sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Meus 15 minutos de fama

Houve um tempo, mais ou menos distante, em que fui famoso. Mas não fiz fortuna. Acreditem.
Nem era fama instantânea, como agora, em tempos de Internet.
E nada parecido com Brad Pitt, Paulo Coelho ou Kim Jong-un. Ok, isso é uma piada.
Até porque meus possíveis fãs se restringiam aos adeptos de um estilo musical que provavelmente 110% dos meus 17 leitores desconhecem solenemente: Rock Progressivo. Não se sintam menos importantes por isso. Se não conhecem é porque estão dentro da normalidade.
O fato é que - mesmo não sendo da área - editei uma publicação ao longo de cinco anos, cujo ênfase era a análise e divulgação desses sons criados por músicos geniais.
Resumidamente, Rock Progressivo é rock com elementos de Música Clássica, Jazz, Folk, etc. O auge do movimento foram os anos 70 mas ainda hoje (e sempre) existe uma farta produção independente em todos os cantos do mundo. Para isso exige-se do músico "pouca coisa": capacidade técnica, criatividade, emoção, dedicação... Nada a ver com o Funk, Sertanejo ou Pagode, portanto.
Minha publicação - uma das poucas editadas em português até hoje e uma das raras em todo o mundo - chamava-se Metamúsica, formato tabloide e que chegou a ter 98 páginas, quase tudo escrito por mim, que até hoje não sei como consegui.
Com uma média de 1500 exemplares, distribuído em diversos pontos do Brasil e enviado para os cinco continentes (mesmo sendo em português), tornou-se referência no estilo: as centenas de cartas  e discos que recebia para resenha acabavam por abarrotar minha caixa postal (era caixa postal mesmo, nos correios, não a caixa de entrada de e-mails nem as de mensagens do Whatsapp).
Durante esse período colecionei histórias muito interessantes, algumas bem estranhas, como a mensagem que recebi da Espanha, avisando para eu "ter cuidado com o que escrevia", em referência a uma matéria sobre a música do País Basco (na época a organização E.T.A. estava a pleno vapor;  essa é uma longa narrativa que qualquer dia conto aqui).
Mas voltemos ao tema principal, a possível fama efêmera de que fui vítima. É que ontem resolvi montar minha Árvore de Natal e ela estava guardada em uma meia-água que tenho nos fundos do quintal. Ali é o quarto de despejo, cheio de coisas que ainda pretendo organizar e usufruir mas que não faço isso nunca. Ou seja, uma bagunça. Inadvertidamente abri uma estante onde guardo milhares de itens referentes à publicação. Remexi rapidamente e por sorte achei dois jornais com matéria sobre o Metamúsica. No Globo foi só citação dentro de artigo sobre fanzines semi-profissionais. Já o texto maior é, curiosamente, em jornal de minha cidade onde definitivamente o Metamúsica nunca circulou (a não ser entre colecionadores que frequentavam a Caiana Discos, histórico point dos discófilos da região).
A matéria de página inteira foi publicada em outubro de 2000. Reencontrar essa raridade, já meio amassada e amarelada e da qual nem me lembrava, provocou uma certa nostalgia e essa brincadeira da (pseudo) fama efêmera: a bem da verdade muitos artistas tem isso em suas histórias de vida. Fizeram grande sucesso e depois sumiram na poeira do tempo.
Atualmente, com a Internet, tal característica do nossa época tornou ainda mais precisa aquela antiga previsão: "no futuro (que já deve ter chegado) todos terão direito (ou o azar) de ter seus 15 minutos de fama". Ainda bem que eu já tive os meus. Ou não.


13 comentários:

  1. Boa tarde. Eu já acompanho este blog há tempos mas tive uma imensa surpresa agora quando li essa crônica. Não sabia que era você que publicava o Metamúsica. Incrível. Sou de São Paulo e só consegui um exemplar até hoje. Parabéns por seu magnífico trabalho! Gostaria de ter mais informações sobre o Metamúsica. Em que período existiu, quantas edições tiveram e como faço para conseguir as outras edições, só tenho a de número 10.
    Muito obrigado!

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  2. Olá Jorge!
    Obrigado pelo seu comentário!
    O Metamúsica foi editado entre 1995 e 2000.
    Foram publicadas 10 edições. Essa que você tem é a última.
    É difícil conseguir atualmente, pois estão esgotadas.
    Tente no Mercado Livre. Lá sempre aparecem algumas edições sendo vendidas, normalmente a R$ 30,00 cada exemplar.
    Abraço!

