouvido (como na música que inseri abaixo).

Influenciou gente do porte de Jean Michael Jarre, Vangelis, Kitaro e Yanni, embora esses tenham seus próprios estilos.
Por suas dezenas de adaptações e obras próprias é difícil indicar seus melhores discos mas eu gosto particularmente de "The Planets" (de Holst), "Pictures at an Exhibition" (de Mussorgsky, também adaptado pela banda de Rock Progressivo Emerson, Lake & Palmer), "The Bermuda Triangle" e "The Ravel Album", também lançado como "Bolero".

O detalhe é que foi muito premiado na área da música erudita (incluindo diversas indicações ao Grammy), mas muitos de seus círculos de fãs são formados por pessoas que se interessam por música eletrônica e novidades sonoras de forma geral.

Reconhecido no Japão como um importante nome de sua arte e cultura, Tomita deixa um legado importante, por fazer de maneira única a conexão da música de séculos atrás com a música do futuro. Neste caso buscando manter a essência emocional que normalmente se perde neste tipo de "transformação".

Descanse em paz Tomita. Boa viagem. Obrigado!


Morreu Isao Tomita, um dos pioneiros da música eletrônica
"Em 2015 foi-lhe atribuído o Prêmio Fundação Japão, criado para distinguir personalidades ou instituições que tenham contribuído para promover a amizade e compreensão entre o Japão e o resto do mundo. Isao Tomita agradeceu a honra. Mais tarde, comentou: “Nunca acreditei que a minha arte devia contribuir para promover o país. Mas a música, mesmo que seja uma coisa nova que recorra a sintetizadores, será sempre algo que pode ser apreciado por todos, independentemente da idade ou da proveniência. É esse o conceito por trás de todos os meus projetos”.

Assim era Isao Tomita que morreu na quinta-feira passada aos 84 anos mas só foi noticiado este domingo na sua página de Facebook. Foi um dos pioneiros da música eletrônica, um fascínio nascido quando do contato com o trabalho de Wendy Carlos, autora da trilha-sonora de Laranja Mecânica, e de Robert Moog, o inventor do famoso sintetizador.
Em 1971, quando já contava mais de uma década de trabalho enquanto compositor para a televisão, cinema e teatro japoneses, encomendou e começou a trabalhar com um dos primeiros Moogs chegados a território japonês. No ano seguinte, editou no seu país, "Electric Samurai - Switched on Rock", álbum em que gravou versões eletrônicas de canções pop e rock. Em 1974, chegou aquela que se tornaria a sua obra mais célebre, "Snowflakes are Dancing", em que os mesmos princípios de "Switched on Rock" eram aplicados à música de Claude Debussy. O álbum tornou-se um sucesso global, sendo nomeado para quatro categorias dos Grammy e subindo ao primeiro lugar da tabela da Billboard dedicada à música clássica – muitos anos depois, em 2014, Ben e Joshua Safdie resgataram-no para a trilha sonora do seu filme "Heavens Knows What".

Paralelamente ao trabalho que continuou a desenvolver para cinema e televisão, foi aumentando a sua discografia com álbuns no mesmo espírito de "Snowflakes are Dancing", editando "Firebird" e "Pictures From An Exhibition", inspirados nas obras respectivas de Stravinsky e Mussorgsky. A sua música tornar-se-ia referência marcante para, por exemplo, Ryuichi Sakamoto e os seus Yellow Magic Orchestra.
Nos anos 1980 desenvolveu e apresentou mundo fora os concertos ao ar livre Sound Cloud, em que colunas de som rodeavam o público para proporcionar uma experiência imersiva. Atualmente trabalhava em "Dr. Coppelius", balé a ser protagonizado por hologramas. Em Janeiro, dizia ao "The Japan Times" que a sua prioridade era manter-se saudável. “Mas gostaria de adiantar 'Dr. Coppelius' o máximo que me fosse possível, de forma a que, mesmo que algo me aconteça, outros possam terminá-lo”. O coração traiu-o antes do tempo. O legado continuará. E a obra derradeira certamente não ficará inacabada."
Fonte:  Público (Portugal)

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