sábado, 19 de agosto de 2017

Impressões sobre a música e seus poderes

Nunca entendi porque algumas pessoas gostam tanto de música e outros não dão a mínima. Ok, é apenas mais um item da singularidade entre os seres humanos.
Acredito que na natureza (fora a humana) existe um consenso maior. 
No mundo animal (irracional ou nem tanto), por exemplo, a música - ou sons organizados em uma forma - é unanimidade por um motivo simples: sexo! Qualquer tipo de acasalamento que já ouvi falar leva em consideração a arte da conquista, ainda que instintivamente. Neste caso, além de sinais visuais são emitidos cantos, muitas vezes complementados por danças ou movimentos bem específicos. Sem dúvida um ótimo motivo para os animais criarem sua própria forma musical, de acordo com a espécie.
E com o mundo vegetal? Experiências tem sido feitas com viníferas submetidas à música de alto nível para se conseguir colheitas de caráter superior, gerando vinhos soberbos. Coincidência que o vinho seja considerado a mais sensual das bebidas.
Nesse aspecto, também no universo humano a música tem forte respaldo, seja através de letras apaixonadas (ainda que de "sofrência" ou de "corno") ou de ritmos e melodias que conduzem ao apelo das artes amorosas. É de se concluir que, ao longo dos séculos - até pela sobrevivência da espécie - o encontro sexual tenha se mantido como fato propulsor da humanidade. Seguindo essa linha de raciocínio a música pegou carona em tal fato e tem sobrevivido e se expandido como necessidade e prazer.
Paradoxalmente, que gênero musical (em suas diversas formatações) tem atravessado os tempos? A música religiosa! Incluindo cânticos e ritmos tribais, para não ficarmos somente nas matrizes europeias e asiáticas. Bem, alguns músicos místicos ao longo da história tem afirmado que a distância entre esses dois extremos (sexualidade e espiritualidade) não é tão grande assim. Muito menos excludentes.
Dogmas cristãos à parte (sobretudo da Idade Media), vemos isso em algumas vertentes hinduístas, como o Tantra, só para citar um exemplo.
O fato é que, se sobrevive e se amplia no universo humano, a música gera então uma infinidade de oportunidades, afinidades, interconexões, etc.
A beleza e o prazer de ouvir e criar música se estabelece como ponto de partida para iniciativas que transcendem seu universo inicial já citado aqui.
São inúmeros os exemplos a atravessar a história, mas podemos vivenciar isso em nosso ambiente, agora.
Na ultima sexta-feira fui assistir a uma apresentação da sempre adorável Leila Pinheiro, acompanhada de uma Orquestra Sinfônica. 
Se a Leila dispensa maiores comentários sobre as emoções que seu canto desperta, algumas palavras sobre essa orquestra se fazem necessárias.
Ela é formada por jovens que em sua maioria foram resgatados de uma história de vida que provavelmente não teria final feliz. A ONG "Orquestrando a Vida" (lindo título) faz um trabalho com jovens carentes que nunca tiveram contato com a música e os transforma em músicos profissionais. Mas vai além disso: os constrói como cidadãos plenos e com sua humanidade aflorada, através da Cultura Musical. Existe algo mais nobre e belo do que isso? Fruto do trabalho de pessoas que amam e vivem dentro da música.
São esses alguns dos poderes mágicos dessa forma de linguagem tão difícil de definir da mesma forma que o tempo.
Falando nele, é sempre tempo de ouvir boa música, ter prazer com ela e através dela realizar ações para fazer deste um mundo melhor para todos.
Sem esquecer o sexo, é claro! O que me faz lembrar de uma frase símbolo da Contracultura do final dos anos 1960 e início da década de 70: "Faça amor, não faça a guerra". Lembrando que a Contracultura nasceu da música e sempre foi movida por ela. Um bom lembrete para os dias nebulosos de hoje.




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