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  3. Marquinho, lembro muito bem de tudo...quando começou...o quanto "ralou" para colocar em circulação durante bons anos o Metamúsica.
    Agora aposentado...sem fazer nada (rs), que tal se dedicar a este ou a outro projeto?
    Seus fãs agradecem!
    Um abraço!!!

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    1. Oi amigo!
      Realmente você acompanhou tudo. Foi difícil mas foi uma grande conquista.
      Sobre projetos, sim tem muitos, agora é montar uma rotina para viabiliza-los. Você sabe, parece que aposentado tem menos tempo de que quando estava no batente diário. Rsrs...
      Abraço!

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  4. Fantástico! Sou fã de carteirinha!
    Quando volta o jornal?????

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    1. Oi Júnior.
      Obrigado!
      Um dia, quem sabe, ele volta!
      Valeu!
      Um abraço!

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  5. Olá Marcos, tudo bem contigo? Aqueles foram mesmo tempos muito bons e muito heróicos!!!   É impressionante como as coisas mudaram em tão poucos anos. Antes de 1997 eu jamais tinha ouvido falar em internet e só fui realmente ter acesso livre a ela em meados/fins de 2000. Até então, como era complicado obter informações... principalmente as relacionadas a artistas pouco famosos de estilos pouco divulgados como eram o Progressivo e as Músicas Eletrônica e New Age. O Metamúsica foi o maior oásis da imprensa musical escrita que existiu em nosso Brasil!!! Meus parabéns a ti por tão ousada e bem sucedida empreitada!!! E muito obrigado por ter me convidado a participar dela!!     Foi uma honra absoluta para mim e a satisfação de ver meus artigos publicados foi/é tão grande que nem tenho palavras para descrever. Poucas coisas me deram (e dão) tanto orgulho de ter participado. Um abração e tudo de bom pra ti e tua família!

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    1. Grande Claudio Fonzi! Tudo bem amigo! Um prazer ler este seu comentário! A sua participação no Metamúsica foi um upgrade fundamental para a publicação, com seus artigos tão completos e esclarecedores, em um estilo bem de acordo com o que eu havia implantado no jornal.
      Realmente as coisas mudaram rápido com a Internet a partir da década passada. Na época do Metamúsica conseguir informações e fazer análises abalizadas era complexo.
      Agradeço muito sua participação que contribuiu para que o Metamúsica se transformasse em referência até hoje.
      Um grande abraço! Nos vemos por aí qualquer dia desses!

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  6. Marcos, vc nunca pensou em digitalizar as edições do Metamúsica? Vc tem algum original disso?

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  7. Oi xará.
    Os arquivos originais se perderam, infelizmente.
    A saída é digitalizar as edições impressas usando tecnologia atual.
    Mesmo assim vai ser um trabalho grande devido a quantidade de material.
    Está entre os projetos que tenho.
    Valeu!
    Abraço!

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  8. Fama muito merecida! Graças ao Marcos, conheci literalmente o mundo da música progressiva, da Alemanha ao Zimbábue, em uma espécie de enciclopédia progressiva, seja de forma direta ou indireta. Naquela época a internet não era algo tão acessível. Era preciso descobrir os discos com muita pesquisa e investir muito dentro das lojas. Havia situações em que se comprava um CD lacrado e caso o abrisse era obrigado a levar. Muitos dos discos progressivos italianos que conheci foi nessa base: abriu levou!

    Então chegou o Metamúsica para nos salvar e redimir-nos a todos, com resenhas bem construídas que nos informavam e faziam-nos sonhar com aquelas maravilhas só idealizadas em nossa imaginação. E a publicação ia muito além disso. Havia matérias que contextualizavam o rock progressivo e suas vertentes com foco em determinada região.O Rock Progressivo Japonês, Introdução ao Rock Progressivo italiano, Escandinávia - Lendas e Progrock, Espanha, a Escola Progressiva de Canterbury, o Movimento Progressivo Alemão, o Movimento Progressivo Britânico foram algumas das matérias que nos transportaram, fazendo-nos viajar ao redor do mundo e conhecer um pouco da música étnica que havia dentro do cenário progressivo no mundo.

    E com um proveito quase que 100% de suas páginas, o Metamúsica promovia a divulgação de lojas especializadas e assim, abria-nos os caminhos para novas fontes de aquisição.

