domingo, 28 de junho de 2015

R.I.P.: Chris Squire (Yes)


À medida que a nossa permanência nesta terra vai se estendendo - e obviamente é bom que se estenda ao máximo - percebemos um fato que não nos sensibilizava antes (pois eram mais raros, uma vez que todos jovens): a partida de parentes, amigos, conhecidos e ídolos da nossa juventude. Cada vez mais.

Ninguém fica para semente. Mas, aos 56 anos, sinto que parecem aumentar a cada ano essas perdas.

Sobretudo porque, muito ligado às artes, sobretudo música, tenho (ou tinha) dezenas de grandes músicos que considero (ou considerava) como amigos, mesmo que nem os conhecesse pessoalmente.

Fato reforçado pelo fato de ter publicado por cinco anos, de 1995 a 2000, um jornal dedicado à música, em particular ao Rock Progressivo.

Clássico CD solo do baixista
Hoje mais um veio se juntar ao timaço que deixou o planeta, a meu ver ainda precocemente, mesmo aos 67 anos: o baixista e mentor maior do supergrupo inglês Yes, Chris Squire.

Uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos, o Yes ao longo de 47 anos de estrada contou em suas diversas formações com nomes como Rick Wakeman, Steve Howe, Patrick Moraz, Bill Bruford, Jon Anderson, etc. Todos supermúsicos.

Squire foi o único a estar presente em todas as formações. Era dele a marca Yes.

Wiki: "O estilo do baixo de Squire é melódico, dinâmico e agressivo, o qual é sua marca. Ele usa caracteristicamente o baixo Rickenbacker 4001, que junto com seus ajustes pessoais gera um timbre inconfundível.
Squire foi considerado o 18º melhor baixista do milênio numa lista divulgada pela revista Guitar há poucos anos."

Para mim o domingo ficou triste, mas as canções celestiais do Yes irão estar em lugar mais adequado agora.

R.I.P. my friend



Morre Chris Squire, baixista da banda progressiva Yes

Co-fundador do grupo inglês tinha 67 anos e encerrou a turnê em maio, quando descobriu estar com leucemia

"Chris Squire, baixista e co-fundador das banda progressiva Yes, morreu na manhã deste domingo (28), segundo informou o tecladista Geoff Downes, no Twitter. Desde maio, o músico estava se submetendo a um tratamento contra a leucemia , nos Estados Unidos, mas não resistiu.

"Totalmente devastado, além das palavras, em reportar a triste notícia da morte do meu querido amigo, colega de banda e minha inspiração Chris Squire, do Yes", disse Geoff Downes, que teve passagem rápida pelo grupo britânico.

Chris era o único integrante em atividade da formação original em turnê com o Yes e tinha 67 anos. A banda parou em maio, quando o baixista descobriu a doença e encerrou as atividades.

Natural da cidade de Londres, Chris Squire nasceu em 1948 e, 20 anos depois, ao lado de Jon Anderson, Bill Bruford, Tony Kaye e Peter Banks, ajudou a formar a banda Yes.

O baixista é o membro que mais participou da banda e foi responsabilizado pelo afastamento de Anderson em 2008, o que abalou as relações entre alguns membros da banda, principalmente com Jon e Rick Wakeman.

O baixo de Chris Squire faz um som inconfundível, sendo ele nos primórdios, o precursor do uso de efeitos de guitarra no baixo, em uma adaptação para um som mais forte e psicodélico.

O Yes fez alguns shows no Brasil, sendo que o primeiro deles foi na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, e a último em 2013, em um concerto em que o grupo tocou três álbuns."

Fonte: Terra

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Paixão, tesão, amor e música... lá nos tempos da nossa linda juventude

