sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Abbey Roça

Devido a motivos de "força maior", tive que me deslocar esta semana até uma área periférica da cidade. Um local distante uns 40 km da área central.
Fazia muito tempo que não ia para aquelas bandas.
Ao longo da RJ-216 conhecida também, em tempos mais antigos, como Estrada do Açúcar, se enfileiram diversos Distritos, que nada mais são do que bairros desconectados da continuidade da área urbana.
Pensei que, depois de tanto tempo, aquelas antigas vilas estivessem minguado, muitas talvez fossem hoje "fantasmas" de um rico passado de usinas de açúcar que não existem mais.
Me surpreendi. Continuam não sendo metrópoles, afinal essa não é mesmo sua vocação. Mas, de forma tranquila, a vida pulsa à beira da rodovia e nas estreitas ruas transversais que costumam avançar por algumas dezenas de metros e morrer subitamente em frente à um pasto, canavial, beira de rio ou matagal.
Como não estou podendo dirigir - uma distensão em músculos da perna vai me deixar 'de molho' por um bom tempo - minha esposa foi dirigindo, o que me proporcionou a oportunidade de ficar olhando as paisagens interioranas.
No carro uma suave música instrumental, smooth jazz, servia de trilha sonora para o que eu observava: pequenas casas coloridas, espaços abertos sem casas, trechos com eucaliptos, com pastos, lacunas abertas no tempo e no espaço. Em muitos momentos, nenhuma viva alma, nenhum animal, apenas a estrada serpenteando por entre o verde.
Apesar de estarmos no inverno, o dia estava outonal. Embora a distância não fosse tão grande, tivemos momentos de tempo nublado, sol e chuva simultaneamente, com direito à arco-iris fazendo uma espécie de ponte aérea acima de nós.
A temperatura amena, luminosidade ideal e pouco tráfego na estrada complementavam o conjunto de fatores que transformaram aquela obrigação em momentos agradáveis.
No retorno, pela mesma rodovia, por volta da 11 horas da manhã, paramos em um pequeno vilarejo, tradicional da região por ter ali a Igreja do santo padroeiro de toda aquela extensa área que é extremamente religiosa.
Mesmo sendo uma terça-feira de manhã, a pequena e simpática igreja estava com suas portas abertas. Acho que ela fica aberta a semana toda. Entramos para meditar um pouco. Fazer orações de agradecimento e de pedidos que são extensos, uma vez que nos lembramos dos nossos conhecidos. Na verdade parece que o mundo todo precisa de orações.
Simples, bonita e agradável, no interior havia apenas um jovem rezando. Segurava o chapéu nas mãos e estava de pé em frente às imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e Santo Amaro.
Na saída nos cumprimentou com simplicidade.
Em uma sala anexa duas senhoras conversavam baixo. Deviam ser as responsáveis pela manutenção do templo.
Depois das orações retornamos ao carro. Não sem antes dar uma olhada no que víamos ao redor. Em frente, uma praça bem cuidada, com bancos de madeira e arbustos podados para fazer sombra.
Ninguém ali. Tranquilidade total. Nuvens no céu.
Ao lado da igreja um daqueles antigos coretos. Próximo ao coreto um fusca.
Deu vontade de ficar ali por um bom tempo, naquela pracinha interiorana.
Mas a dor na perna me obrigava a retornar para casa.
Quem conseguiu chegar até aqui deve estar se perguntando qual o objetivo de um texto que não diz nada, a não ser algumas observações simples, sobre uma manhã sem maiores emoções.
É que provavelmente não consegui passar o que estava sentindo: a necessidade de menos correria e pressões cotidianas e mais tranquilidade e contato com o natural, com o silêncio, com o espiritual.
Percebi isso na calçada da igreja, em frente à pracinha deserta.
Nada contras as urbanidades, mas elas, exclusivamente, não tem mais preenchido os anseios da maioria das pessoas. A bem da verdade elas não tem nem tempo de pensar nisso, ocupadas com o trânsito, o transporte, as exigências do trabalho, o estresse financeiro e as mensagens no celular.
De repente o dia já se foi. E a semana. E o mês. E o ano.
As pessoas precisam daquela igrejinha, dos arbustos da praça, daqueles espaços vazios à beira da estrada, de perceber o arco-iris no céu.
Entramos no carro e pegamos a rodovia. Logo havia uma curva no vilarejo e nela um quebra-molas e após o quebra-molas uma faixa de pedestres. Ninguém atravessava aquela faixa, mas minha esposa deu uma freada. Não entendi muito bem até que vi, acreditem, uma galinha carijó atravessando calmamente em cima da faixa. Sorri e pensei: se houvessem mais três eu saltaria do carro e bateria uma foto com o celular para fazer uma paródia da famosa capa do disco dos Beatles, "Abbey Road", onde os quatro atravessam a avenida.
Ainda pensando nisso, chegamos em casa e eu abri o Facebook algumas horas depois e não acreditei na coincidência: uma amiga havia postado na rede social uma imagem como eu havia imaginado! A diferença é que chamaram "Beatles Sertanejo". Eu nominaria "Abbey Roça". :)
"Abbey Roça"
Trilha sonora na estrada: Matt Marshak, CD "Lifestile" (ok, poderia ser Beatles também ou qualquer 'Rock Rural').

