sábado, 14 de fevereiro de 2015

69 tons de cinza

Vou lhes confessar uma coisa muito importante: não li a trilogia "Cinquenta Tons de Cinza" da escritora britânica E. L. James.
Ora direis: "Mas como, um milionário best-seller erótico e você não lê?" Provavelmente por isso. O melhor da literatura sexual (vou usar este termo, ainda é melhor do que "pornô") não costuma se transformar em best-seller. Experiência própria de leitor inveterado de todos os estilos.
Além disso, na época do sucesso da obra em questão, estava com pouco tempo livre e muita coisa para ler. Bem, isso continua até hoje. Desde sempre. Aí sou obrigado a ser criterioso.
Se não li livro, ótima oportunidade agora é ver o filme recém-lançado.
Mais ou menos. Tem filmes que só quem leu o livro vai dar o devido valor. Tem outros que o livro é mil vezes melhor que o filme. E tem livros sofríveis que dão ótimos filmes.
Eventualmente nem um nem outro cumprem a promessa de decolar, dependendo do leitor, é claro.
Estava nessa, vendo o trailer da película (acho que hoje não é mais película; é tudo digital) quando me deparei com a análise abaixo, publicada na Mashable e DCM.
Não dou muita bola para críticos embora possam eventualmente servir como referência.
Pelo que disse, nem os três livros nem o filme até agora lançado cumprem os dois deveres de casa: de uma literatura erótica de qualidade e realmente "quentes".
Ora, tem algum problema quando um livro erótico não é tão erótico assim e não é boa literatura. Ou escancara no sexo ou conta uma história com qualidade. Se for as duas coisas, ótimo. Mas tem que ter pelo menos um desses dois ingredientes. Idem ao filme.
Mas não estou recomendando que não leiam os livros (se ainda não o fizeram) nem vejam o filme. Obviamente fica a critério de cada um, de acordo com o tempo disponível e com as opções nas livrarias e cinemas.
De minha parte acredito que, se ao número do título fossem somadas 19 unidades, eu me interessaria mais (de forma explícita, por favor). :)
Por enquanto vou tentar iniciar a leitura da trilogia "Condenada" de autoria de Chuck Palahniuk, o mesmo do aclamado "Clube da Luta" (vejam resenhas depois do artigo).
 
Onde foi parar todo o sexo de “Cinquenta Tons de Cinza”?
"Aqui vai uma crítica de “Cinquenta Tons de Cinza” que você provavelmente não estava esperando: não há sexo suficiente no filme!

Deveria ter muito mais. A roteirista Kelly Marcel (“Saving Mr. Banks”) originalmente preparou um flambé escaldante, mas os produtores e a Universal abaixaram a bola no momento em que as filmagens começaram.

É uma pena, porque Marcel realizou nada menos que um milagre aqui, transformando uma ficção ilegível, um lixo que de alguma forma pegou fogo, num script bem construído. Ao eliminar os elementos icônicos absurdos do livro (a “deusa interior”, os tampões, exclamações juvenis como “Oh, merda!”), o filme retrata uma luta pelo poder entre um milionário tarado e a uma estudante inocente por quem ele se apaixona inexplicavelmente.

Não há realmente nenhuma explicação por que Christian Grey (Jamie Dornan), que tem um um estábulo cheio de mulheres jovens para escolher, acha Anastasia Steele (Dakota Johnson) tão irresistível. Mas essa falha está impressa no DNA de “Cinquenta Tons”, que é na verdade apenas uma xerox de baixa definição da série “Crepúsculo”, com alguns nomes alterados para proteger os inocentes.

Então, nos resta acreditar na noção de combustão sexual espontânea — o coração, ou talvez um outro órgão, “quer o que quer”, certo? – e Christian Grey parte logo em perseguição a Anastasia Steele. Vamos nessa.

Dakota interpreta Anastasia com sussurros e constrangimentos — ela está muito esperta para ser a aluna inocente do livro, mas funciona — e quando o impulso vem ela não nega. O milionário de vinte e poucos anos, é claro, costuma conseguir o que quer. Dornan foi uma boa escolha até mesmo pelos olhos azuis, uma mistura inebriante de fera e calculista, e os diálogos de propaganda de cuecas não estragam o filme — o que, neste caso, é algo de muito louvor.

Muito tem se falado da química entre Dakota e Dornan química na vida real, ou a aparente falta dela. O site Jezebel garante que eles se odeiam. Se é verdade – e, na verdade, não há nenhuma boa razão para pensar assim – não aparece tela, em que Anastasia e Christian olham um para o outro com aquele apetite que parece que um vai voar na garganta do outro, o que significa que uma boa e velha trepada está a caminho.

E assim acontece. No final do primeiro ato, nós finalmente conseguimos o que esperávamos quando Anastasia e Christian fazem sexo pela primeira vez, e da forma mais convencional.

Não há nada realmente mais excitante do que dois atores de boa aparência fazendo sexo, mas é apenas um aquecimento para o que está por vir, certo? As coisas vão esquentar significativamente, nós sabemos.

