segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Ansiedade

Nunca tive depressão. Nem Síndrome do Pânico. Pelo menos por enquanto.
Mas uma ansiedade congênita sempre me incomodou.
Vem de uma preocupação exagerada com o futuro. Mas não só isso. Também com as responsabilidades exigidas pelo trabalho. E família. E finanças. E etc.
Não perceberão nada ao conversar comigo. Não externalizo. Pior para mim.
Mas tal fato não é privilégio deste ansioso escriba.
Ansiedade é um dos problemas emocionais que mais tem crescido nos últimos anos.
Boa parte das vítimas já tinha um gatilho pronto a ser disparado. Com as exigências atuais em todas as frentes é fácil prever que aquele aperto no peito difícil de descrever iria se tornar uma rotina na vida de milhões de pessoas all over the world.
A boa notícia é que tem coisa muito pior (isso é bom?) e que podemos minimizar de diversas formas essa sombra que nos acompanha.
Os tarjas-pretas estão entre as formas mais fáceis mas sabemos que não são os mais recomendáveis.
Tentar trabalhar a mente racionalmente seria o melhor caminho, mas não é tão simples assim. Desconfio que já ocorram grupos de ajuda, do tipo "Ansiosos Anônimos", sobretudo para aqueles em grau mais elevado.
Sim, há escalas de ansiedade.
Outro caminho é a meditação. Acalmar a mente. Existem diversos tipos e vale a pena tentar, embora seja também um desafio para qualquer ocidental minimamente estressado.
Seguir e ter apoio de uma religião pode ser milagroso para muitos.
Alguns apelam: aliviam a ansiosa tensão com alguns chopps ou um cálice de vinho. Se puder e funcionar, desde que de forma civilizada, tudo bem. Mas não tentem tomar uma caixa de cerveja por dia, nem duas garrafas de vinho antes, durante e depois do jantar. Neste caso iriam acabar parando em outro A. A.
O fato é que estudos tem mostrado que esta é a doença do século. Peraí, já viram quantos estudos diferentes apontam diferentes problemas como a "doença do século"? Acho que estão em disputa do tipo "a doença que eu pesquiso é mais importante que a sua". Ou: "a minha pesquisa é mais importante que a sua".
E nessa ficamos mais ansiosos ainda. Mas ao que parece os pesquisadores estão mais ansiosos que nós.
Mas... como é verão, as praias estão cheias, o chopp está gelado e tem um Psiquiatra na esquina, então tá tudo bem.

Música da pseudocrônica: para relaxar a mente, despertar o espiritual, dormir ou entrar em desespero por achar a música tenebrosa, Bill Douglas. Eu gosto. Mas não se aflijam, o visual traz pinturas do holandês Jan Vermeer (1632-1675), chamado de "o mestre da luz". Vale a pena.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Escrevendo em Garotas

"Arte hoje em dia tem cada coisa...".
Não foram poucas as vezes que ouvi afirmações deste tipo.
Para não iniciados tem muita coisa complicada mesmo. Ou sem sentido.
Lá pela década de 1980 eu assinava uma revista dedicada à arte contemporânea. Ou pós moderna, sei lá.
O que eu gostava era de ler os longos artigos - muitas vezes quase psicanalíticos - dos críticos que tentavam explicar pinturas e esculturas abstratas.
Muitas vezes a criatividade dos textos superavam as obras artísticas. Se bem que em sua maioria eram também escritos abstratos. Quero dizer que eu não conseguia entender muito bem nem uma coisa nem outra.
Mas tem também as tecnologias aplicadas na ideia artística visando uma interação do público com a mente do criador. Neste caso arte se confunde com um projeto técnico.
Uma vez fui a uma exposição de fotos/vídeos (não sei bem se deve-se considerar aquilo como foto ou vídeo, acho que eram as duas coisas) em que você entrava em uma sala escura com imagens grandes de umas 12 pessoas em telas estáticas dispostas lado a lado em uma parede.
À medida que a pessoa caminhava ao longo da fileira os olhos (e apenas eles) iam acompanhando o curioso (e eventualmente assustado) espectador.
Também utilizando sensores li sobre uma instalação feita uma vez em Londres onde o público (em número limitado) entrava em uma sala onde chovia torrencialmente. O detalhe: a pessoa não se molhava, mesmo que quisesse. Por onde andava, a chuva parava. Havia água em toda sua volta, menos na pessoa!
A série abaixo não usa essa tecnologia. É a antiga arte caligráfica. De desenhar letras.
O diferencial é o suporte. Não é papel, nem telas.
São belas modelos que emprestam seu corpo para o russo Pokras Lampas. Uma união de habilidade com beleza e sensualidade.
Como não se trata de tatuagem é obra efêmera que necessita de registro em vídeo e em fotografia para se perpetuar.
Infelizmente não dá para colecionador comprar a arte original de Lampas, levando o suporte junto.
Fiquemos, portanto, com os vídeos e as fotos.
Confiram mais em Calligraphy on Girls.














sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

As Retrospectivas e o Futuro pós Ano Novo

"Ceia", óleo sobre tela de Cláudio Dantas
O Natal é legal.
Pelo significado que traz, pela oportunidade de reunir a família, etc. etc. etc. e blah, blah, blah...
Mas tem uma coisa complicada: no mesmo tempo a alegria do momento e a tristeza da lembrança dos que se foram e não participam mais desta celebração de união.
Sofre mais quem perdeu entes queridos importantes e que são mais sensíveis ao sentimento de perda e de saudade.
Nesses casos vale muito a fé em algo além dessa nossa passagem por essas paragens, até mesmo porque todo mundo vai embora um dia.
Mas convenhamos que essa mistura de alegria e nostalgia é no mínimo complexa. Ainda bem que tem o vinho. Ou cerveja bem gelada, se estiver muito calor.
E logo depois vem o Ano Novo.
Reveillon, festa, fogos, gente, roupa nova, espumantes, esperança e alegria por um novo período que se anuncia.
Mais ou menos.
Não me acusem de estraga prazeres ou provocador de depressões.
Sou um pouco ansioso, eventualmente silencioso (desconfio que quem gosta muito de escrever tende a falar menos) mas não mal-humorado e pessimista. E gosto de Natal e Reveillon.
Mas teorizo que a necessidade da festa de Ano Novo se presta a esconder uma incomoda sensação da celeridade da vida, da impossibilidade de parar o tempo, da incapacidade de evitarmos acontecimentos que nos tragam sofrimento, do medo do desconhecido, da impossibilidade de mantermos infinitamente a nossa zona de conforto, etc.
É claro que posso estar 110% errado. O que seria ótimo. Mas confesso que no momento dos fogos, pelo menos por três segundos, essa idéia me assola.
Ainda bem que são só três segundos. Depois é admirar o momento do pipocar das luzes, abraçar os queridos, virar a taça de Prosecco (chique!) e molhar os pés na água do mar, ao mesmo tempo que se faz uma oração. É bom se garantir, na medida do possível.
Nesta linha de raciocínio e ação, estrategicamente não vejo mais as diversas "retrospectivas do ano".
Primeiro porque tendem a ser tendenciosas.
Depois pelo motivo de nos lembrarem quanta gente boa morreu (entre atores, músicos, etc.) no período.
De minha parte incomoda por causa do motivo já citado e porque sou particularmente fã das músicas e dos músicos das décadas de 1960 e 1970.
Acontece que esse pessoal atualmente está ultrapassando a barreira dos 70 anos e são sobreviventes (em boa parte) do LSD, da Heroína, do álcool, enfim, sobreviventes das loucas décadas citadas. Muitos se foram com menos de 50 ou até menos de 30 (Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison).
E nem sempre esses sobreviventes chegam bem a uma idade mais avançada. A perspectiva de vida de rockstars é menor que a média da população.
Daí que todo ano tem uns daquela época que se vão. E isso não me agrada.
Em uma rápida retrospectiva mental de 2014 me lembrei de alguns que foram fazer jam sessions no céu: Jack Bruce (Cream), Johnny Winter (o albino guitar hero), Tommy Ramone (Ramones), Phil Everly (Everly Brothers), Bobby Womack (grande cantor), Jimi Jamison (do Survivor, de "Burning Heart"), Paco de Lucia (o grande violonista), Bob Casale (do Devo), Joe Cocker (o insuperável).
No Brasil, Jair Rodrigues, Vange Leonel, Miltinho, Nelson Ned e outros. Bem esses não são "sobreviventes" daquela época que falei.
Viram? Nada de retrospectiva este ano!
E a música trilha-sonora desta pseudocrônica é a incrível versão soul que Joe Cocker fez de "With a Little Help From My Friends", uma das poucas na história que conseguiram superar as sempre insuperáveis versões definitivas dos Beatles de suas próprias composições.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Sistema 333

