segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Botafogo e a Maitê Proença Nua


Para quem não é ligado em futebol, informo que o Botafogo foi rebaixado ano passado para a segunda divisão.
Situação difícil para um clube grande.
Uma torcedora famosa do time alvi-negro disse que se o mesmo conseguisse retornar à primeira divisão em 2016 ela iria tirar a roupa em público!
Pois não é que o Botafogo não só conseguiu um bom resultado em 2015 como foi o campeão da segundona!
Daí começaram as cobranças para que a distinta e bela moça (já "cinquentona"!), cumprisse a promessa feita.
Quem acompanha essas coisas de futebol e de mulheres bonitas já sabe de quem estou falando: da atriz, escritora e apresentadora Maitê Proença.
E ela cumpriu a promessa ontem! Live! Bem, quase toda. Mas valeu!
Depois ela perguntou nas redes sociais se nós tínhamos gostado. Gostamos sim Maitê!
Nasci tricolor mas, neste caso específico, sou botafoguense desde sempre!

P.S.: O vídeo foi gravado da TV e colocado no You Tube. Para uma reprodução de melhor qualidade confiram em: "Extraordinários".

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Ano do Gato: A história de uma inesquecível canção

Temos um grupo (pequeno) de amigos no WatsApp ligados em música.
Esta semana eu lancei uma ideia: cada um indicaria um disco para que ouvíssemos durante a semana (são todos colecionadores inveterados).
Um deles indicou um CD que eu adoro, e escuto há mais de 30 anos: "Year of the Cat", do escocês Al Stewart, que grava desde 1967.
Este álbum foi lançado em 1976, no Brasil em 1977, e converteu-se no maior sucesso comercial do cantor, sendo considerado por muitos um dos grandes clássicos dos anos 70 (por mim inclusive).
Além das ótimas composições o disco contou com uma engenharia sonora impecável. E não poderia ser diferente pois quem produziu foi nada menos que Alan Parsons, o mesmo jovem que havia atuado no magnífico "The Dark Side of The Moon" do Pink Floyd e criaria naquele mesmo ano o também impecável "Alan Parsons Project" que lançou discos memoráveis. Alan também toca alguns instrumentos no disco.

De todas as ótimas canções a que obteve maior prestígio internacional foi a faixa título, que é lembrada até hoje nas estações de Flashback.

É uma belíssima música, enigmática e eu sempre quis saber o significado dela.
Confesso que meu domínio do idioma inglês é sofrível mas sabia que havia referência a um filme.
No entanto, atualmente com as facilidades da Internet, e com um pouco de paciência, é possível conseguir informações de quase tudo e a partir daí tirar as conclusões.
Resolvi então reservar alguns minutos para tentar montar o quebra-cabeça de "Year of the Cat".

Logo de início fica óbvio que o título refere-se à astrologia chinesa. Mas no entanto, dependendo da pesquisa que fizer, você conclui que não existe o gato no horóscopo chinês. Tem uma lenda sobre isso: o gato se atrasou na festa do Buda e ficou de fora, mas parece que depois foi feito um acordo e ele divide o mesmo ano com o coelho em intervalos de 12 anos.
No entanto, no horóscopo vietnamita - muito semelhante ao chinês - não existe o coelho e sim apenas o gato.
Al Stewart compôs essa música em 1975, era ano do gato, que tem características de transmitir paz (junto com o coelho...).

A bem da verdade era uma canção que ele havia começado a compor em 1966, depois de assistir a uma apresentação de um comediante em que aconteceu algo que ele não esperava: "Hancock era comediante e apesar de muito famoso estava bastante depressivo e profundamente emergido em seus problemas com o álcool o que claro refletia nos seus shows que acabavam por ser um completo desastre, Stewart conta em uma entrevista que certa vez Hancock parou no palco e disse ao público: “Não quero estar aqui, estou totalmente decepcionado com a minha vida. Sou um completo perdedor, isto é estúpido. Eu não sei por que eu apenas não acabo com isso tudo aqui mesmo".
As pessoas que assistiam a seu show naquele dia riram de seus desabafos como se tudo aquilo fosse apenas parte do espetáculo ou de um novo personagem criado naquele mesmo momento.
Stewart então escreveu a letra da música “Foot of the stage”, após presenciar esse “grito de socorro” em forma de desabafo vindo de Hancock. A letra da música continha uma frase muito significativa em honra ao comediante inglês: “Your tears fall down like rain at the foot of the stage” ou algo como “As tuas lágrimas caem como chuva ao pé do palco”. Tempos depois Hancock se matou com uma overdose de drogas e Stewart decidiu por não publicar sua música em respeito ao comediante
" (em Histórias de Una Cancion).

A música ficou engavetada por quase dez anos e, no início da produção do disco, ele mostrou para o Alan Parsons que achou a melodia ótima e recomendou que ele refizesse a letra.
Foi então que ele tomou como base cenas do clássico (e imperdível) filme "Casablanca" (aquele de "As Time Goes By", de 1942; a história se passa naquela cidade do Marrocos, na época sob o controle da França, 2ª Guerra Mundial) e imaginou uma história de um turista que se envolve romanticamente (e eroticamente, trata-se de uma noite de paixão extrema) com uma local (provavelmente uma hippie: "perfume de incenso e patchouli") e acaba perdendo o ônibus da excursão no dia seguinte. O que acaba sendo uma solução da dúvida naquele momento: "Você sabe que um dia terá de deixá-la / Mas por agora você vai ficar."