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Um Comercial Imperdível (para os homens...)


Comercial não é algo muito legal.
Vide o avanço das TVs por assinaturas e empresas que oferecem programação em Streaming.
Torna-se portanto um desafio para os publicitários chamar a atenção para o produto com o máximo de criatividade e apelo aos diversos interesses em jogo.
É o caso dessa peça de um Shopping Center dinamarquês.
Sobretudo direcionado para o público alvo masculino, foi considerado um comercial de excelência. Eu achei.

BELDADES PARAQUEDISTAS ACROBÁTICAS
"Cruzando a fronteira norte da Alemanha, já na Dinamarca, existe um gigantesco supermercado chamado Fleggaard, onde se pode comprar tudo que se pode imaginar, desde bichos de pelúcia até caixas fechadas de vinhos, passando por sabão industrial, tudo com um desconto de 30% sôbre seu preço regular. Trata-se de “Costco”, uma empresa dinamarquesa criada, precisamente, para burlar o fisco alemão. Participaram deste comercial mais de 100 mulheres paraquedistas que, em acrobática queda livre, se dão as mãos  para formar uma imagem em que se lê “Lavarroupas Siemens a somente 269 euros”. Ao final, o comercial diz “Bem no límite” (em óbvia alusão à fronteira com a Alemanha.)

Não ficou na Dinamarca um único homem que não tenha visto o comercial sem dele gostar e a grande surpresa é que foi precisamente, criado para impactar os espectadores masculinos.
Veja no vídeo que se segue o que foi considerado um dos melhores comerciais de todos os tempos"

Toda vida tem uma história

Todos temos a nossa história de vida.
Ao longo dos anos passamos por lutas, alegrias, dificuldades, realizações, derrotas, tristezas, aprendizados, momentos de grande felicidade, etc.
Todos.
Ocorre que nem sempre nos lembramos disso. Com relação aos outros.
Talvez esteja aí (sempre tentar se colocar no lugar do outro) o segredo da tolerância, aceitação. O segredo do viver pacificamente e de atrair para si pessoas que também agirão da mesma forma, independente do seu "perfil psicológico".
É claro que há casos perdidos. Nessa situação o afastamento se faz necessário.
Mas em geral o ditado de receber de volta a forma como trata os outros costuma funcionar.
Para isso há de se internalizar de que cada um tem sua história e os reflexos dela.
Este filme tem poucos minutos, gravado por uma câmera que percorre pessoas em uma lanchonete. Simples assim. Apenas isso. Vejam e entenderão o que tento revelar nessas mal traçadas linhas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"A Queda": análise bem-humorada dos protestos de ontem

Sempre são ótimas essas adaptações deste trecho do filme "A Queda".
E o pessoal é rápido.
Esta cômica (mas que contém muitas verdades) versão foi feita em tempo recorde, analisando os resultados dos protestos de ontem.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Pinturas: Realismo Mágico


