sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O Copacabana Palace, os Guinle e eu


Nunca me hospedei no belo Copacabana Palace. Mas bem que gostaria. Quem sabe ainda chego lá. Mas não ao final, como o Jorginho. Logo entenderão o que acabo de dizer.
Acho que a diária mais barata deve estar na faixa dos três mil (no Anexo). Já a mais cara por volta dos 25 (mil Reais): suíte presidencial de cara pro gol, ou seja, Avenida Atlântica. Fora das minhas parcas possibilidades no momento.
O tombamento pelo Iphan nos anos 70 mais uma injeção de 50 milhões de dólares de um americano garantiram a sobrevivência desse monumento artístico e histórico no coração da Zona Sul.
Outro interesse meu é relativo à história do único legítimo Playboy brasileiro: Jorginho Guinle. Torrou em vida bem vivida a herança, conquistando Hollywood e belezuras como Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Kim Novak, Ginger Rogers, Gina Lollobrigida, etc etc. Além de ter se tornado amigo de atores e dos maiores jazzistas dos anos 50 (conta-se que foi ele que aconselhou Miles Davis a inserir John Coltrane em sua banda!!!).
Mas o que une essas duas citações? É que o Copacabana Palace foi erguido pelo pai do Jorginho, na década de 1920. Era um dos componentes do clã Guinle.
Descobri isso lendo o livro "Os Guinle - A história de uma Dinastia" (250 páginas, Editora Intrínseca) do historiador Clóvis Bulcão.
Delicioso, o livro mostra a importância da família para a economia e para o desenvolvimento das artes no Brasil da primeira metade do século XX. 
Alguns exemplos de atuação: estruturação do futebol com a construção do estádio do Fluminense nas Laranjeiras e apoio na criação das sedes do Flamengo e Botafogo; construção do Hipódromo da Gávea; construção do Palácio Laranjeiras (atual sede do governo estadual); criação do Hospital Gaffreé-Guinle; criação e administração do Porto de Santos; construção da Rio-Petrópolis; fundação do Banco Boavista; apoio benemerente a Pixinguinha, Villa-Lobos e Orquestra Sinfônica Brasileira; criação do Banco da Providência, etc etc.
Vai além o livro, quando mostra detalhes inusitados e surpreendentes.
A fortuna da família começa quando dois amigos de infância do Rio Grande do Sul, Eduardo Palassim Guinle e Cândido Gaffreé, ambos de ascendência francesa, montam sociedade no Rio, século XIX, em um modesto armarinho. Essa sociedade nunca se desfez mas a dinastia que entrou na história foi a dos Guinle uma vez que Cândido nunca se casou nem teve filhos. Quer dizer, mais ou menos. Eduardo se casou com Guilhermina e tiveram sete filhos. Historiadores dão conta que a sociedade entre ambos ia mais além. Guilhermina também era amiga de infância dos dois e, ao que parece, pelo menos três dos sete Guinle eram filhos na verdade de Gaffreé, que dava como seu endereço o mesmo do palacete de Eduardo... Turma bem moderna pra época, não acham?
O livro tem muitas outras "fofocas" históricas que eu adoro, confesso. Mas a pesquisa do autor é ampla, mostrando os diferentes caminhos trilhados por cada um dos sete membros originais do clã (cinco homens, duas mulheres), bem como de seus herdeiros. A ascensão bilionária ao longo de 50 anos e a queda após o golpe militar, uma derrocada tão grande (com algumas exceções) cuja principal referência é o milionário playboy Jorginho Guinle pedindo dinheiro emprestado no fim da vida. Não para comprar diamantes, champagne e caviar, mas sim para pagar o mercado e a farmácia. Consertar as roupas puídas enquanto se tratava em hospitais públicos.
Por sorte, ao final, lhe ofereceram uma suíte no Copacabana Palace para passar seus últimos dias, pois ele dizia que "não queria morrer e ir para o céu, e sim morrer no céu".
Assim é a vida. Pelo menos dos Guinle.
Eu, enquanto isso, apenas passo em frente ao hotel e fico imaginando quantas histórias aquelas paredes guardam dentro de si.


3 comentários:

  1. Amei, Marcos! O bom texto tem que provocar o leitor e eu já anotei aqui para a próxima leitura.

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  2. Que bom que gostou Márcia e que te influenciou para a próxima leitura. Tenho certeza que vai gostar.
    Obrigado! Bjs.

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