terça-feira, 24 de março de 2015

O soft-rock e as baladas românticas do Bread


E, bem devagar, vamos retomando os posts aqui neste blog quase secreto.
Para recomeçar, não poderia ser diferente: música.
Uma das bandas Pop que mais mais me emocionaram na juventude (e faz tempo isso, confesso) foi o grupo californiano Bread.
E o motivo era a capacidade do grupo de criar belíssimas baladas, embaladas (foi mal) pela voz aveludada do David Gates, o vocalista principal.
Depois do fim do grupo, David seguiu carreira solo ainda com grande sucesso, sempre mantendo o estilo Soft-Rock.
São daquelas canções que é quase impossível não gostar, mesmo se você não for tão ligado(a) em música.
Verdade que muitos poderão dizer que soam hoje "datadas", mas para mim música boa é música boa. Seja do Século XVI ou de 1970.
Fiz uma pequena seleção. Alguns vão se lembrar.
Jovens, esqueçam. Ou então, quem sabe, emocionem-se.
Em tempo, duas curiosidades sobre David Gates (que era também o tecladista e violinista, além de compositor): hoje ele tem 74 anos e por duas vezes participou como convidado em discos do grupo brasileiro Roupa Nova: "Através dos Tempos" (1997) e "Natal Todo Dia" (2007).

segunda-feira, 16 de março de 2015

Avenida Paulista, 15 de março de 2015

Ia escrever alguma coisa sobre as manifestações de ontem, mas tem gente muito melhor e mais qualificada opinando.
Então resolvi reproduzir este texto do escritor e jornalista Mario Donato, publicado originalmente no Diário do Centro do Mundo.


“Isso aqui é uma putaria e disso eu entendo”: o dono do Bahamas e outras figuras na Paulista
"Algo como final de Copa do Mundo misturado com réveillon. Esse pode ser um bom exemplo quanto ao volume de pessoas bem como pelo estado de espírito. Quase uma micareta. Poucos tinham noção das consequências. Mas não é possível fechar os olhos e ficar só na desqualificação. Os diálogos ouvidos foram bizarros.

“Com o dólar do jeito que está, teremos que ir para a Europa”, conversavam duas mulheres muito provavelmente debatendo a mudança de planos para as férias. “O custo de vida disparou. Meu condomínio pulou de 1.500 para 2 mil reais”, ouvi de um outro grupo. Dois casais acompanhados de crianças, ensinavam um garotinho de cerca de 4 anos de idade a dizer “Dilma é o caralho”. Estrebucharam de rir em seguida.

Mulheres siliconadas de unhas e cabelos feitos, rapazes bombados de academia, filas gigantescas nos estacionamentos (eles foram de carro para a manifestação!!), e uma presença ativa porque era ‘cool’ estar na rua ontem. Afinal, a Globo chamou. Nas padarias e lanchonetes pediam coxinha. Era um cenário de inúmeras piadas prontas. Mas não se pode ignorar o ocorrido. O povo, unido, é gente pra burro.

O discurso “fora PT, fora Dilma” foi acompanhado pela “indignação contra a corrupção”. Mas é curioso que o uniforme ‘oficial’ da manifestação de ontem tenha sido a camisa da seleção brasileira. A camiseta da CBF. Isso demonstra duas coisas: primeiro o caráter da monovisão simplista e excludente que o futebol representa no país.

Segundo, novamente a falta de informação. Adotaram a seleção como exemplo? A CBF é uma das entidades mais corruptas da face da terra. Esse detalhe fala por si só. Algo como se milhares de pessoas fossem às ruas pedir uma alimentação mais saudável trajando a camiseta do McDonalds.

Hoje, como os números foram muito expressivos, circula o argumento de que não era mais só o topo da pirâmide presente. Como não? Não havia negros. Basta olhar as fotos. A massa era predominantemente branca, bem nutrida e de roupas novas. Aquelas pessoas não demonstravam nenhuma necessidade básica. Apontam o dedo contra a corrupção dos outros. Só a dos outros, claro.

Alguns um pouco mais esclarecidos, reconheciam não ser exequível nem sustentável o caminho do impeachment e citavam a necessidade de uma reforma política. Ok, mas o que garante que aquele camarada de ontem não irá fazer uma doação como pessoa física e depois irá cobrar seu contratinho de sua empresinha na sua prefeiturinha do mesmo jeito?

A corrupção não se dá apenas no macro. Por isso é difícil levar a sério a massa que foi para as ruas ontem. Ela carece de moral para cobrar o que estava cobrando.

“Estou aqui como candidato a presidência da república porque é uma putaria o que está aí e ninguém entende mais de putaria do que eu. Claro que estou brincando, mas não suporto mais ver o meu país nessas condições. O nosso país é muito mais sério e essa ideologia que aí está é superada, não tem como dar continuidade.” Impeachment? “A pergunta é delicada, andei pensando nisso. Agora eu pergunto: Aécio fez oposição? Não sei quem eu colocaria no lugar, só sei que eu não tenho condições”, disse Oscar Maroni, proprietário da boate Bahamas.

No meio de tantas camisetas da CBF, Maroni era um dos poucos lúcidos."

