domingo, 4 de janeiro de 2015

Crônica suburbana, urbana, praiana e rural (Parte 1: Subúrbio)

Sabem o que significa viver a infância em um distante subúrbio de uma metrópole nos anos 1960?
Distante mesmo. Não conhecem Cosmos, no meio do caminho entre os mais conhecidos bairros de Campo Grande e Santa Cruz que seguiam os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Como dizia o Milton, a plataforma daquela estação era a vida do lugar.
Naquele tempo aquela região não compunha a Zona Oeste. Era chamada de Zona Rural do Estado da Guanabara. E tinha mesmo bois, cabras e plantações.
Os trens eram a ligação com os citados bairros e os outros que iam seguindo em linha quase reta até o centro da cidade: Bangu, Padre Miguel, Realengo, Deodoro, Marechal Hermes, Madureira, Engenho de Dentro, Meier, Maracanã, São Cristóvão, etc. Até a Central.
Embora já existisse também a Avenida Brasil e seus 50 km ainda não caóticos como hoje. Os ônibus eram uma opção. Mas a passagem era mais cara que o trem.
Meu pai era Funcionário Público Federal. De Salário Mínimo. Como o Trabalhismo foi deposto pelo golpe militar patrocinado pelos EUA, não ocorreram na época os avanços de hoje e o Salário Mínimo era chamado de "salário de fome". Não cheguei a passar fome mas a vida não era fácil. Tudo na estica.
A vantagem é que tínhamos o direito de usufruir do excelente Hospital dos Servidores do Estado, naqueles tempos de utilização exclusiva dos funcionários federais. Herança do Rio Capital da República.
Respondendo à pergunta inicial, a vida era boa. Havia a dificuldade financeira, os deslocamentos a pé para a escola - no calor carioca distante da praia e entre morros que abafavam ainda mais o asfalto quente - e os sempre presentes problemas familiares, mas no balanço geral o resultado era positivo.
Pois havia uma imensa área em frente à minha casa, totalmente aberta, com mangueiras, goiabeiras, pés de jamelão, tamarina, jabuticaba, amora, araçá e até lima da Pérsia. E tinha campos de futebol de várzea feitos por nós mesmos. E um riacho. E bolas, pipas, bicicletas, pique. E muitas crianças que brincavam na rua e embaixo das mangueiras.
E subíamos nas árvores e corríamos atrás dos balões nas festas juninas (eu sei que isso é proibido hoje, mas na época era patrimônio cultural).
E na escola primária ocorreram as três primeiras paixões platônicas: a primeira professora e duas colegas de classe. Por onde andarão elas? E aqueles amigos eternos?
Cultura? Gibis e TV Tupi. Esta última em preto e branco e na casa de vizinhos. Era a TVvizinha.
Minhas reminiscências de infância dariam um livro. As suas também. De qualquer um de nós. É verdade que não podemos afirmar quem se interessaria por lê-las. Mas fariam bem para nós se pudéssemos registrar essas lembranças.
Ok, são coisas do passado e para quê perder tempo com isso? Então cito aquele que naqueles tempos merecia com louvor o título de "Rei": (...) mas o meu passado vive em tudo que faço agora, ele está no meu presente.
Enquanto isso no radio AM valvulado tinha a Mundial e a Tamoio tocando Beatles, Roberto Carlos e Michael Jackson...







5 comentários:

  1. Hello Marquinhos!
    Pensou que ia escapar de mim hein? Criou um novo blog e nem divulgou! Mas eu já desconfiava e não foi difícil achar com ajuda do Google.
    Tá muito bom. Parabéns. E você já deu pista que vai postar coisas cada vez melhores pois colocou aviso de ser para maiores. Você me entende.
    Já gostei do post do pintor russo e penso em seguir tal profissão.
    Minha proposta é que você faça suas crônicas mas todas as imagens que ilustram cada uma devem ser de nossas queridas belezuras ao natural. O que acha? Enquanto isso, que tal uma postagem semanal com as musas que só você sabe escolher?
    Prometo não detonar nada. Estou mais comportado. Rsrsrs.
    E gostei muitos dessas recordações de infância. Faltou você colocar sobre como tinha acesso às boas revistas daquele tempo, incluindo Carlos Zéfiro. Aliás que tal uma crônica sobre as publicações dele? Com suas ilustrações. Você só falou em gibis.

    ResponderExcluir
  2. Tente manter também o blog do Luiz Felipe Muniz, mesmo com postagens mais esparsas. Você consegue. Quem sabe o Luiz Felipe se anime e retorne também!

    ResponderExcluir
  3. Hehehe...
    Não é que você descobriu mesmo?
    Mas não te avisei porque não sei seu email (nem quem é).
    De qualquer forma, obrigado pela audiência e pela força.
    Parabéns pelo estilo detetivesco na estratégia de achar o blog.
    Só você para lembrar do Carlos Zéfiro! Só você não. Confesso que me lembrei sim ao escrever essas reminiscências, mas ia acabar mudando o tom e decidi evitar. Mas a idéia é boa sobre a crônica. Só que talvez tenha que escolher alguns desenhos não tão explícitos para ilustrar.
    Sobre o post ao estilo musas, veja amanhã no blog.
    E sobre o blog do Luiz Felipe Muniz, sim, estão nos nossos planos o seu retorno.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  4. MUITO BOA! PARABÉNS! E AS MÚSICAS TAMBÉM!

    ResponderExcluir
  5. Lindo post, Marquinho! Me emocionei, lembrando da minha infância! Lindas músicas! Parabéns!!!

    ResponderExcluir