quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O Calendário da Pirelli e a Nostalgia de Fim de Ano

Décadas de 1970 e 1980.
O carburador do Fiat 147 Rally branco (meu primeiro carro) dava problema.
Platinado, velas...
O sujeito ia naquela oficina do bairro resolver a questão.
Na oficina, cheiro de graxa, nas paredes, graxa.
O Voyage (meu segundo carro) furava o pneu. Terceira vez no mês. Vamos lá na borracharia do bairro.
Na borracharia, cheiro de borracha. Nas paredes, graxa.
Nos dois casos, coisas em comum: escurecimento das paredes pelo gás carbônico e um local que era um oásis: pendurado na parede, em destaque, tamanho grande, limpinho, o calendário anual da Pirelli, com suas beldades devidamente despidas em fotos artísticas registradas pelos mais feras de cada época.
O tempo passou, os automóveis agora frequentam as assépticas oficinas das concessionárias e os pneus quase não furam mais.
Oficinas de bairro e borracharias sobrevivem graças aos carros mais antigos, mesmo assim tornam-se cada vez mais raras.
E, entrando na onda do politicamente correto, não exibem mais os calendários Pirelli, que agora também se comportou, ficou chic e é coisa de gente fina.
Chegamos em 2015 e um dos lançamentos mais comemorados deste ano que se encerra foi o livro "Pirelli - The Calendar: 50 Years And More" da respeitada editora de arte alemã Taschen (edição de luxo a R$ 3.000,00!).
O extenso volume traz todas as 50 edições do famoso calendário mais cenas de bastidores das fotos, bem como imagens não publicadas por serem muito "picantes" para a época.
Quem diria, o calendário Pirelli foi parar na Taschen! 
Legal essa virada artística, releitura estética.
Mas, não sei bem porque, me deu saudades daqueles tempos do calendário na parede da oficina onde eu ia com meu Voyage 1982, verde claro.
Nostalgia de fim de ano.
Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vida exposta ao mundo: banalização da violência contra mulher

Da mesma forma que falei no outro blog - o do Felipe Muniz - no fim do ano e durante o verão, costumamos diminuir a nossa atuação nestes espaços virtuais.
É o mesmo este ano, só que, na prática, já estamos em compasso bem lento há vários meses.
A falta de posts diários tem a ver com o momento, que nos tem exigido muita dedicação tanto no trabalho quanto nos demais momentos pessoais.
Fica assim sem muito significado dizer que vamos dar uma diminuída no ritmo nesses meses quentes de férias, pois o ritmo já anda bem lento.
O que podemos dizer é que esperamos que em 2016 possamos retomar com intensidade as nossas impressões, uma vez que assuntos para  isso não faltam.
E, para encerrar, comecei a fazer um comentário sobre o mais recente viral da Internet. Procurando por mais subsídios que consolidassem a minha opinião sobre o fato, me deparei com uma artigo da Nathalí Macedo, de quem já publiquei alguma coisa aqui (confesso que não me lembro o tema).
A abordagem dela era tão semelhante à minha que resolvi desistir da minha empreitada e reproduzir na íntegra o que ela escreveu.
Minha primeira impressão quando assisti o viral foi de incredulidade.
Como as redes sociais tornaram-se armadilhas para seus próprios protagonistas (nós)?
Não cabe julgar a vida privada de ninguém, mas nada justifica a exposição da violência moral e física sofrida e exposta para o mundo por aquela mulher.



O que podemos aprender sobre traição e violência com o caso de Fabíola?
Por Nathalí Macedo no Diário do Centro do Mundo
"O caso da mineira que traiu o marido com seu melhor amigo deveria ser só mais um adultério a ser tratado entre quatro paredes, no mais íntimo da vida conjugal do casal, mas acabou viralizando na internet quando o marido traído filmou a cena e espalhou o vídeo nas redes sociais.

Na filmagem, ele – que flagrou a esposa saindo do motel com seu melhor amigo – agride a esposa enquanto um outro amigo filma a cena e incita a briga.

O que choca na situação não é a desnecessária publicidade de uma questão íntima: isso transformou-se em uma praxe mais natural do que deveria na internet. As pessoas deturpam a finalidade das redes sociais quando expõem-se desnecessariamente nas mais esdrúxulas situações.

O que me deixou realmente estupefata na mais nova bizarrice das redes sociais é a naturalidade com que um homem, em pleno século XXI – quando as discussões sobre violência contra a mulher estão a todo o vapor – publiciza uma agressão física na rede sem nenhum tipo de represália.

O enfoque da viralização do vídeo não é a agressão pública – física e verbal – sofrida pela mulher, exposta e agredida em plena rede – mas a condenação moral pela traição – que, embora reprovável, não diz respeito a ninguém mais além dos envolvidos. A agressão, ao contrário, é recebida como natural, uma reação justa e proporcional ao adultério.

As pessoas estão tão preocupadas em julgar a vida íntima alheia que não se dão conta do quão absurdo é agredir uma mulher e levar isso a público sem medo das consequências.

Acaso um homem fosse flagrado saindo de um motel com a melhor amiga de sua esposa, este seria apenas mais um dia comum na internet. A indignação, caso houvesse, certamente se concentraria na amiga que “deu em cima de um homem comprometido”, ou na esposa omissa que foi traída porque “não dá conta de segurar um homem” – jamais na figura do pobre homem adúltero. Afinal, a carne é fraca e os ‘instintos masculinos’ justificam a traição.

Mas quando uma mulher é flagrada traindo seu marido, a moralidade seletiva impera de tal forma que até mesmo a violência física escancarada nas redes sociais é ignorada diante do ‘absurdo’ do adultério.

As pessoas respeitam a vida íntima do outro quando ouvem um vizinho agredindo sua esposa (não vou chamar a polícia, eles que se resolvam!), quando assistem a um relacionamento abusivo (só ela pode se livrar do marido opressor!) – mas quando presenciam o ‘erro’ de uma mulher, esquecem-se da sagrada intimidade conjugal e julgam-na nas redes sociais.

Este é o retrato da hipocrisia moderna: a vida sexual do outro indigna, a violência não. O que esperamos de uma sociedade tão moralista é que empenhe toda esta retidão para meter a colher nos relacionamentos agressivos e opressores, mas a moralidade do patriarcado só se aplica à mulher.

Não estamos aqui para determinar se  traição é ou não reprovável – por mais natural que seja escancarar a própria vida na internet, não podemos nos quedar diante desta realidade: a vida sexual do outro não nos diz respeito. A violência, sim."

Sobre o Autor:

Colunista, autora do livro "As Mulheres que Possuo", feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. 

Canta blues nas horas vagas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A chuva e as canções

 
A chuva (tão esperada) que vem molhando a Região Sudeste durante toda esta semana, me fez lembrar de algumas canções que a tinham como tema. Quer dizer, que a tem, pois música boa é imortal, mesmo que seja uma simples canção Pop.
Chuva traz um sentimento de nostalgia, sobretudo quando ela é fina e fica durante vários dias respingando em nossas janelas e em nossas lembranças.
Como faz tempo que não posto aqui as séries Flashback e Good Times, seguem algumas para matar a saudade, pois ela (a saudade), não tem idade - como diria um velho bordão da extinta Rádio Mundial (ou será que era a Tamoyo?).
Com isso aproveito e fujo um pouco do desgastante surrealismo político da atualidade.
Essas são apenas algumas das que me lembrei. Fica para outra oportunidade as demais, inclusive as nacionais.