Quando tenho tempo livre para conversar comigo mesmo costumo ter uns insights de temas sobre os quais gostaria de escrever. Aquela coisa intuitiva, 'sinalização automática', que todos temos em determinados momentos, em maior ou menor grau.
Quando isso acontece, os textos costumam vir prontos, instantaneamente, e aí é só sentar na frente do notebook e começar a digitar. Não que os tenha previamente na mente de forma consciente (que sequencia, hein?!), mas estão lá, pois escrevo de uma tacada só, sem acertos ou inserções posteriores.
Com essa descrição alguns poderão dizer que trata-se de de "psicografia". Bem, nunca tive sinais de que seja um médium, ainda mais tomando como base meus textos sofríveis. Escritores pós-vida procurariam gente melhor, com certeza.
É um prazer escrever assim, mas - como afirmei no início - tenho que ter tempo livre e isso tem me incomodado pois... cadê as minha horas diárias de reflexão e paz? Estão sendo consumidas em trabalho, deslocamentos e outras demandas e preocupações variadas.
Esta semana me incumbi de colocar alguma coisa aqui no blog. Na semana passada (e nesta também) postei no Blog de Luiz Felipe Muniz e não queria que este espaço aqui ficasse mais de uma semana sem alguma movimentação. Só para não decepcionar os nossos 17 leitores.
Como faltou tempo para insight pensei em ir pelo método tradicional. Imaginei um assunto que poderia soar interessante para qualquer pessoa.
Então, que tal amores da juventude e músicas daquela época? Juventude nesse caso (ok, no meu caso) refere-se sobretudo ao final dos anos 1970 e início da década de 1980.
Dá para perceber que isso tem a ver com o recorrente tema da passagem do tempo...
O inglês carioca e seu clássico romântico de 1983: "Vôo de Coração"
Pois bem, antes de começar a escrever resolvi dar uma "navegada" e me deparei com dois textos que tinham alguma - ou muita - relação com o que tinha imaginado. Coincidência ou é aquele "insight" funcionando de forma diferente?
Não tive dúvidas. Minha própria experiência vai ser relatada em uma outra oportunidade. Adiei. Vou postar os dois textos encontrados com as músicas citadas nos mesmos e acrescentados de algumas imagens.
O primeiro é uma citação de uma música do início dos anos 80, feita pelo amigo Gustavo em seu perfil no Facebook. O disco que contém essa música está cheio de temas que retratavam o romantismo daquele período. Um dos grandes discos Pop brasileiros de todos os tempos que recomendo com bastante ênfase para entender melhor aquela época.
Já o segundo é mais longo e é uma crônica de reminiscências do ótimo jornalista e escritor Luiz Antônio Mello que ele publicou em sua página na Internet (link ao final).
Aliás, ótima sacada dele ao escolher o título, se referindo ao clássico de Gabriel Garcia Márquez.
Vale à pena ler, ver e ouvir. Tema leve que com certeza vai provocar as próprias lembranças de cada um. Sobretudo se você tiver acima dos 40.
Enquanto isso aguardo meu tempo livre para novos insights...

A indicação do Gustavo:
"Minutos atrás, quando eu estava vindo pra casa, esta canção tocou numa emissora de rádio e me fez lamentar ter que descer do carro e deixar de ouvi-la. Sabia que a curtiria de forma bem menos surpreendente pelo You Tube, mas estava convencido de que não poderia deixar de fazer isso. Pra quem gosta e se lembra de quando foi lançada, aí vai ela. Pra quem nunca ouviu, que a inclua em seu repertório." (Gustavo Landim Soffiati no seu perfil no Facebook)

Ritchie - "Pelo Interfone"



O amor em tempos sem cólera
"As 3:11 (15/06/2015) - Por motivos não alheios a minha vontade meu fuso horário deu uma virada e pelo visto terei uma longa madrugada pela frente. Não gosto de escrever e publicar quando estou emocionado e ontem, domingo, passei o dia tomado pela saudade, ausência, sentindo falta. Por isso, escrevo agora mas só vou publicar quando voltar da pauleira no início da noite.

As 3:14 - O amor é um sentimento tão profundo, tão abissal, tão blues que não conseguimos explicá-lo. Nenhum intelectual das letras conseguiu, nenhum filósofo, sociólogo, antropólogo. Uma vez escrevi num trabalho de faculdade (cadeira de Psicologia Social) que o que mais nos difere dos chamados irracionais não é a inteligência mas a consciência do afeto. O professor não gostou por achar. Conversamos, ele disse que viveu uma experiência num lugar bem perto de uma família de gorilas, o que virou a sua cabeça. Passou a achar que, de alguma maneira, os animais irracionais também tem essa percepção e me deu nota 7. No final do mês a nota tinha subido para 9. Perguntei por que a a resposta veio vaga: “Realocação de novos conceitos”, ele disse.