    Hoje, tenho todos os jornais dessa publicação que até hoje nos deixa saudades. Um dia pretendo digitalizá-los em PDFs pesquisáveis.

    Eu só não sabia que as capas eram coloridas! Marcos Oliveira, teria como disponibilizar as imagens destas maravilhas. Fiquei muito curioso de conhecê-las com todas as cores! :D
    Um forte abraço do amigo e fã!

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    1. Alexandre Spinelli, muito obrigado pelo seu depoimento que esclarece o contexto do Metamúsica, coisa que eu não fiz no post do Blog (evitei um texto mais longo). Hoje fico muito feliz em saber o quanto foi útil para muitos, que guardam as edições até hoje.
      Sobre as capas, alguns originais eram coloridas (a maioria pinturas do fantástico Claudio Dantas do Quaterna Réquiem), mas só a última (número 10) foi publicada colorida.
      Eu só tenho (ou melhor, só achei até agora) essa original colorida. Vou pesquisar as outras. Grande abraço amigo!

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  9. Fama muito merecida! Graças ao Marcos, conheci literalmente o mundo da música progressiva, da Alemanha ao Zimbábue, em uma espécie de enciclopédia progressiva, seja de forma direta ou indireta. Naquela época a internet não era algo tão acessível. Era preciso descobrir os discos com muita pesquisa e investir muito dentro das lojas. Havia situações em que se comprava um CD lacrado e caso o abrisse era obrigado a levar. Muitos dos discos progressivos italianos que conheci foi nessa base: abriu levou!

    Então chegou o Metamúsica para nos salvar e redimir-nos a todos, com resenhas bem construídas que nos informavam e faziam-nos sonhar com aquelas maravilhas só idealizadas em nossa imaginação. E a publicação ia muito além disso. Havia matérias que contextualizavam o rock progressivo e suas vertentes com foco em determinada região.O Rock Progressivo Japonês, Introdução ao Rock Progressivo italiano, Escandinávia - Lendas e Progrock, Espanha, a Escola Progressiva de Canterbury, o Movimento Progressivo Alemão, o Movimento Progressivo Britânico foram algumas das matérias que nos transportaram, fazendo-nos viajar ao redor do mundo e conhecer um pouco da música étnica que havia dentro do cenário progressivo no mundo.

    E com um proveito quase que 100% de suas páginas, o Metamúsica promovia a divulgação de lojas especializadas e assim, abria-nos os caminhos para novas fontes de aquisição.

    Hoje, tenho todos os jornais dessa publicação que até hoje nos deixa saudades. Um dia pretendo digitalizá-los em PDFs pesquisáveis.

    Fama muito merecida! Graças ao Marcos, conheci literalmente o mundo da música progressiva, da Alemanha ao Zimbábue, em uma espécie de enciclopédia progressiva, seja de forma direta ou indireta. Naquela época a internet não era algo tão acessível. Era preciso descobrir os discos com muita pesquisa e investir muito dentro das lojas. Havia situações em que se comprava um CD lacrado e caso o abrisse era obrigado a levar. Muitos dos discos progressivos italianos que conheci foi nessa base: abriu levou!

    Então chegou o Metamúsica para nos salvar e redimir-nos a todos, com resenhas bem construídas que nos informavam e faziam-nos sonhar com aquelas maravilhas só idealizadas em nossa imaginação. E a publicação ia muito além disso. Havia matérias que contextualizavam o rock progressivo e suas vertentes com foco em determinada região.O Rock Progressivo Japonês, Introdução ao Rock Progressivo italiano, Escandinávia - Lendas e Progrock, Espanha, a Escola Progressiva de Canterbury, o Movimento Progressivo Alemão, o Movimento Progressivo Britânico foram algumas das matérias que nos transportaram, fazendo-nos viajar ao redor do mundo e conhecer um pouco da música étnica que havia dentro do cenário progressivo no mundo.

    E com um proveito quase que 100% de suas páginas, o Metamúsica promovia a divulgação de lojas especializadas e assim, abria-nos os caminhos para novas fontes de aquisição.

    Hoje, tenho todos os jornais dessa publicação que até hoje nos deixa saudades. Um dia pretendo digitalizá-los em PDFs pesquisáveis.

    Eu só não sabia que as capas eram coloridas! Marcos Oliveira, teria como disponibilizar as imagens destas maravilhas. Fiquei muito curioso de conhecê-las com todas as cores! :D

    Um forte abraço do amigo e fã!

    Alexandre Spinelli

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