sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Obama, Cuba, Francisco e o Nobel da Paz

Obama recebendo o Nobel
A Academia Sueca deu um tiro no pé naquele ano.
Alfred Nobel deveria estar se revirando no túmulo e com razão.
Dar o título de Nobel da Paz para o Obama recém-eleito só para tentar influenciá-lo em ações pacíficas?
Era ingenuidade demais para eu meu gosto.
Eu torci muito para que o Obama ganhasse e comemorei sua vitória. Chega de republicanos piorando a situação mundial.
Mas daí a achar interessante a decisão dos suecos vai uma diferença grande.
Acertei. Obama apenas continuou o que os republicanos andavam fazendo. E até hoje não fechou Guantánamo.
A retirada das desastradas ações no Iraque e Afeganistão já estavam previstas e as estratégias de apoiar e derrubar ditadores de acordo com a conveniência americana está como sempre foi.
Inclui-se nesse caso fustigar a Rússia e manter as espionagens onde for preciso, conforme comprovado pelo WikiLeaks e Snowden.
Mas, para alívio nosso e do pessoal da Suécia, Obama ultimamente tem buscado fazer jus à honraria que recebeu extemporaneamente.
De forma ainda mambembe mas já é alguma coisa.
Citaria a aprovação - com restrições - do acesso ao sistema de saúde para os americanos mais pobres, ao decreto - com restrições - de anistia aos imigrantes ilegais e do reatamento das relações - com restrições - com Cuba.
Vale lembrar da luta do Brasil nos últimos tempos para que isso ocorresse. Falta agora eliminar todos os embargos econômicos. Sem restrições.
Futuro Nobel da Paz?
Por trás desta última ação americana está o Papa Francisco que intermediou de forma bem discreta a reaproximação.
O Chefe de Estado do Vaticano tem se comprometido com causas em favor dos mais pobres e dos que padecem com guerras provocadas em sua maioria por agentes externos.
E de forma clara e contundente.
Decepcionou muitos que viam no Jesuíta um simpatizante do neoliberalismo. Não se pode dizer que seja socialista, mas suas palavras estão sempre mais à esquerda do que desejariam capitalistas mais ferrenhos.
Por vezes vejo nele os mesmos ideais da Teoria da Libertação defendido nas Comunidades Eclesiais de Base por nomes como Leonardo Boff e Frei Betto que na época foram relegados a um segundo plano pela Igreja.
Destacaria também a sua busca incansável de aproximação com outras importantes crenças religiosas. Isso vai ser cada mais importante depois dos atentados desta semana contra o semanário parisiense, pois a extrema-direita européia vai ganhar fôlego em um efeito colateral que só tende a piorar as coisas.
Se continuar neste ritmo proponho à Academia Sueca se redimir: lanço o nome do Papa Francisco (eu sei, eu sei, ele é argentino, paciência) como concorrente ao Nobel da Paz de 2015.

Música da crônica: uma canção de paz do sempre pacífico Cat Stevens.

 

Cat Stevens

3 comentários:

  1. Excelente Marquinhos!
    O blog está decolando. Cada vez melhor. Parabéns!
    Tem que divulgar mais!!!!
    Abração!

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  2. Jefferson, achei que o blog decolou deste o primeiro post.
    É uma pena que o Marcos ao que parece não esteja querendo divulgá-lo muito.
    A forma de escolher uma ou duas músicas para complementar a crônica é inédita e ficou ótima!
    As crônicas estão melhorando a cada dia mas pouca gente conhece o blog.
    Bjs. Marcos.

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  3. Obrigado pela força Jefferson e Maria Inês!
    É verdade que tenho optado por divulgar pouco o blog.
    É que na minha visão trata-se mais de uma experiência e prefiro ter a liberdade mais ampla de postar o que quiser e quando puder.
    Se eu percebo que tem muita gente acessando começo a me cobrar postagens melhores, maiores e diárias. Como continuo sem o tempo livre que gostaria, melhor deixar um pouco mais restrito mesmo.
    Abraços.

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