Hoje resolvi mostrar as incríveis impressões de alguns pintores.
O certo seria abordar os protestos marcados para o próximo domingo, dia 16, mas isso eu fiz hoje no Blog de Luiz Felipe Muniz, confiram lá.
O primeiro contato que tive com essas obras foi de uma forma curiosa. Há uns dez, quinze anos, eu tinha o hábito de fazer seleções musicais temáticas especiais e gravar em CDR. Na verdade uma versão atualizada daquelas antigas coletâneas que fazíamos nas extintas fitas K-7 (eu ainda guardo algumas e tenho um toca-fitas ainda!). Esse hábito é citado no livro "High Fidelity", já adaptado para o cinema (mas o livro é melhor).
Hoje, em época de mp3, pen-drivers, cartões, streaming, etc., até essas gravações de CDs perderam o sentido. No entanto continuo ouvindo meus CDs (originais) e LPs.
Mas, voltando ao tema, eu gostava também de montar as capas no computador e imprimi-las. Precisava então de boas imagens, que retratassem de alguma forma aquelas canções. Foi quando comecei a descobrir uma porção de pinturas legais que, vim descobrir depois, eram em sua maioria de "realismo mágico".
Em um primeiro momento podemos categorizá-las como Surrealistas, mas ouvi dizer que nesse estilo as ideias não são pensadas, vem direto do subconsciente. No caso desses pintores a criação é feita a partir de uma análise e de uma busca de surpreender aquele que se depara com a obra.
Mas não há dúvida que foram influenciados pelos grandes mestres surrealistas.
Podemos registrar também que essas pinturas, de uma forma até paradoxal, também contém elementos de Hiperrealismo. Neste caso tem mais a ver com a técnica, a incrível capacidade dos artistas retratarem com realismo o que imaginaram.
Vem da união desses dois gêneros o que - imagino eu - podemos chamar de "Realismo Mágico" ou "Realismo Fantástico", neste caso não estamos falando na escola literária, mas obviamente pode ser considerada uma resposta pictórica a ela.
"A principal mensagem de suas obras é que não podemos (e nem devemos) acreditar naquilo que enxergamos num primeiro momento: é preciso um olhar mais demorado; uma visão mais ampla". E não devemos entender essa consideração apenas pelo aspecto visual, mas como uma observação sobre todos os aspectos da vida.
Apresento-lhes então uma pequena seleção desse atraente estilo de retratar a realidade, modificando-a, criando um novo (possível?) mundo em comunhão com esse que conhecemos.
Em tempo: talvez o principal nome dessa escola seja o do canadense Rob Gonsalves e sua incrível obra. Ele é chamado "o mestre da ilusão".












sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Avanços e retrocessos no âmbito do "politicamente (in)correto"

Cerveja é nutritiva!

Nessas últimas décadas vivemos tempos contraditórios.
Por um lado a conquista do reconhecimento do que era tabu, como a união homossexual, só para citar um bom exemplo.
Por outro lado respostas fundamentalistas a esses avanços, como se pretendessem retornar à Idade Média.
Da mesma forma uma correta vigilância a certos aspectos inaceitáveis (o absurdo do racismo, seria uma boa lembrança, com o correto reconhecimento disso ser crime) provocou um exagerado patrulhamento que não tolera o que seja considerado minimamente "politicamente incorreto".  E esse conceito é tão amplo que parece que qualquer tentativa de humor (também um exemplo) é incorreta.
Hehehe...
Fico pensando - outro exemplo - sobre algumas propagandas, músicas e hábitos de antigamente. Como seriam vistos hoje?
Olhe para um lado e verás uma valorização de tradições por vezes sem sincronia com o momento, olhe para outro e poderás ver libertinagens em horário nobre de TV aberta. De fazer corar o mais empedernido "politicamente incorreto".
Selecionei dois itens para ilustrar o que tento mostrar.
Primeiro uma animação bem-humorada (politicamente incorreta, provavelmente) que mostra o tema censura à clássicas obras de arte.
No segundo, uma entrevista de 20 anos atrás que o pessoal da então revista Casseta e Planeta fez com o pessoal do grupo musical Paralamas do Sucesso. Na verdade o complemento "sacana" da entrevista, nem um pouco "politicamente correta". Trata-se daquelas sacaneadas utilizando trocadilhos e jogadas de duplo sentido da língua portuguesa, tão comuns em nossas adolescências (masculinas) mas que hoje em dia seriam devidamente patrulhadas.
Em tempo: evitem ler a entrevista (e ver o desenho animado) se estão no time mais comedido e totalmente "politicamente correto". : )




Parte de entrevista dos Paralamas do Sucesso, em 1995
(...) "C&P – Puxa, que decepção … pensei que fosse um hino dos carecas: (com voz filosófica) “Todos nós estamos inexoravelmente indo ao Planeta Ovo”…Já tinha me identificado com a força da mensagem! (puxando Herbert prum canto) Porque nós, carecas, precisamos nos unir, sabe…
Herbert - Pô, mas fizemos essa entrevista toda sem pronunciar a palavra buceta..

C&P- Você que é um especialista no assunto pode emitir a sua opinião.
Herbert - Sabe qual a definição da mulher? É aquela parte da buceta que você não usa.

