quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sobre hoje de manhã

Ouvir rádio no carro já não é mais um hábito que cultivo. Eu e quantos mais?
Com o pendrive "espetado" direto na entrada USB, a busca por uma boa emissora musical ficou no passado.
E, além do pendrive, tem a entrada para cartão de memória e o bluetooth, que se conecta com as músicas do Smartphone.
Sem esquecer conexões auxiliares e os CDs, que ainda uso.
Quem precisa de rádio para ouvir música? Até porque está cada vez mai difícil achar boas programações nas emissoras FM das cidades.
No entanto, uma surpresa me estava reservada nessa manhã. E tem a ver com memória afetiva.
Acordei cedo, por volta 06:30 h. Eu consideraria isso tarde há alguns meses, quando era despertado cruelmente às 04:40 h, de segunda à sexta, para o trabalho. Escapei dessa rotina.
Tinha horário marcado com a Fisioterapeuta, às 8:00 h, para uma avaliação de um problema no ombro direito que a medicina carinhosamente batizou de "capsulite adesiva" ou algo parecido. Os movimentos ficam restritos e levantar o braço acima de 90 graus pode ser uma dificuldade. Me falaram que é doença de rico, ao qual respondi que ela tinha então errado a mira. Afinal a conta corrente não anda lá essas coisas...
Como pediram para eu chegar uns 20 minutos antes e, como me demorei no banho, percebi ao sair de casa que estava um pouco atrasado.
Pensei em um caminho alternativo, que cortava pela praia, o rio e chegava em um ponto que seria mais fácil estacionar, no centro, onde se localiza a clínica.
Sim porque estacionar em locais de movimento é um problema que deixou de ser privilégio das grandes cidades. Bem como estacionamentos que cobram caríssimo a hora. Isso quando tem. Vocês sabem...
Ao ligar o carro não entraram as músicas do pendrive mas uma estação FM local com uma música sofrível. Com a pressa, ao invés de apertar o botão "Mídia", toquei naquelas setinhas de procurar estação. Peguei o referido caminho só pensando no horário marcado.
O aparelho ficou em looping e nada de parar em uma estação. E eu sem música no carro.
Exatamente quando chego em frente ao mar o rádio pára em uma emissora. O som claro de um clarinete acompanhado de conjunto de câmera preenche todos os espaços. Não sou de ouvir música clássica (embora tenha alguns bons exemplares em CD e vinil na minha coleção), no entanto, a surpresa de ouvir aquilo naquela hora da manhã em uma emissora de radio me causou surpresa.
Olhei no painel digital e o número indicava 99.3. O que seria aquilo? Alguma transmissão experimental? 
Me lembrei imediatamente da MEC FM, uma emissora do governo federal que eu ouvia lá pelos fins dos anos 70. Mas ela não existia há muitos anos. Ou não? Além disso estava um som muito nítido para uma emissora que distanciava tantos quilômetros de onde estava.
O fato é que, curioso para saber que estação era, deixei o som rolando enquanto olhava o oceano à minha esquerda, pela janela lateral do meu automóvel (não "da janela lateral do meu quarto de dormir", como cantava o Lô Borges e o Milton em sua clássica "Paisagem da Janela" do Clube da Esquina).
A música soou perfeita para o momento, para o percurso quase deserto que eu havia optado e até esqueci que estava atrasado: parei para tirar umas fotos (de dentro do carro mesmo) com o celular. Do mar e do pequeno rio que atravessava, em direção ao centro da cidade.
Interessante como a surpresa daquela música me fez parar de pensar no meu atraso, na vaga para estacionar, no veredito da fisioterapeuta.
Prestei atenção na paisagem, no sol, no azul, no verde ao som da clarineta.
Quantos momentos estressantes podemos reverter para um momento de paz, apaziguando a mente sempre ocupada com mil coisas ao mesmo tempo? Focar no momento presente, atento a pequenos detalhes sem importância, parece ser uma saída. Mas não é tão fácil como alegam alguns especialistas em meditação.
A música acabou, a locutora entrou e informou: era a MEC FM sim! Acho que nunca saiu do ar. E aí me lembrei de outras emissoras daqueles tempos, da Mundial AM até a Radio Relógio Federal. Tempos em que o radinho de pilha era nossa companhia em todos os momentos.
Ao escrever essas sofríveis linhas tentando narrar episódio corriqueiro para possíveis curiosos, ouço a MEC FM no notebook. Se senti saudades do velho radinho, há de se reconhecer também a importância das novas tecnologias. Hoje o rádio pode estar no carro, mas também no Smarthphone ou no computador.
Voltando ao percurso matinal, cheguei e estacionei fácil o carro, na sombra. Era oito em ponto. Ao desligar o veículo a música parou. Mas eu já estava suficientemente em paz para encarar a fisioterapeuta que, além de ótima profissional, era bonita! O que, se não é um fato primordial, serve para terminar com algum impacto esta pequena crônica...


3 comentários:

  1. Bom te ver de volta amigão!
    Não nos abandone!
    E se cuide!
    Abração!

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  2. Seu Marquinho! Mais preocupado com a MEC FM do que com o ombro? Rárá....
    Adorei a crônica amigo. Faltou dizer a opinião da fisioterapeuta bonita. Ficou no suspense!

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  3. Grande abraço Jefferson e Emerson!
    Tudo sob controle amigos!
    Valeu!

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