Não quis reclamar porque estava apaixonado por uma garota (tínhamos 20 anos, ela e eu) e ingressava mais uma vez na ante-sala do amor comocional, aquele que ignora os raios e vendavais e nos faz rolar por virtuais calçadas encharcadas as nove horas da noite. Era o que fazíamos. Um namoro que durou, foi maravilhoso e nele eu tive a possibilidade de viver mais uma vez o amor sem explicações e, sobretudo, complicações. Mas jamais incondicional, papo de existencialista amador. O ser humano é condicional em sua essência.
O carro esportivo clássico brasileiro dos anos 1970
Mas sabe como é o destino. Ela queria, eu também queria casar, ter filhos, mas o destino nos chamou no centro de uma praça e disse que não ia rolar não. E não rolou. Saímos da praça, eu a levei até a porta de casa em meu Karmann Guia TC bege igual ao da foto (sem banda branca nos pneus), que toda a faculdade conhecia e venerava. Ela desceu do carro, eu também, fomos até a portaria do prédio, nos olhamos (olhos marejados) sem nada dizer apenas ouvindo ao longe, baixinho, o rádio do Karmann Guia TC na Eldo Pop FM tocando o Renaissance, ao vivo em Londres. Não esquecerei a música: "At The Harbour", a que ela mais gostava. Sincronicidade. E como a música é a linha de tempo e afeto de minha vida, jamais desvinculei “At The Harbour” dela.

Ela entrou no prédio. Peguei o Karmann Guia TC e resolvi dar uma volta pela orla do Rio. Fui até o final do Leblon e voltei. Em Copacabana parei numa carrocinha da Geneal, comi duas mini pizzas olhando para o mar escuro e mexido (como eu), pensando naquela história de amor que havia acabado. Pensei que o amor sozinho não sustenta, como Machado de Assis já havia mostrado no século 19 e nem quando ela me pediu desculpas em prantos consegui reverter aquela sensação estranha, um vácuo chamado “perdeu”. Amor condicional.

Não desisti do amor nem ele de mim. Essa história real, que publiquei aqui ano passado, é uma pequena amostra:

A minha estreia numa praia de nudismo, distante mais de dois mil quilômetros daqui (Rio de Janeiro), quase na linha do Equador, foi inusitada por um único e crucial motivo. Cheguei lá sem saber que era praia de nudismo. Eu e uma namorada alemã que falava mal o inglês e não dizia, sequer, “cerveja” em português. Naturalmente, não falo e nem entendo nada de alemão, meu inglês aprendi com The Who e The Beatles, mas acabei descobrindo que o meu espanhol dá para sobreviver a uma tourada mexicana. O dela também. Foi assim, via espanhol carioca que mantivemos acesa a nossa intensa (e felizmente tensa) comunicação.

O início.
Ela tinha tido uma estafa no Rio, durante um estágio numa rede de TV onde trabalhei. Caiu desmaiada numa ilha de edição, onde, felizmente, a temperatura em geral não passa dos 17 graus. Como já havíamos trocado olhares e aromas pelos corredores, cabotinamente fui lá socorrê-la. Levei ao departamento médico onde vi seus olhos verdes marejados de lágrimas que ela tentava esconder com o cabelo castanho claro muito liso. Linda. Como era (e provavelmente ainda é) linda a editora de imagens da TV de Frankfurt, que veio para cá aprender a fazer TV (somos craques nisso) numa emissora aqui da América do Sul.

Coincidentemente (falando sério) eu também andava estressado e precisava parar. Fui assuntar e me disseram que eu tinha férias vencidas e como havia combinado de levar a alemã ao hotel (estava muito fragilizada), no caminho, a bordo de um táxi sem ar condicionado, falei que ia tirar férias, que estava cansado, escalavrado. Ela perguntou, num espanhol que parecia Richard Wagner esculhambando uma orquestra, onde eu iria passar as férias. Arremessei o lugar de improviso e ela, com aquela disposição de quem nasceu numa cultura que sobreviveu a urgência existencial de duas guerras, disparou: “posso ir com você?”. Saí do hotel dela três dias depois.

Fomos a TV, anunciamos as férias (empolgado falei em casamento com alguns colegas), fomos para o Galeão e vrrruuuuummmmm, escreveria Jack Kerouac.