Um belo dia alguém me falou que eu tenho um jeito eclético de me vestir.
Tomei como um elogio, mas tenho minhas dúvidas com relação à declaração a mim dirigida.
Particularmente acho muito difícil homens se vestirem "ecleticamente". Talvez artistas com sua liberdade poética e libertárias atitudes.
O raciocínio é simples: tomem como base as vestimentas disponíveis para o público feminino. Já entraram em alguma grande loja exclusiva de roupas para mulheres, incluindo bolsas e calçados?
É uma loucura em profusão.
Que bom para elas. Infelizes delas. Ter que escolher, ter que seguir os modismos, as cores da estação.
Nós homens temos o sistema que eu (de uma forma quase imbecil) chamo de "meia-besta".
Já explico este termo. Mas não sei se devo.
Temos três tipos de camisas ou blusas: a "T-Shirt" (ou camiseta), a camisa de botões e a blusa polo. Só. O resto são variações sobre estes mesmos temas. De manga comprida ou manga curta. De algodão ou tecido sintético. De cores e padronagens variadas.
Três tipos de calças compridas: Jeans, Social e um meio termo entre as duas.
Três tipos de calçados: Tênis, sapato social e "sapatênis" (odeio este termo mas é o que o pessoal tem usado). Também neste caso, as opções são em cima das variações. No caso do tênis, por exemplo, vai do fitness esportivo ao máximo ao street que beira o social.
Óbvio que estou falando do básico, do essencial, do dia a dia. Nada de citar ternos Armani, cardigãs, coletes, blazers, etc.
Temos assim a desvantagem de não ter tantas opções como as mulheres e a felicidade de não ter tantas opções como as mulheres.
Ah! Sim. O termo.
Viram que o sistema é 3-3-3?
Como tenho o objetivo de associar a pseudocrônica a alguma música, me lembrei deste número multiplicado por dois.
Inspirada pelo livro do Apocalipse a banda inglesa Iron Maiden fez "The Number of The Beast".
Obviamente que isso não tem nada de relação com moda, mas pelo menos consegui associar com o sistema de três tipos de modelo para cada peça de roupa masculina. Um desafio (um tanto quanto imbecil, conforme já assumi) superado.
Se não lhes disse nada os escritos, pelo menos a música, que fala das escrituras, pode ser interessante. O problema é se também odiar Heavy Metal. Aí sinto dizer-lhes que perderam alguns preciosos minutos neste blog.
De qualquer forma, em tempos natalinos, é sempre bom relembrar passagens bíblicas que nos alertam metaforicamente sobre possíveis eventos futuros (ou já presentes). A mensagem e o sentido estão aí. É entender e praticar.
E aí não importa que roupa se prefira usar.
E tem mais uma coisa: não aguento mais ouvir aquela mesma canção do John Lennon ("Happy Xmas - War is Over"). Não que não seja bela, mas é que são mais de 40 anos com a mesma trilha sonora!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sem referenciais de beleza feminina

Monica Belluci
Enquanto aguardamos o retorno triunfal do Blog do Luiz Felipe Muniz - provavelmente em 2015 - resolvemos criar este "blog secreto".
Quem der o azar de descobrir...
Aliás estas primeiras impressões são relativas a uma das séries que tínhamos (ou temos) lá.
Trata-se do "Musa da Semana", onde toda sexta-feira selecionamos uma beldade para nos brindar os sentidos.
É uma série ao mesmo tempo mal vista por muitas leitoras e um sucesso absoluto entre os leitores. O que fazer?
Calendário Pirelli 2015
Confesso minha fraqueza em admirar imagens da beleza do corpo feminino. Feministas ativistas poderão dizer: "eufemismo para designar o mau hábito machista de gostar de ver mulher pelada, transformando-a apenas em um objeto". E pode até ser isso mesmo.
Inflexões aos instintos primários.
Ou: o índice de testosterona ainda está bom, apesar dos 55.
Aí só posso pedir desculpas.
Mas podemos tratar o tema de outras formas (já que estamos falando de curvas femininas). Sensivelmente ou intelectualmente. Ok, é uma estratégia para escapar de nossos detratores, mas pelo menos eu estou confessando. Já é alguma coisa.
Duas notícias me chamaram atenção nos últimos meses.
Candice Huffine
A primeira, já confirmadíssima, é que no Calendário Pirelli 2015 estará em um dos meses a modelo Candice Huffine. Nada demais não fosse ela catalogada como "plus-size".
Não conhecem o Calendário Pirelli? Então não frequentaram oficinas mecânicas nos anos 70 e 80. É uma referência mundial em termos de fotografia de mulheres ao natural. Verdade que hoje em dia a maioria das oficinas parecem clínicas e aí não fica bem colocar mulher nua em primeiro plano como decoração.
Dito isso, vamos à segunda nota. Fiquei sabendo que uma das atrizes do próximo filme da mais antiga série cinematográfica em atividade - 007 - vai ser a atriz italiana Monica Belluci. O que chama atenção é que vai ser a primeira entre as sexys bond-girls que ultrapassou a marca dos 50.
As duas informações tem em comum um fato que venho observando há algum tempo. O show-bizz começa a se dar conta que não dá mais para impor um modelo de beleza único, ou dois ou três.
A beleza feminina está em cada mulher e em todas as mulheres. Está nos olhos que veem.
Não deve existir um peso mínimo ou um peso máximo. Nem uma idade limite. Nem número de curvas ou referenciais seja lá quais forem.
Com isso livramos as mulheres desta ditadura de um modelo de beleza e livramos nós, homens, de carregar este fardo que vem incomodando nossas colegas ao longo de décadas.
Bem, cumpri minha boa ação de hoje.

Música da pseudocrônica:
O novo filme do 007, que vai contar com a Monica Belluci, chama-se "Spectre" e vai ser lançado em 29 de outubro de 2015, ainda com o ótimo Daniel Craig e Sam Mendes mantendo a direção. É o 24º longa da série que completou 50 anos ininterruptos.
Como ainda não temos a música tema do filme, sempre uma atração a mais nas películas (agora é digital) de James Bond, vamos com a abertura de "Skyfall", de autoria e interpretação da maravilhosa Adele. Aliás, cadê ela?