sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Avanços e retrocessos no âmbito do "politicamente (in)correto"

Cerveja é nutritiva!

Nessas últimas décadas vivemos tempos contraditórios.
Por um lado a conquista do reconhecimento do que era tabu, como a união homossexual, só para citar um bom exemplo.
Por outro lado respostas fundamentalistas a esses avanços, como se pretendessem retornar à Idade Média.
Da mesma forma uma correta vigilância a certos aspectos inaceitáveis (o absurdo do racismo, seria uma boa lembrança, com o correto reconhecimento disso ser crime) provocou um exagerado patrulhamento que não tolera o que seja considerado minimamente "politicamente incorreto".  E esse conceito é tão amplo que parece que qualquer tentativa de humor (também um exemplo) é incorreta.
Hehehe...
Fico pensando - outro exemplo - sobre algumas propagandas, músicas e hábitos de antigamente. Como seriam vistos hoje?
Olhe para um lado e verás uma valorização de tradições por vezes sem sincronia com o momento, olhe para outro e poderás ver libertinagens em horário nobre de TV aberta. De fazer corar o mais empedernido "politicamente incorreto".
Selecionei dois itens para ilustrar o que tento mostrar.
Primeiro uma animação bem-humorada (politicamente incorreta, provavelmente) que mostra o tema censura à clássicas obras de arte.
No segundo, uma entrevista de 20 anos atrás que o pessoal da então revista Casseta e Planeta fez com o pessoal do grupo musical Paralamas do Sucesso. Na verdade o complemento "sacana" da entrevista, nem um pouco "politicamente correta". Trata-se daquelas sacaneadas utilizando trocadilhos e jogadas de duplo sentido da língua portuguesa, tão comuns em nossas adolescências (masculinas) mas que hoje em dia seriam devidamente patrulhadas.
Em tempo: evitem ler a entrevista (e ver o desenho animado) se estão no time mais comedido e totalmente "politicamente correto". : )




Parte de entrevista dos Paralamas do Sucesso, em 1995
(...) "C&P – Puxa, que decepção … pensei que fosse um hino dos carecas: (com voz filosófica) “Todos nós estamos inexoravelmente indo ao Planeta Ovo”…Já tinha me identificado com a força da mensagem! (puxando Herbert prum canto) Porque nós, carecas, precisamos nos unir, sabe…
Herbert - Pô, mas fizemos essa entrevista toda sem pronunciar a palavra buceta..

C&P- Você que é um especialista no assunto pode emitir a sua opinião.
Herbert - Sabe qual a definição da mulher? É aquela parte da buceta que você não usa.

C&P- A gente nem botou esse assunto na pauta porque vocês não fazem muito o gênero de roqueiros punheteiros.
Herbert - (levanta as mãos) ninguém aqui comeu a Monique Evans!

C&P- E como é a amante argentina?
Herbert - Na Argentina, se quer pedir uma menina pra fazer uma chupeta, é “saca-me Ia goma”. Tirar a borracha, né. Tem também “entregar el marron’.
Barone - Por falar em cu, a gente não falou em carros nem em culinária, assuntos que gostamos muito de comentar.

C&P- Pois é, eu soube que você vendeu a Toyota?
Barone – Não, mas quando eu passei você tava atrás de um Cadete pretão.
Herbert - Nada disso, ele tava era sentado numa 020. Aliás, 020 centímetros.

C&P- Que isso gente, eu tenho é um Tipo zero.
Bi - Pô, troca de carro. Se você quiser, eu tenho um Parati vermelho.
Herbert - Mas quando você ganhou no consórcio, levou Uno zerinho, né?

C&P- (apelando) Você viu aquele programa “Gente que faz”? Quer ver o que faz gente? E de manhã, você vê o “Colosso”? Quer ver agora? Sem falar no Fantástico”Já viu o “Pequenas Empresas” ? Quer ver o “Grande Negócio” ? Gosta de cinema? Prefere curta ou longa? (os entrevistados gritam “Chega! Chega!”)
Herbert - (quando a situação acalma) A menina morava na favela mas arrumou um emprego de arrumadeira numa casa superbacana. Um dia tava limpando lá o corredor e espiou pra dentro do quarto da patroa: tava a patroa lá fazendo um 69 com o amante dela. Ela correu e cutucou a cozinheira: “Que merda é essa que eles tão fazendo lá dentro”? “Você nunca fez isso? Pois isso é o 69! Pô, tem que experimentar isso, é sensacional! “Ela voltou pra casa com aquilo na cabeça. Aí chegou o negão, vindo da obra, com a marmita debaixo do braço. “Tião, tenho uma novidade, a gente tem que experimentar! Vem cá.” Tiraram a roupa e partiram logo pro 69 o meio da coisa o Tíão ouve aquela voz: “Tíão, você sabia que Mao Tsé-Tung morreu”? Ele para: “Que porra é essa?” A mulher responde: “Eu tô lendo num pedaço de jornal que tá agarrado aqui na tua bunda”. (gargalhadas)

C&P- 69 é que nem morar na Vieira Souto, fundos: a localização é boa mas a vista é péssima. (mais risos). Bom gente, chega né, vamo nessa que vocês estão com a vida ganha…
Barone - Vocês não tão a fim de jantar aí não? Tem lombo recheado com salsichão e fios de ovos.
Bi -Tá vindo o maior broto afim de você. Quer que eu bote na sua?
Barone - Jacaré no seco anda? Cavalo, na bunda, sua?
Herbert - O calor que tá lá fora, sente-se aqui.

C&P- (pedindo trégua) A gente é para-raios desse tipo de coisa. Outro dia veio um cara: “Aí, meu irmão, conhece o Mirosbra?” Não resisti: “Que Mirosbra?” “Aquele que te carcou atrás do Box blindex da Cesosbra”(risos)
Herbert - O Barone te entregou um cartão pra você me dar? (e mais risos)

C&P- A pergunta que mais fazem pra gente é ‘Já comeu alguém”? Saindo de Belo Horizonte, sete horas da manhã, o avião sacudindo, eu ali com pavor sentado do meu lado um Mauricio, de terninho, mala executiva ele vira (com voz grossa): “Eaí Casseta, já comeu alguém”? “Não, mas já enfiei o dedo no cu de um curioso. “(risos)
Herbert - Na Argentina é que tem as melhores bundas do mundo! A bunda brasileira não se compara! Elas são tão obcecadas com a bunda que a Argentina tem um alto índice de lordose, de tanto elas carcarem a calça até o talo. E se você não jogar uma piadinha elas ficam ofendidas!

C&P – Já foram a Cuba? Diz que lá é onde as mulheres são mais cuzeiras. E dá pra comer o cu de uma família inteira com um sabonete!  Por isso tem aquela ciência: vinho, branco e tinto, agora cu, só rosê. E dito isso, só nos resta levantar e ir embora. (todo mundo levanta outra vez)
Barone – Não, vem cá, senta aqui mais um pouquinho .. Vocês chegaram há pouco de fora … (e começa tudo de novo)."

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