Praia de nudismo. 
Estacionei o bugre (o correto é bug, já que Bugre é marca), junto a uma restinga. 26 graus, ventinho bom, céu azul profundo, jangadas no horizonte, gaivotas, coleirinhos cantando, só faltava meu amigo Roberto Menescal aparecer com Nara Leão cantando “O Barquinho”.
Uma musa é sempre uma musa inesquecível
Ainda sem perceber que era praia de nudismo, peguei minha dama pela mão e desci uma trilha estreita que desembocava na areia da praia. Na areia, ela estendeu uma canga, ficou nua, correu para o mar manso e mergulhou. Sentei e fiquei quieto. Assim que ela retornasse eu diria que não era hábito brasileiro ficar nu na praia. Moralismo meu? Não. Era ciúme mesmo. Descobri naquele momento que também sou um cara ciumento, uma constatação que me fez muito bem porque a ausência do ciúme na minha vida me transformava numa medusa diante dos outros mortais.

Eu também era (e sou) ciumento, especialmente quando estou apaixonado. E eu não estava só apaixonado pela alemã. Estava louco por ela. Tanto que, na cama, sem camisinha, não tomava cuidado quando ejaculava com sinistras intenções de engravidá-la, o que não aconteceu porque, no meio da noite, ainda no Rio, levantei para fazer xixi e vi as caixa de pílulas na mesinha de cabeceira dela.

Quando ela voltou do mar, linda, linda, linda, esguia, eu já ia repreender mas vi dois casais passando nus. Depois, quatro crianças, dois idosos de uns 80 anos, um sorveteiro e até um salva-vidas. Todo mundo nu. Não me restou outra opção a não ser, constrangido, tirar a sunga também. Ela me pegou pela mão para passearmos na praia e aí eu confessei: “eu nunca fiquei nu em lugares públicos...com exceção dos bordeis que frequentei na adolescência”. Achei que ela iria me ridicularizar. Erro. Ela me deu um beijo. O mais puro e profundo de todos os beijos que trocamos ao longo de nossa tórrida, apaixonada e até ali infinita relação. E veio a ereção proibida naquele lugar, o mergulho de emergência, a gargalhada dela, o meu constrangimento.

Fomos passear pela praia, como todo mundo fazia. Em menos de 10 minutos me habituei com meu corpo nu em público e, meia hora depois, já havia até esquecido que estava sem roupa. O único problema era minha libido que, naqueles momentos pertencia (que maravilha) a minha alemã. Queríamos transar no mar, mas expliquei que praias de nudistas tem normas e protocolos muito rígidos para não se transformarem em esbórnia. Ela concordou. E lá pela meia noite e meia pegamos o bug e fomos para a pousada onde não dormimos até 10 horas da manhã do dia seguinte quando enchemos a cara de tapioca, bolo de laranja, café, abacaxi, pão francês, queijo minas fresco, beijos na boca.

Ficamos 15 dias naquele lugar, explorando outros de bug alugado. Andamos de jegue (de roupa), surfamos de peito (de biquíni e sunga) e fizemos amor sob uma lua nova que nunca vi igual; pálida e quase ofuscada por uma estrela que por pouco não me fez chorar de emoção. Foi nessa hora que pedi para casar com ela. Foi nessa hora que ela aceitou. Foi nessa hora que pedi que ela jogasse as pílulas fora. Foi nessa hora que ela concordou. Foi nessa hora que o mundo se tornou muito pequeno diante da onda que sentíamos. Onda que, provavelmente, nem álcool + maconha + cocaína + heroína conseguiriam proporcionar.

No décimo sexto dia entramos no avião de volta ao Rio. Meu estado de espírito não era dos melhores e comentei com ela. Ela disse que também sentia “um vácuo na garganta”. O avião decolou, ela dormiu no meu ombro enquanto eu tentava ler uma revista, pensando se seria uma boa ideia mudar para Frankfurt e trabalhar como... como...como o que? Não havia como trabalhar em Comunicação em língua alemã, mesmo que eu estudasse o idioma cinco anos.

Chegamos e fomos para o hotel dela, onde passei a morar e rachar a conta até o estágio da alemã terminar, várias semanas depois. E um dia terminou. E naquele dia ela tomou umas 12 caipirinhas no bar Veneziano (Largo do Machado), chorou, acho que também chorei afogado em quase três litros de Coca Cola comum. E ali trocamos as mais sinceras e profundas juras de amor, eu pensando em Machado de Assis, ela em Hermann Hesse.