Isso tudo acontecendo naquele mesmo ano de 1975, o Ano do Gato. A canção foi gravada em 1976, no Abbey Road Studio, o lendário estúdio dos Beatles.
Bem, esse é um resumo da história da canção mas, como a poesia, são apenas sinalizações. O significado pode ser modificado de acordo com a experiência de cada um.
O importante é que a música é mesmo linda, uma das melhores dos anos 70, daquelas clássicas eternas de qualquer geração.
A bem da verdade o disco todo é ótimo e conta histórias do mesmo tipo, onde tem de se pesquisar para entender o significado. Os arranjos, orquestrações e a banda que acompanha todo o álbum são dignos de uma audição mais apurada.
A capa é do famoso estúdio Hipgnosis e mostra uma ilustração onde uma mulher obcecada por gatos se veste para um baile a fantasia (ela aparece através do espelho). Os itens do seu armário espalhados se referem todos aos felinos.
Quem sabe sua obsessão se refira na verdade ao Ano do Gato...



"Alastair Ian Stewart nasceu no dia 5 de setembro de 1945, em Glasgow, Escócia, e vem gravando desde 1967. Suas músicas têm melodias muito cativantes, muitos temas históricos e políticos e muitas letras inteligentes, que parecem pintar quadros em sua mente. Ele já foi descrito como o escrivão-mor da música inglesa."

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Kraftwerk: música eletrônica, andróides e sentimentos

Já faz tempo que não abordamos aqui literatura, música, filmes e artes de forma geral. Curioso, porque o objetivo maior deste espaço, quando de sua criação, era registrar impressões sobretudo relativas ao tema artes áudio-visuais.
Talvez o momento venha sendo mais propício a reflexões diversas acerca de detalhes cotidianos e existenciais.
Bem, resolvemos hoje retornar às origens.
Acabo de ler o livro "Kraftwerk Publikation" (Editora Seoman, 351 páginas), que traz a biografia do seminal grupo alemão: "Uma história sociocultural dos precussores da música eletrônica para as massas".
Desde meados dos anos 1970 acompanho a trajetória deste único, peculiar, estranho e magnífico grupo.
A banda é fora dos padrões porque se assemelha mais a uma equipe de cientistas em seus laboratórios tecnológicos do que uma banda musical.
E é mais ou menos isso mesmo.
Na época não existiam as facilidades dos Hardwares e Softwares de hoje e eles próprios (engenheiros eletrônicos) davam seu jeito de conseguir as sonoridades que queriam, inventando aparelhos, montando fitas, fazendo colagens, etc.
Não é para menos que são considerados os pais de quase todos os estilos que se referenciam na eletrônica, das diversas vertentes da Dance Music até a New Age e a Ambient Music. O livro mostra a quantidade de artistas ingleses, americanos, franceses, italianos, japoneses, etc. que ao longo das últimas décadas tem o Kraftwerk como entidade acima do bem e do mal.
Também a sua postura de radical distanciamento da imprensa, da fama e da colaboração com outros artistas, se autoreferenciando e se isolando do mundo exterior, colaboraram para a criação e manutenção de uma mitologia que os seguirá para sempre.
Suas apresentações robóticas (literalmente, pois em algumas haviam robôs-réplicas dos componentes no palco), sem movimentação, sem interação com a platéia era (e ainda é) outra característica exclusiva, que refletia o modo de ser da banda, totalmente em consonância com sua música (quer dizer, mais ou menos, aquelas batidas quase que obrigam a pessoa a sair pulando).
No livro, o inglês David Buckley, tenta de todas as formas desvendar a música e o mito, mergulhando em histórias nunca contadas e conversando com pessoas ligadas ao grupo (ele não conseguiu em nenhum momento falar com Ralph Hütter e Florian Schneider, os criadores e mentores do Kraftwerk).
Do grupo, o componente que mais passou informações para ele foi Wolfgang Flür. O quarto elemento, Karl Bartos, não deu tantas informações mas fez a apresentação do livro, que traz muitas fotos das diferentes épocas: de 1970 a 2012.
Para os quem não conhecem, os principais álbuns (podem ser ouvidos via You Tube) do grupo são: "Autobanh" de 1974 (uma viagem "ambiental" pelas auto-estradas alemãs), "Radio-Activity" de 1975 (experimentos hipnóticos diversos), "Trans-Europe Expess" de 1977 (também "viajante" e cheio de melodias inesquecíveis), "The Man-Machine" de 1978 (uma dançante apologia espacial ao "homem-máquina") e "Computer World" de 1981 (mais uma obra-prima que influenciou tudo que viria a ser feito nos anos 1980 e 1990).
Eu gosto de Kraftwerk mas não é uma música que qualquer pessoa admira. Está longe dos padrões Pop-Rock vigentes ontem e hoje.
É uma música mais próxima dos minimalistas e é provavelmente um tipo de som que gênios do passado estariam fazendo hoje. Mesmo assim suas melodias simples ao extremo conseguem capturar uma legião de fãs, mesmo os não iniciados aos mistérios desses robôs germânicos.
Recomendo o livro e os discos citados. Mesmo que for só por curiosidades do tipo: até que ponto as emoções são primordiais e se é possível ficar à margem delas, como androides sem sentimentos?
Um ponto primordial para entender a existência do fenômeno Kratfwerk: só existiram por causa da história da Alemanha no pós-guerra. Leiam o livro e entenderão.