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vídeo de Bob Fernandes: Sobre o Panelaço e o dia 15/03



"Em milhares de relatos, nem 1 notícia de 1 só grito contra Eduardo Cunha, Renan Calheiros, ou demais 47 da Lista de Janot...ou empreiteiras... É um direito desejar a queda de Dilma. Como é xingá-la nos varandões. Mesmo que ofender a presidente na sua condição de mulher diga muito sobre quem xinga. Lembremos: Dilma governa a crise que criou. Mas, ao contrário dos presidentes do Senado e Câmara, ela não está na Lista de Janot... Renan, Cunha e outros 47 estão. Renan é um sobrevivente. Sentiu o cheiro antes e escapou do governo Collor. Foi ministro da Justiça de Fernando Henrique. Renan sobreviveu a sucessivos escândalos. Se vier a ser investigado, vai usar todo seu Poder para sobreviver. Isso inclui operar contra o governo do seu PMDB. Como fez no dia em que seu nome vazava da Lista de Janot e ele era saudado por líderes da oposição. Eduardo Cunha tornou-se presidente da Câmara com aplausos da oposição. Que, como dizem seus líderes, quer "ver Dilma sangrar". . Eleito, Cunha logo informou que só sobre seu "cadáver" "regulamentação econômica da Mídia" seria aprovada. . Cunha é inteligente e hábil. Experiente. Já foi aliado de Collor e PC, Maluf e Garotinho. . Para esvaziar a relatoria da CPI da Petrobras, que é do PT, Cunha criou 4 sub-relatorias. A CPI será sua arma para arrancar o que busca. . O Supremo pode ou não investigar e indiciar Cunha, Renan e os 47. Mas quem cassa é o Congresso. E eles julgarão a si mesmos. . Renan, Eduardo Cunha & Cia sequestrarão a pauta do Congresso, farão qualquer acordo para não serem cassados. . Dia 15 vem ai grande manifestação. Uma pena o pessoal do panelaço nos varandões ter se esquecido do Renan, do Eduardo Cunha, dos 47...e das empreiteiras. Ainda dá tempo."

segunda-feira, 9 de março de 2015

Luis Fernando Veríssimo e Luiz Carlos Bresser Pereira: a preferência pelos trabalhadores e pelos pobres gerando ódio

Nesta crônica publicada ontem, dia 08/03, Luis Fernando Veríssimo - com seu brilho e estilos únicos - faz comentário sobre o texto (na verdade uma entrevista), também recente, de um baluarte da Centro-Direita no Brasil e um dos fundadores do PSDB: Luis Carlos Bresser Pereira.
Vem daí a introdução: "Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera".
O título da crônica é "Olha o velhinho!" e é uma resposta (ainda que parcial) de uma pergunta que vem me incomodando e me afastando cada vez mais das redes sociais: porque tanto ódio?
Não se trata de crítica política, questões econômicas ou purismo moralista acima do bem e do mal. Trata-se de ódio que corrói tudo.
Me incluí fora dessa.
Ponto.
No mais, só me resta continuar lendo "O Capital no Século XXI", de Thomas Piketty.
So goodbye yellow brick road...
Luís Fernando Veríssimo
"Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar.

Economistas liberais recomeçaram a pregar abertura comercial absoluta e a dizer que os empresários brasileiros são incompetentes e superprotegidos, quando a verdade é que têm uma desvantagem competitiva enorme.

O país precisa de um novo pacto, reunindo empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média, contra os rentistas, o setor financeiro e interesses estrangeiros. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio.

Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os pobres contra os ricos.

O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.

Dilma chamou o Joaquim Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade, formada por quem tem o poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi violenta.

Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo."

Nada do que está escrito no(s) parágrafo(s) anterior(es) foi dito por um petista renitente ou por um radical de esquerda. São trechos de uma entrevista dada à “Folha de São Paulo” pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que, a não ser que tenha levado uma vida secreta todos estes anos, não é exatamente um carbonário.

Para quem não se lembra, Bresser Pereira foi ministro do Sarney e do Fernando Henrique. A entrevista à “Folha” foi dada por ocasião do lançamento do seu novo livro “A construção politica do Brasil” e suas opiniões, mesmo partindo de um tucano, não chegam a surpreender: ele foi sempre um desenvolvimentista nacionalista neokeynesiano.

Mas confesso que até eu, que, como o Antônio Prata, sou meio intelectual, meio de esquerda, me senti, lendo o que ele disse sobre a luta de classes mal abafada que se trava no Brasil e o ódio ao PT que impele o golpismo, um pouco como se visse meu avô dançando seminu no meio do salão — um misto de choque (“Olha o velhinho!”) e de terna admiração.

Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera.

Outro trecho da entrevista: “Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de desenvolvimento crítica do imperialismo, crítica do processo de entrega de boa parte do nosso excedente a estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso da não nação.”
Luís Fernando Veríssimo
Luiz Carlos Bresser Pereira

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Andarilho


Um post três em um:
- A música "Ouais Marchais, Mieux Qu'en 68", extrato da suíte "Le Voyageur", do grupo francês de vanguarda Heldon, do qual faz parte o excelente músico pesquisador de experimentalismos Richard Pinhas (guitarras, sintetizadores e efeitos).
- O texto do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (de "Humano, demasiado humano").
- A voz do filósofo francês Gilles Deleuze, declamando o aforismo nº 638 ("O Andarilho").