Luiz Antônio Mello, um dos criadores
da ótima Fluminense FM, a rádio-rock
"maldita" do início dos anos 1980 de Niterói
No dia seguinte, o do embarque dela para Frankfurt aconteceu o que prevíamos mas não confessamos mutuamente: nos transformamos em sonhos. Ela, no meu. Eu, no dela. Sonhos de amor eterno, dedicação integral, pureza, entrega, tudo o que seria possível se eu embarcasse com ela confrontando o desconhecido.

Subi para o deck de observação do Galeão. O Boeing 747 da Lufthansa taxiava arrastando meus pensamentos. Decolou na minha frente, levando a bordo um dos mais profundos sonhos meus. Certamente um dos mais lindos e, quem sabe, possíveis. Mas ela e eu não pagamos para ver. Preferimos transformar aquelas semanas num mito. Mito que arde vivo até hoje."

Por Luiz Antonio Mello na Coluna do LAM, 
Você pode encontrá-lo também no Facebook



E, para finalizar este já longo post e entender melhor o título do mesmo, 14 Bis!


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Pegando Fogo

Não, o título do post não se refere àquela música do Deep Purple dos anos 1970.
Também não é sobre um ânimo extra nas condições afrodisíacas da perfomance sexual nossa de cada dia. Ou de cada semana. Ou de cada mês. Êpa! Tá piorando. Melhor parar 'por aqui' (com cacófato bem encaixado no tema).
Se fosse sobre um desses fatos, não seria nada mal, convenhamos. Vão dizer que não, sobretudo no segundo item?
Então vamos lá. Vejo cada vez menos programas de TV. Vejo TV sim, mas filmes, séries, documentários e musicais. Quando dá tempo.
Na última quarta-feira abri uma exceção e vi o programa "Saia Justa" no canal GNT (indicação de minha esposa). Esse programa já teve dias piores. O quarteto feminino que está lá atualmente é legal.
Elas tocaram em um tema que eu já conhecia, mas não com muito detalhes. Chama-se Síndrome de Burnout.
Consultei o Dr. Wikipedia que gentilmente me atendeu e informou: "A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.
A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização profissional se transformam em obstinação e compulsão; o paciente nesta busca sofre, além de problemas de ordem psicológica, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão."
Então tá. Assunto encerrado. O resumo acima já disse tudo.
Ok, mas que tal fazermos nosso próprio balanço?
Nos anos 1960 estimava-se que, depois do ano 2000, graças ao desenvolvimento tecnológico entre outras coisas, trabalharíamos uma média de seis horas por dia. E isso iria diminuindo gradativamente. Então eu vos pergunto neste Ano da Graça de 2015, estais trabalhando menos de seis horas ao dia? Favor computar os deslocamentos, o pouco tempo dedicado ao almoço e todos os tipos de demandas fora do serviço "oficial".
Não carece aqui saber se adoras o que faz. Mas as exigências de tempo, prazos, qualidade, preocupações genéricas, etc.
O fato é que o dia está cada vez mais veloz e o final de semana parece não dar conta da recuperação do esgotamento.
Não vou nem entrar aqui no mérito do tempo que você gostaria de dedicar a outras coisas  que ama, mas que não tem ou se tem é bem menos do que gostaria. Quesitos como estar mais tempo com pessoas que gosta, ir a um cinema, viajar, ouvir música, escrever... às vezes até sobra um tempinho, mas você está esgotado demais. Cadê o ânimo?
Eu achava que essa sensação de esgotamento por conta de tantas atividades era "privilégio" de quem está bem distante dos 25 anos, época da chamada "energia pura". Tenho concluído que não. Vejo jovens bem desanimados ultimamente.
O pior é que esse desgaste afeta o nosso humor e até a nossa personalidade e saúde. Não poderia ser diferente. Qualidade do sono deficiente e em quantidade menor do que deveria ser, pressões diversas o tempo todo, trânsito caótico... tudo vai afetando até mesmo o nosso modo de ser.
Há algo de errado nos caminhos que o mundo do trabalho e das atividades gerais estão tomando.
Precisamos de menos trabalho, menos bens de consumo, menos ruas abarrotadas de carros, menos cobranças externas, menos auto-cobranças, menos pressão de contas à pagar.
Precisamos de mais sono, mais paz, mais lazer, mais tempo para amar, mais convivência com os outros e com nós mesmos.
Precisamos de vida.
Senão iremos queimar. E não estou falando de pagar nossos pecados pós-vida. Já estamos pagando aqui mesmo.