Exceto… que não esquentam. Quando Christian finalmente mostra a Anastasia sua “sala de jogos”, o que vemos é mais ou menos a mesma cena de sexo, apenas com os olhos vendados, alguma luz rebaixada, mãos amarradas e o barulho suave de um chicote. Embora vejamos o corpo completamente nu de Dakota Johnson, não temos o de Dornan, algo que a equipe de relações públicas de “Cinquenta Tons” decidiu evitar.

O que vem a seguir é a ideia mais interessante em “Cinquenta Tons de Cinza”: que uma jovem mulher modesta, de origem humilde, pode encarar um bilionário bonito e até começar a dobrá-lo à sua vontade, por instigar sentimentos que ele não sabia que tinha.

Quando ele finalmente apresenta o contrato de “submissão”, ela reluta em assiná-lo porque está mais experiente. A luta pelo poder começa.

Drinques, edifícios de vidro, carros e helicópteros, mesmo um planador – ela não está ligando para nada disso, ainda não. E ela tem um bom motivo para ter reservas.

Isso porque Christian é muito ciumento, dominador e a persegue; ele tem uma tendência a surgir sempre onde Anastasia está. É mais do que perturbador, e ainda assim o filme opta por encobrir esses elementos do livro, que pintam Christian como um dominante implacável, insistindo em controlar todos os movimentos de Anastasia, mesmo quando não estão brincando com chicotes e algemas.

Forçada a decidir-se sobre o contrato, Anastasia primeiro quer que ele faça o seu pior, provavelmente para ver onde ela está se metendo. Então, finalmente assistiremos um pouco de BDSM [acrônimo para para “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”]? Finalmente?

A resposta: não.

Em seguida, o filme – que é excessivamente longo, com mais de duas horas – termina abruptamente, com uma sequencia de flagrantes armados que grotescamente nos empurram para fora da porta, deixando você sem saber se perdeu alguma coisa.

Não era, supostamente, você sabe, um filme de sexo? Não era supostamente uma espécie de filme terrível, mas, pelo menos, você sabe, super excitante?

Em vez disso, é apenas uma espécie de love story para maiores, sem graça o bastante para a categoria “tão ruim que é bom”, sem elegância ou sexy o suficiente para superar o atroz material original.

Isso é “Cinquenta Tons de Cinza”: nem terrível, nem supersexy. Mais ou menos assistível e morno. Decepcionante de um jeito próprio."

Fontes:
- Mashable
- DCM
Sobre a trilogia "Condenada" (Editora LeYa) citada na primeira parte do post:
"A jornada da pequena Madison descobrindo as agruras de estar no inferno!
Qual seria a melhor maneira de propagar a sensação de estar morto? Qual seria a melhor maneira de morrer? Madison Spencer, uma garota de treze anos já sabe como fazer. Aliás, Madison está morta. Tudo isso por conta de uma possível overdose de maconha. Mas, será que alguém consegue morrer de tanto fumar?
Filha de um casal milionário de cineastas, a garota de treze anos foi criada para usufruir das melhores coisas da vida e acabou morrendo por um pequeno deslize. Já no inferno, afinal, quem morre por overdose de maconha não pode ir para o Céu, a garota se vê cercada ? e amiga ? de um grupo um tanto quanto incomum: um nerd, um punk de cabelo azul, um possível jogador de futebol americano e uma patricinha com sapatos falsos. E é lá, no Inferno, com mensagens diretas ao Satã, que Madison passa a conhecer os problemas da vida, afinal a imortalidade nos traz ensinamentos e questionamentos que apenas situações complicadas nos trariam. Afinal, o que temos a perder e sobre o que mais poderíamos pensar?
Com aventuras e um toque de hilaridade, o escritor Chuck Palahniuk traz, por meio de Madison, um relato perturbador que nos toca diretamente no âmago do que acreditamos ser real. Primeiro livro de uma trilogia, “Condenada” nos convida para um conhecimento profundo sobre o Inferno, o Céu, a morte e, claro, a vida
."

Um pequeno resumo do que trata o segundo livro:
"A saga de Madison continua, agora no Purgatório! Madison Spencer, a menina morta mais animada do universo, prossegue com sua aventureira vida após a morte, iniciada em Condenada. Se no primeiro livro Chuck nos trouxe um inferno brilhante que só ele poderia imaginar, em Maldita a Terra é magistralmente retratada como o purgatório na obscura e retorcida visão apocalíptica deste provocante contador de histórias... Depois de um ritual de Halloween que deu errado, Madison fica presa no purgatório, ou, como é popularmente conhecido por mortais como eu e você, a Terra. Ela pode ver e ouvir cada detalhe do mundo que deixou para trás, no entanto, é invisível para todos os que ainda estão vivos. As pessoas não só podem olhar por entre ela, como andam através dela também. À medida que Madison revisita a dolorosa verdade do que aconteceu ao longo desses anos (incluindo um encontro perturbador e finalmente fatal em que... bem, deixa pra lá), sua saga de condenação eterna assume um novo e sinistro significado. Satanás teve Madison em suas vistas desde o início: por meio dela e de seus pais, verdadeiras celebridades narcisistas, ele planeja projetar uma era de condenação eterna. Para todos."

O terceiro livro ainda não saiu no Brasil, mas desconfio que Madison chegará ao Céu. Como será?

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