C&P- A gente nem botou esse assunto na pauta porque vocês não fazem muito o gênero de roqueiros punheteiros.
Herbert - (levanta as mãos) ninguém aqui comeu a Monique Evans!

C&P- E como é a amante argentina?
Herbert - Na Argentina, se quer pedir uma menina pra fazer uma chupeta, é “saca-me Ia goma”. Tirar a borracha, né. Tem também “entregar el marron’.
Barone - Por falar em cu, a gente não falou em carros nem em culinária, assuntos que gostamos muito de comentar.

C&P- Pois é, eu soube que você vendeu a Toyota?
Barone – Não, mas quando eu passei você tava atrás de um Cadete pretão.
Herbert - Nada disso, ele tava era sentado numa 020. Aliás, 020 centímetros.

C&P- Que isso gente, eu tenho é um Tipo zero.
Bi - Pô, troca de carro. Se você quiser, eu tenho um Parati vermelho.
Herbert - Mas quando você ganhou no consórcio, levou Uno zerinho, né?

C&P- (apelando) Você viu aquele programa “Gente que faz”? Quer ver o que faz gente? E de manhã, você vê o “Colosso”? Quer ver agora? Sem falar no Fantástico”Já viu o “Pequenas Empresas” ? Quer ver o “Grande Negócio” ? Gosta de cinema? Prefere curta ou longa? (os entrevistados gritam “Chega! Chega!”)
Herbert - (quando a situação acalma) A menina morava na favela mas arrumou um emprego de arrumadeira numa casa superbacana. Um dia tava limpando lá o corredor e espiou pra dentro do quarto da patroa: tava a patroa lá fazendo um 69 com o amante dela. Ela correu e cutucou a cozinheira: “Que merda é essa que eles tão fazendo lá dentro”? “Você nunca fez isso? Pois isso é o 69! Pô, tem que experimentar isso, é sensacional! “Ela voltou pra casa com aquilo na cabeça. Aí chegou o negão, vindo da obra, com a marmita debaixo do braço. “Tião, tenho uma novidade, a gente tem que experimentar! Vem cá.” Tiraram a roupa e partiram logo pro 69 o meio da coisa o Tíão ouve aquela voz: “Tíão, você sabia que Mao Tsé-Tung morreu”? Ele para: “Que porra é essa?” A mulher responde: “Eu tô lendo num pedaço de jornal que tá agarrado aqui na tua bunda”. (gargalhadas)

C&P- 69 é que nem morar na Vieira Souto, fundos: a localização é boa mas a vista é péssima. (mais risos). Bom gente, chega né, vamo nessa que vocês estão com a vida ganha…
Barone - Vocês não tão a fim de jantar aí não? Tem lombo recheado com salsichão e fios de ovos.
Bi -Tá vindo o maior broto afim de você. Quer que eu bote na sua?
Barone - Jacaré no seco anda? Cavalo, na bunda, sua?
Herbert - O calor que tá lá fora, sente-se aqui.

C&P- (pedindo trégua) A gente é para-raios desse tipo de coisa. Outro dia veio um cara: “Aí, meu irmão, conhece o Mirosbra?” Não resisti: “Que Mirosbra?” “Aquele que te carcou atrás do Box blindex da Cesosbra”(risos)
Herbert - O Barone te entregou um cartão pra você me dar? (e mais risos)

C&P- A pergunta que mais fazem pra gente é ‘Já comeu alguém”? Saindo de Belo Horizonte, sete horas da manhã, o avião sacudindo, eu ali com pavor sentado do meu lado um Mauricio, de terninho, mala executiva ele vira (com voz grossa): “Eaí Casseta, já comeu alguém”? “Não, mas já enfiei o dedo no cu de um curioso. “(risos)
Herbert - Na Argentina é que tem as melhores bundas do mundo! A bunda brasileira não se compara! Elas são tão obcecadas com a bunda que a Argentina tem um alto índice de lordose, de tanto elas carcarem a calça até o talo. E se você não jogar uma piadinha elas ficam ofendidas!

C&P – Já foram a Cuba? Diz que lá é onde as mulheres são mais cuzeiras. E dá pra comer o cu de uma família inteira com um sabonete!  Por isso tem aquela ciência: vinho, branco e tinto, agora cu, só rosê. E dito isso, só nos resta levantar e ir embora. (todo mundo levanta outra vez)
Barone – Não, vem cá, senta aqui mais um pouquinho .. Vocês chegaram há pouco de fora … (e começa tudo de novo)."